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2009/2/2 Pittsburgh Steelers: hexacampeões nacionais de futebol (americano) [como, aqui, o glorioso SPFC (em futebol de verdade)]Notícia da Folha de S. Paulo de hoje. Agora tenho o privilégio de ser bi-hexa… :-) Será que é meu karma que meus times sejam hexa-campeões nacionais??? 02/02/2009 - 01h10 Steelers vencem Super Bowl das viradas e se tornam "os maiores"Do UOL Esporte Numa das mais emocionantes e imprevisíveis decisões dos últimos tempos, o Pittsburgh Steelers se consagrou como a equipe mais vencedora da história da NFL (sigla em inglês para liga de futebol americano). O time do lançador Ben Roethlisberger e do técnico Mike Tomlin derrotou o Arizona Cardinals neste domingo por 27 a 23 em Tampa e se isolou como o grande nome do Super Bowl. O título só veio no último quarto, depois de duas viradas no placar. JOGADA HERÓICA NO 2º QUARTO
Harrison atravessa o campo após interceptar passe de Warner e marca o touch down
Em seguida, defensor dos Steelers recorre ao oxigênio para recuperar suas forças Com o título na edição 43 da final da NFL, os Steelers superam Dallas Cowboys e San Francisco 49ers e chegam ao sexto título no Super Bowl. Derrotados em sua primeira aparição na final, o Arizona por sua vez continuam sem os famosos anéis de campeões do futebol americano. Foi o triunfo de uma equipe mais eficiente na defesa, com um quarterback consistente e que explora basicamente os lançamentos em curta distância, sobre o segundo melhor ataque da NFL, com um lançador que arrisca demais e prioriza os passes de longa distância. No caso, Kurt Warner, campeão com o Saint Louis Rams em 2001. Mais cauteloso e 11 anos mais jovem que Warner (37), "Big Ben" Roethlisberger faturou seu segundo título (havia triunfado com o Pittsburgh em 2006, como mais jovem quarterback campeão) apoiado em seu jogo de avanços precisos de curta e média distância. O Pittsburgh foi o time que menos cedeu jardas aos adversários através de passes com uma média de 156,9 jardas durante a temporada regular. Para se ter uma ideia, o segundo foi o Baltimore Ravens com 179,7. Nas corridas, os Steelers chegaram à decisão com a segunda melhor defesa, cedendo apenas 80,2 jardas em média aos rivais. Com isso, o time foi o que menos sofreu pontos na primeira fase e teve um trabalho vital do setor para eliminar San Diego Chargers e Baltimore Ravens nos playoffs, antes do Super Bowl de Tampa. Em tempos de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos, o técnico Mike Tomlin também cravou neste domingo seu nome na história do esporte mais popular do país, ao se tornar o segundo treinador negro campeão da NFL. O título dos Steelers veio mesmo com a atuação espantosa do wide receiver Larry Fitzgerald, responsável por dois touch downs a favor dos Cardinals. Fitzgerald é o recordista na história de anotações em playoffs. Em campo no primeiro quarto, o Pittsburgh chegou à end zone dos Cardinals logo na primeira incursão ao ataque, graças a um avanço do lançador Ben Roethlisberger. No entanto, a arbitragem decidiu anular o touch down, depois de rever a jogada pela TV, alegando que o camisa 7 dos Steelers tocou o joelho no solo antes de cruzar a linha final. Mesmo assim, o time de Pittsburgh conseguiu inaugurar o placar no mesmo ataque, com um field goal de 18 jardas de Jeff Reed. Os Cardinals esboçaram uma reação logo depois, com o desabrochar de Warner. Primeiro, o lançador achou Anquan Boldin, que efetuou avanço de 45 jardas. Em seguida, Ben Patrick entrou na end zone e conferiu equilíbrio ao Super Bowl. Somado ao ponto extra, o Arizona diminuiu a diferença para 10 a 7. A primeira jogada crucial para a definição do jogo aconteceu nos segundos finais do segundo quarto. O defensor dos Steelers James Harrison interceptou um passe de Warner na end zone contrária e correu o campo todo, de ponta a ponta para fazer touch down e aumentar a vantagem para seu time. Após o esforço, Harrison desabou no chão e, instantes depois, teve que recorrer ao balão de oxigênio para recobrar as forças.
Santonio Holmes foi o herói do último quarto, ao efetuar o touch down decisivo Após o intervalo, os Steelers continuaram soberanos na defesa e conseguiram ampliar a vantagem com mais um field goal. Mas o instante de suspense veio no fim, quando Larry Fitzgerald, wide receiver estrela dos playoffs, pegou passe de Warner para dar mais um touch down ao Arizona. A reação dos Cardinals ganhou força nos minutos finais, quando a arbitragem detectou uma infração em uma ação de ataque do Pittsburgh dentro da end zone. Ou seja, o Arizona ganhou dois pontos e mais uma posse de bola. Em seguida, Warner conectou passe com o cabeludo Fitzgerald, que se desvencilhou da marcação dos Steelers e chegou à end zone inimiga em uma progressão de 64 jardas. Mas quando tudo apontava para o título inédito dos Cardinals, Roethlisberger conseguiu empurrar o Pittsburgh para uma improvável virada. Quase saindo de suas características, o lançador arriscou e, no passe final, achou Santonio Holmes na end zone para selar o dramático 6º título dos Steelers. A jogada acabou dando a Holmes o título de MVP (sigla para jogador mais valioso) da final. Pouco mais de 72 mil pessoas acompanharam a partida no Raymond James Stadium e viram, além da vitória do Pittsburgh, o show do intervalo com o veterano cantor Bruce Springsteen. As imagens do Super Bowl 43 foram levadas para mais de 230 países ao redor do mundo. PONTOS DO SUPER BOWL 43 PRIMEIRO QUARTO STEELERS 3 a 0 - Kicker Jeff Reed converte field goal de 18 jardas e coloca o Pittsburgh logo de cara em vantagem. SEGUNDO QUARTO STEELERS 10 a 0 - O running back Gary Russel, recebe perto da end zone e faz o 1º touch down do jogo. O ponto extra consolida dois dígitos de vantagem dos Steelers. CARDINALS reagem.. 10 a 7 - Ben Patrick foi acionado por Kurt Warner e ingressa na end zone para marcar seis pontos. O ponto extra ainda ajuda a colocar o Arizona no jogo. STEELERS 17 a 7 - O defensor James Harrison intercepta passe de Warner e corre o campo todo para fazer incrível touch down. TERCEIRO QUARTO STEELERS 20 a 7 - Jeff Reed converte mais um field goal e aumenta a vantagem do Pittsburgh ÚLTIMO QUARTO CARDINALS diminuem 20 a 14- Mesmo marcado em cima, Larry Fitzgerald pega passe diagonal de Warner para dar mais um touch down ao Arizona. CARDINALS equilibram.. 20 a 16- Arbitragem detecta infração de ataque na end zone dos Steelers e concede CARDINALS viram.. 23 a 20- Warner conecta passe com Fitzgerald, que se livra da marcação na corrida para fazer mais um touch down STEELERS retomam o placar 27 a 23 - Roethlisberger arrisca e acha Santonio Holmes no limite lateral da end zone. É a jogada do título, com direito ao último extra point da temporada Transcrito no Lageado, em Santo Antonio do Pinhal, 2 de Fevereiro de 2009 2009/2/1 Ricos meninos pobresTranscrevo, a seguir, com a autorização do autor, o artigo do Juca Kfouri na Folha de hoje. Folha de S. Paulo JUCA KFOURI Ricos meninos pobres -------------------------------------------------------------------------- Dos milhões que são gastos na aquisição de craques, uma parte deveria ser investida na cabeça deles -------------------------------------------------------------------------- ROBINHO, ADRIANO , Ronaldos. Tantos. Indiscutivelmente talentosos com a bola nos pés, mas desastrados longe dela. Ricos nas contas bancárias, mas pobres de espírito. Suas vidas se resumem ao futebol e às baladas, às baladas e ao futebol. Estrelas populares cujos brilhos diminuem à medida que o tempo passa e cujo desgaste afasta da atividade principal, mãe de todas as outras, o jogar futebol bem, maravilhosamente bem. Mas que importa? O futuro sem preocupações materiais já está garantido! Mal sabem, ou alguns até já sabem, que, de repente, bate uma nostalgia, uma vontade louca de voltar a ser, de olhar para as arquibancadas lotadas em uníssono saudando o nome do ídolo. Ídolo, que ídolo? Ex-ídolo. Ex-ídolo do Santos, do Real Madrid, do Flamengo, da Inter, do Barcelona, do Milan. De tantos. E com saudade de estufar a rede, de correr para o abraço, de eventualmente correr para o alambrado e comemorar com os pobres, mas ricos em emoção. Emoção que vicia e que eles vão buscar na noite e em suas atrações. Sejam as que alucinam, sejam as que excitam, sejam quais forem, mas incompatíveis com o correr 90 minutos, com o bater forte, com o apanhar doído, com o jogar de cabeça erguida. Cabeça, que cabeça? Sim, as cabeças precisam ser tratadas até para conviver com tanta facilidade -Diego Maradona e Walter Casagrande Júnior que o digam. E quem gasta tanto para tê-las, por que não gastar uma ínfima parcela para tratá-las? Futebol, sexo, drogas e rock and roll. Bela mistura. Doutor Sócrates não vai gostar, Xico Sá vai ridicularizar, mas o fato é que a vida exige opções. Ou bem se faz uma coisa ou bem se fazem outras. Algumas, ao mesmo tempo, são simplesmente incompatíveis. Salvo raras exceções, rigorosamente extraordinárias como Romário, baladas diárias e futebol duas vezes por semana não ornam, não casam, repelem-se. E é o que mais temos visto por aí, a ponto de até Pelé reclamar, ele que sempre cuidou do físico para poder reinar mais tempo, sem nunca ter sido santo, ao contrário. "Quero fulano para jogar no meu time, não para casar com a minha filha", eis aí, de novo, a frase emblemática que até fazia sentido para os tempos românticos. Mas não faz mais, quando talento e saúde são exigidos quase em igual proporção. E não se trata de moralismo, conservadorismo, reacionarismo, nada disso. São meras constatações, basta olhar para o momento vivido, hoje, pelos acima citados. Não é preciso ser bom moço carola feito Kaká, mas também não precisa exagerar. Porque o exagero torna até a curtição mais curta. E a exposição desnecessária deles e o mole que dão beiram tanto as raias do absurdo que se confundem até com burrice, embora, de fato, sejam, apenas (?!), frutos de má, de péssima orientação. É preciso cuidar deles. Transcrito no Lageado, em Santo Antonio do Pinhal, em 1 de Fevereiro de 2009 O time de Pittsburgh, os Steelers, tenta ser hoje hexa em futebol americano nos Estados UnidosNotícia da Folha de hoje (1/2/2009): “O Pittsburgh Steelers pode, às 21h (ESPN), ser o maior campeão do Super Bowl caso bata o Arizona Cardinals, que busca título inédito. Dallas Cowboys e San Francisco 49ers também têm cinco taças hoje.” Por que noticio isso? Porque os Steelers são o time de futebol americano pelo qual torço. Se eles ganharem, o time será, como o SPFC, time de futebol pelo qual torço no Brasil, o único hexacampeão na modalidade em seu país… Coincidência, não? Sou torcedor dos Steelers porque morei em Pittsburgh, Cidade do Aço (Steel), durante cinco anos, de 1967 a 1972 – época em que o time era uma porcaria e nunca havia ganho nada. Mesmo assim, torcia para ele (bem como para os Pirates, em baseball, e para os Penguins, em hockey sobre o gelo) porque o time era de Pittsburgh, cidade de que gosto muito e que considero minha “cidade natal” nos Estados Unidos. Estarei torcendo – apesar de não poder assistir ao jogo na ESPN, porque aqui em Santo Antonio do Pinhal, onde estou, não tenho acesso à ESPN. ET: Há uma questão de linguagem envolvida. A Folha se refere a “o Pittsburgh Steelers”, alheia ao fato de que “Steelers” (“acieiros”, literalmente) é um termo no plural. Talvez, se acuada, diria que estava se referindo a “o [time de] Pittsburgh [os] Steelers”. Eu preferiria dizer “os Pittsburgh Steelers” – mas sei que “há controvérsias”… No Lageado, em Santo Antonio do Pinhal, 1 de Fevereiro de 2009 2008/12/8 SPFC: Tri/Hexa Campeão Brasileiro (6-3-3)Da mesma forma que em 2006 e 2007, o São Paulo Futebol Clube é campeão brasileiro – pela terceira vez seguida e pela sexta vez alternatada. Embora possa ainda melhorar em desempenho no campo e fora dele, o tricolor é exemplo para os demais clubes de futebol brasileiros – que não lhe chegam perto. No ano que o SPFC reafirma, com sua conquista, a sua hegemonia no futebol brasileiro, o Corinthians faz o quê? Celebra seu retorno à primeira divisão do campeonato brasileiro. Indiscutível a superioridade do SPFC. Parabéns ao Muricy, técnico de primeira, ao Rogério, capitão e goleador inigualável, e a todos os demais jogadores, que contribuíram de forma decisiva para a conquista. O gol mais lindo da temporada? O de Dagoberto, contra o Internacional de Porto Alegre. Avante, SPFC. “Tu és forte, tu és grande, dentre os grandes és o primeiro”. São Paulo, em 8 de Dezembro de 2008 2008/8/23 Somos ouro no vôlei feminino
Somos ouro no vôlei feminino. Finalmente. Jogo lindo... Perdemos das americanas no futebol, mas demos o troco no vôlei. Ao ver as meninas comemorando, saltando, abraçando-se, lembrei-me de uma crônica velha do Mário Prata, chamada “As Meninas Moça”. No caso, falava ele do time de vôlei feminino do Leite Moça. Ele era apaixonado por aquelas meninas. (Quem não era?) Escreveu uma crônica quase erótica, mas light – muito bonita. Falava de como é bom olhar as meninas jogando vôlei. Se bem me lembro (mas posso estar embelezando um pouco), ele falava daqueles shorts justos, realçando as formas das garotas, atrás e na frente. Falava das coxas batendo uma na outra quando elas saltavam para bloquear ou cortar. Falava das pernas esparramadas quando elas caíam tentando interceptar uma cortada adversária. Falava dos seios balançando quando elas saltavam – embora os seios fossem relativamente pequenos e estivessem bem bloqueados em sutiãs apertados. Um pouco disso é Mário Prata. O resto sou eu mesmo, entusiasmado de ver a vitória das meninas brasileiras sobre as meninas dos Estados Unidos. Não debitem na conta dele o que é meu. Nem me creditem o que é dele. Mas foi lindo ver as meninas ganhar o ouro. As meninas de ouro, como diz o Galvão Bueno... Fico me lembrando da Vera Mossa, de Campinas... da Ana Paula, de anos anteriores. Da Sheilla, agora. Todas elas lindas. Todas elas musas. [UOL: Desculpe por usar as fotos... Sou cliente de vocês. E pelo menos dou o crédito.] Em Salto, 23 de Agosto de 2008 2008/8/21 Se tem de perder pra alguém, que seja para os EUAAcabou a final do futebol feminino nas Olimpíadas. Pela segunda vez, o Brasil perde a medalha de ouro -- para o mesmo time, o americano. Sinto pelas meninas brasileiras. Torci para elas. Mas se tinham de perder para alguém, estou contente que tenha sido para as meninas americanas. Odiaria perder para as alemãs ou as argentinas. Não odeio perder para as americanas. Sou brasileiro de nascimento. Também por sentimento. Mas os Estados Unidos são minha segunda pátria. Morei lá durante muito tempo, lá terminei meus estudos formais, obtendo o Mestrado e o Doutorado, lá tive meus dois primeiros empregos acadêmicos. Tenho uma filha, a Andrea, hoje com 35 anos, anos, nascida lá. Na realidade, ela sempre morou lá, embora tenha também nacionalidade brasileira. Tenho duas netas nascidas lá, Olivia e Madeline, que também têm dupla nacionalidade. Minha filha fala Português, mas minhas netas, não. A comunicação com elas é, portanto, necessariamente em Inglês. Além disso os Estados Unidos têm feito mais pelo futebol feminino do que qualquer outro país. Minha neta de seis anos joga futebol na escola, tem técnicos, aprende todos os fundamentos direitinho... E isso como parte das atividades escolares, em campos bem construídos e com todos os recursos necessários... É isso. Parabéns às americanas pela medalha de ouro e parabéns às nossas valiosas meninas pela de prata. Em Salto, 21 de Agosto de 2008 2008/4/14 O Campeonato PaulistaSei muito bem que o importante não é como as finais do Campeonato Paulista começam, mas, sim, como terminam. Mas antes começarem assim, com vitória da Ponte Preta e do São Paulo, este totalmente estropiado, sem elenco, com gente machucada, suspensa, etc., do que de outro jeito. Agora Guaratinguetá e Palmeiras terão de lutar contra o prejuizo. Espero que Ponte Preta e São Paulo façam a final. Assim, se o São Paulo perder, não ficarei tão triste, porque um time de Campinas terá ganho. E falem o que quiserem do Adriano, ele está garantindo o time na frente -- com o Rogério garantindo na defesa. Avante, São Paulo. Em Hanoi, 14 de Abril de 2008 2008/2/17 Há conversão no futebol?No meu artigo anterior relatei que, durante a cerimônia do "Batismo Tricolor" do meu neto Gabriel, o oficiante conclamou os que estavam sendo batizados não só a permanecerem são-paulinos para sempre mas, também, a converter torcedores dos times rivais, para que também eles venham a sentir a enorme satisfação que é torcer para um verdadeiro time, três vezes Campeão Mundial, cinco vezes Campeão Brasileiro... À noite -- a noite teve uma hora a mais, por causa do fim do Horário de Verão -- fiquei pensando cá com os meus botões: há muito menos conversões no futebol do que há na religião e na política... Quando dois se casam, se a mulher é realmente torcedora de um time, quase nunca se converte para o time do marido. Meu irmão, palmeirense doente, casou-se, longos anos atrás (já tem um neto, ele, também, Gabriel), com uma corintiana. Não só ela não se tornou palmeirense como conseguiu que meus dois sobrinhos, filhos deles, contraíssem essa doença que é ser corintiano. Meu amigo Roberto Carvalho, são-paulino de quatro costados, casou-se com a também minha amiga, Adriana Martinelli -- palmeirense. Ela se converteu para o SPFC? Nem pensando. Neste caso, porém, ela perdeu a custódia futebolística dos dois filhos, ambos são-paulinos desde a maternidade. Ontem, no batismo, havia mulheres que os maridos não haviam conseguido converter. Enfim: pelo jeito, a mulher se converte -- em geral quando ainda é namorada -- apenas quando não liga muito para o futebol e realmente não torce -- quero dizer T-O-R-C-E -- para um time. Converte-se porque, não torcendo para nenhum time, não custa nada fazer um agradozinho para o (em regra futuro) marido. Se trocarem de marido um dia, provavelmente trocarão também de time... Aqui entre nós, nunca vi um caso de homem se converter para o time da mulher nem antes nem muito menos depois do casamento. No entanto, no caso de religião, conversões são freqüentes -- e, mais interessante, homens, neste caso, parecem não ter grandes dificuldades em adotar a religião da mulher. As conversões, aqui, não são só de uma denominação protestante para outra (Presbiteriana para Batista, Metodista para Pentecostal, etc.). Há conversões do Catolicismo para o Protestantismo e vice-versa (embora mais raramente neste caso), entre o Cristianismo e o Judaísmo, entre o Cristianismo e o Islamismo, etc.. Imagino que haja conversões até mesmo entre Judeus e Muçulmanos (embora isso hoje pareça difícil). Em suma: o amor parece ser mais capaz de derrubar barreiras religiosas do que barreiras futebolísticas... O mesmo se dá no caso da política. É raro ver um casal votar diametricamente oposto um do outro: em geral votam juntos -- mesmo que não votassem juntos antes de se casar. Aqui também, o amor parece derrubar mais facilmente as barreiras do que no caso do futebol... Vou me tornar autobiográfico. Embora tenha nascido em Lucélia, no Estado de São Paulo, em 1943, meus pais se mudaram para o Paraná (Itati, Marialva e Maringá) quando eu tinha menos de um ano. Lá a gente vivia numa alienação total -- eu nem acompanhava campeonatos de futebol. Para vocês terem uma idéia, eu, em 1950, que à época tinha quase sete anos, e morava na nascente Maringá (fundada em 1947), nem fiquei sabendo que estava havendo uma Copa do Mundo de Futebol no Brasil -- nem que o Brasil a havia perdido vergonhosamente para o Uruguai. Só vim tomar conhecimento de coisas futebolísticas quando me mudei para Santo André, em Março de 1952. Mesmo assim, embora tivesse tomado ciência imediatamente de que havia São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Portuguesa (o Santos ainda não contava), levei quase dois anos para me decidir. Durante 1952, ainda estava me aclimatando a uma grande cidade e suas preferências futebolísticas. Não tínhamos televisão. Tínhamos apenas um rádio, mas era meu pai quem o monopolizava (em geral para notícias e músicas antigas -- antigas para aquela época já: valsas e dobrados, especialmente). Ler jornal, não lia. Durante 1953 me vi pressionado pelos colegas da escola (Grupo Escolar "Prof. José Augusto de Azevedo Antunes) e da igreja (Igreja Presbiteriana de Santo André) a torcer por um dos três grandes (a pressão para torcer pela Portuguesa era mínima: só a Dona Maria, portuguesa, vizinha, torcia para a Portuguesa, dentre as pessoas que eu conhecia -- e eu não gostava dela, porque era chatésima, não gostava de devolver as bolas para passavam por cima do muro e caíam no quintal dela...). Firmei uma decisão, durante 1953, de que o time que fosse campeão paulista aquele ano seria o meu time do coração. Não deu outra: o São Paulo Futebol Clube bateu o Santos na Vila, por 3x1, para se tornar campeão (já em 1954, no dia do aniversário de São Paulo -- o Quarto Centenário! O SPFC é o verdadeiro Campeão do Quarto Centenário, não o Corinthians). Desde então, quase 55 anos atrás, nunca tive uma dúvida de que a escolha foi certa, nunca tive "second thoughts", nunca nem flertei com outro time... Quando me mudei aqui para Campinas adotei o Guarani como segundo time e a Ponte Preta como terceiro. Se o SPFC não está envolvido, torço para o Guarani e para a Ponte Preta. Se o SPFC está jogando contra um dos dois, torço para o SPFC -- torço para que vença de goleada: não tem dessas de torcer para empate. Se Guarani e Ponte Preta estão jogando, torço para o Bugre. Minhas preferências são bem hierarquizadas. Durante esses 55 anos em que tenho sido são-paulino ferrenho, eu evoluí (sic) de protestante bem fiel, temente a Deus, para ateu -- e evoluí (sic) de leve simpatizante de algumas idéias de esquerda para liberal clássico sem modulações, anti-esquerdista radical. Mudei de opinião. Não chamo essas mudanças de opinião de "conversões", porque foram bem-pensadas, refletidas, resultado de um processo lento de desenvolvimento filosófico. O que chamamos de "conversão", no sentido comum, em geral não tem essa carga (embora haja casos famosos de conversão, em regra para o Catolicismo, que se equiparam à minha mudança bem arrazoada de ponto de vista na religião e na política. Ou seja, mudei de opinião em religião e em política, mas não em futebol... Costuma-se dizer que futebol, política e religião não se discute -- em geral porque parece que as perspectivas de convencer os outros são mínimas. No entanto, se minha análise é correta, a virtual impossibilidade de convencer os outros a mudar de opinião está no futebol: nas outras duas áreas, embora difícil, é possível fazer conquistas. Por incrível que pareça há questões interessantes por detrás desses problemas aparentemente pequenos. Em Campinas, 17 de Fevereiro de 2008 2008/2/16 O Batismo Tricolor do Gabriel: 16/02/2008Quem quiser pode começar com as fotos -- há trinta delas no album que tem o mesmo título deste artigo e que pode ser visto ao lado ou clicando em: http://ec.spaces.live.com/photos/cns!511A711AD3EE09AA!1809/ No dia 09/12/2007 descobri que o São Paulo Futebol Clube, meu time do coração há 55 anos -- e time do coração dos meus netos -- criou há algum tempo uma instituição interessante: o Batismo Tricolor. Apesar de eu transcrever os detalhes abaixo, vocês podem vê-los em: http://www.saopaulofc.net/batismo/index.html Resolvi inscrever o Gabriel, meu neto mais velho (oito anos e quase meio), depois de consultar seus pais. Ele ficou interessadíssimo. E eu, açanhadíssimo... Recebi o boleto (R$ 120,00), paguei, e fiquei esperando a comunicação da data -- os batismos ocorrem aos sábados, no Morumbi. O de hoje foi o décimo segundo -- o décimo primeiro aconteceu em 08/12/2007. O primeiro batismo aconteceu em meados de 2006. Nesta semana que se encerra hoje recebi o e-mail dizendo que o batismo seria hoje, sábado, 16/02/2008, às 10h, com entrada, meia hora antes, pelo Portão Principal do Morumbi (o de número 1). O Gabriel veio dormir ontem aqui em casa para que a gente não se atrasasse hoje. Estava elétrico. Trouxe sua camiseta oficial do SPFC para ir com ela. Ficamos conversando até tarde. Hoje, acordei-o antes das 6h e não foi preciso chamá-lo duas vezes. Acabamos saindo tão cedo que, apesar de termos parado no posto-restaurante Graal do km 56 da Bandeirantes (lindo, lindo o restaurante, novinho em folha, decorado com carros e motivos dos anos 50) para tomar café, chegamos no Morumbi antes das 9h. Resultado: participamos do batismo das 9h em vez do das 10h, como havia sido previsto... É tudo muito organizado e muito bem feito. O batizando -- vamos chamá-lo assim no momento anterior ao batismo -- ganha vários presentes: uma camiseta do programa "O Batismo Tricolor", bandeiras do SPFC, adesivos vários, um button (aqui chamado de bóton), uma vela do SPFC, um potinho com grama do campo, um certificado -- e um DVD com duas fotos oficiais e a filmagem da cerimônia (que será entregue depois, pelo Correio). O mais impressionante, porém, é entrar no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi de tantas glórias: entrar no próprio campo. Só que, compreensivelmente, é proibido pisar na grama do campo, que fica cercado com uma cordinha. Mas a sensação de estar lá dentro do campo, no nível do gramado, é fantástica. Já assisti a alguns jogos lá, há muitos anos, em geral da Seleção Brasileira, mas nunca havia entrado no gramado. (Pensando bem, creio que nunca assisti a um jogo do SPFC lá). A cerimônia é feita ao lado do brasão do SPFC, debaixo de uma tenda armada para a ocasião. O "oficiante" do batismo é o Santo Paulo, um senhor já idoso, mas muito animado e divertido, que faz gozação o tempo todo com os corintianos e palmeirenses... (Havia lá um "azulão"-- torcedor do São Caetano -- que foi tratado com a condescendência devida aos torcedores dos times pequenos... É verdade que toda vez que se mencionava o Corinthians -- havia alguns pais e mães corintianos na turma, em cujo caso o padrinho em geral era o avô -- o Santo Paulo nunca deixava de lembrar os presentes de que o Corinthians está na segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Quando um corintiano disse que isso era "no momento", o Santo Paulo disse: "Claro, no momento -- no ano que vem estará na terceirona, depois na quartona..."). Havia muita gente se batizando, a maioria absoluta crianças -- embora houve uns poucos adultos (mulheres e namoradas, em regra) e pelo menos um senhor já idoso... Todos muito entusiasmados. Há um juramento bacana em que os batizandos prometem continuar são-paulinos para sempre e se comprometem a tentar converter torcedores de outros times... Finda a cerimônia, fomos até a Loja do São Paulo (operada pela Reebok) e a Sala do Memorial -- onde estão os troféus, as flâmulas, as fotos das várias conquistas. Emocionante. Vão ter de fazer um estádio maior para acomodar os troféus... É uma coisa totalmente secular, naturalmente. Na verdade, é uma grande sacada de marketing, feita de forma muito eficaz e com muito bom gosto. Durante a cerimônia, além da gozação com os principais rivais, há também uma certa gozação (pequena, mas sempre bem-vinda, na minha opinião) com certos conceitos sagrados. Enfim, foi uma experiência que valeu a pena. Se você é são-paulino, recomendo que leve seus filhos ou netos ou sobrinhos. Abaixo, as informações sobre o programa, retiradas do site do SPFC: http://www.saopaulofc.net/batismo/index.html O Batismo Tricolor Imagine você ou seu filho(a), dentro do gramado do Morumbi, ao lado do símbolo do São Paulo, sendo fotografado e filmado e ainda recebendo um certificado oficial de “São-Paulino”..... Sonho? Não. Agora é realidade. O São Paulo, em mais uma ação inovadora, acaba de lançar o projeto BATISMO TRICOLOR. Seja você mesmo o próximo a ser batizado ou traga alguém da sua família. Como Funciona O batizado tricolor não tem nenhuma conotação religiosa. Qualquer pessoa, independente de cor, raça, religião ou idade pode ser batizado. Os batismos são realizados aos sábados, a partir das 09h00 da manhã, em turmas de 20 pessoas. A “cerimônia” com foto oficial demora ao total 30 minutos. Cada pessoa batizada tem o direito de levar um padrinho (madrinha) e 2 acompanhantes para entrar no Estádio. Outros convidados ficarão na numerada inferior. Durante a cerimônia, a figura do “Santo Paulo” fará a leitura do compromisso de “são-paulinidade” e entregará a cada batizado, uma camisa oficial do projeto e um certificado. Logo depois, o batizado deverá tirar uma foto com seus acompanhantes ao lado do símbolo. Cada batizado será premiado com : - Vela oficial O valor do Batismo é de R$ 120,00 por pessoa. O Regulamento * Para ser batizado, não há distinção de sexo, cor, religião ou idade. * As inscrições podem ser feitas tanto via Web como via correio. * O valor da inscrição será de R$ 120,00 (cento e vinte reais) através de boleto bancário. * Só serão batizadas as pessoas que já tiverem quitado os boletos enviados. * A data e horário do batismo serão determinados pela organização. * A chegada é obrigatória com trinta (30) minutos de antecedência no portão principal do Morumbi. * Para os acompanhantes, será proibida a entrada vestindo qualquer camisa de outra agremiação ou clube de futebol ou de qualquer outra modalidade esportiva. Para o batizado, o traje deverá ser camisa do são Paulo ou camiseta branca. * Cada pessoa batizada poderá trazer até três acompanhantes (incluindo um padrinho de batismo). Eventuais outros convidados serão encaminhados para as cativas inferiores azuis (na frente do símbolo). * Caso o batizado ou seus acompanhantes pisem no gramado do estádio, o mesmo terá seu batismo cancelado. * O pagamento efetuado não será devolvido, seja por cancelamento ou o simples não comparecimento na data marcada. Casos especiais serão decididos pela Diretoria de Marketing. * Os participantes autorizam o SPFC a utilizar seus nomes e suas imagens em jornais, revistas, sites, ou qualquer outro meio de comunicação, para divulgação do Projeto "Batismo Tricolor", sem que haja qualquer direito a remuneração para o participante ou ônus para a entidade. * Eventuais duvidas favor enviar para batismotricolor@saopaulofc.net Em Campinas, 16 de Fevereiro de 2008 2007/12/18 KakáOntem Kaká recebeu o prêmio da FIFA destinado ao melhor jogador do mundo em 2007. Ganhou com mais do que o dobro de votos em relação ao segundo colocado. Já havia ganho inúmeros outros troféus de melhor do mundo este ano. Ganhou o troféu de melhor jogador do Campeonato Mundial Interclubes e e o prêmio de melhor jogador da partida final. Fou campeão de tudo o que é campeonato de que participou. Joga sério e bonito - faz gols. É rapaz sério, conservador, religioso. Tem a cabeça no lugar. Não se deslumbra com o dinheiro -- e é apenas o jogador de futebol mais bem pago do mundo. Não é de cair na gandaia. Tem condições de jogar mais uns doze anos, ou ainda mais, pois raramente se machuca. Nasceu no São Paulo Futebol Clube. Mas creio que torceria por ele mesmo se não tivesse. Fiquei tão contente com as vitórias pessoais dele e com a vitória do Milan como teria ficado se ele ainda estivesse no SPFC e fosse este o time a ganhar (também pela quarta vez) o Campeonato Mundial Interclube. Meus parabéns ao Kaká! Em Campinas, 18 de Dezembro de 2007 2007/11/1 SPFC, Pentacampeão Brasileiro: Dentre os grandes, és o primeiro!Com a vitória de hoje por 3 x 0 sobre o América de Natal, o SPFC se consagra pela quinta vez (e pela segunda vez consecutiva) Campeão Brasileiro, sem precisar dos resultados das últimas quatro rodadas do campeonato. Como diria aquela múmia corintiana que preside o Brasil, nunca antes neste país foi tão fácil ganhar um campeonato nacional. A festa será ainda maior no final de Dezembro se (quando?) o timeco do Parque São Jorge pelo que torce o presidente for rebaixado para a segunda divisão. A quatro rodadas do final, o SPFC tem nada menos do que quinze pontos de vantagem sobre o segundo colocado -- o só um pouco menos timeco da Vila Belmiro. Quinze! O time chega a 73 pontos no total (tendo a chance de, no final, passar dos 80) e tem um saldo de gols de nada menos do que 38 -- mais de 20 gols superior do que o segundo melhor saldo de gols do campeonato. Só em termos de número de vitórias, o SPFC tem no momento quatro a mais do que o segundo colocado. Consagração total. Além de ser o primeiro pentacampeão brasileiro que a CBF reconhece, o São Paulo é campeão pela segunda vez seguida. Em 2006 foi campeão com duas rodadas de antecedência. Este ano, com quatro. O que mais se pode pedir de um time de futebol? Meus parabéns, aqui da distante Helsinki, para Muricy e seus comandados e, naturalmente, para Rogério Ceni e seus capitaneados, e para todos os que participaram nesta brilhante campanha. Rogério Ceni é, em termos de conjunto da obra, o melhor goleiro que este país -- quiçá o mundo -- já teve. É grande defensor e incomparável atacante nessa posição. Quanto a Muricy, o fato de o Morumbi estar gritando o nome dele, como já fez com o nome do grande Telê Santana, do qual Muricy foi assistente, prova a sua consagração. Setenta mil pagantes viram o jogo no Morumbi. Como queria ter estado lá! Eis a notícia da Folha (http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2007/10/31/ult59u135431.jhtm):
Em Helsinki, 1 de Novembro de 2007 - 3h50 da manhã; no Brasil, 31 de Outubro, 23h50. 2007/10/21 The game ain't over 'til it's over...A corrida de Formula 1 aqui em São Paulo hoje provou que também o Campeonato de Formula 1 "ain't over 'til it's over". Quase ninguém acreditava que Lewis Hamilton pudesse perder o campeonato (apesar do vexame dado no Grand Prix da China). Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, diz o ditado. Bem: parece que cai, sim. Hamilton deu vexame hoje também em Interlagos e terminou a corrida em sétimo lugar -- precisava terminá-la pelo menos me quinto para ser campeão, independentemente do resultado de Fernando Alonso e Kimi Raikonnen. Os que achavam possível que Hamilton perdesse o campeonato acreditavam que, se o perdesse, o beneficiário seria Alonso. Bem: Alonso não foi campeão no lugar de Hamilton. Quem ganhou foi o finlandês Kimi Räikkönen -- tornando-se o terceiro finlandês a ganhar o campeonato de Formula 1 (o primeiro foi Keke Rosberg, que ganhou uma vez, e o segundo foi Mika Hakkinen, que ganhou duas vezes). Agora a pequena Finlândia está empatada com o enorme Brasil em número de pilotos que ganharam o prestigioso campeonato: Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Só que os finlandeses têm quatro campeonatos no total e o Brasil tem oito -- o dobro. Estava torcendo por Räikkönen porque sempre torço pela Ferrari. Se Felipe Massa tivesse ainda chance, teria torcido para ele. Não tendo, ainda assim torceria se Raikonnen não estivesse no páreo. Estando Raikonnen na disputa, torci para ele. Saí satisfeito. Com Raikonnen e com Massa, que foi o ganhador moral da corrida -- e agora tem um crédito junto a Räikkönene à Ferrari. Por coincidência, amanhã vou para a Finlândia. Pena que vou via Estados Unidos -- caso contrário poderia voar junto de Räikkönen... [ET: O São Paulo ganhou do Cruzeiro -- e completou o meu dia de vitórias... Apesar de no futebol também o campeonato "ain't over 'till it's over", vai ser difícil que o SPFC perca esse campeonato. Está com 67 pontos, 13 a mais do que seu concorrente mais próximo, o Palmeiras (por incrível que pareça), que tem 54 pontos. Restam para os dois seis jogos. Isto quer dizer que há dezoito pontos em jogo. Se o SPFC ganhar dois dos seis jogos que restam, chegará a 73 pontos, e estará fora do alcance do Palmeiras, ainda que este ganhe todos os seis jogos que lhe restam. Mas... é bom esperar para comemorar... :-) ] Em Campinas, 21 de Outubro de 2007 2006/12/26 SPFC termina o ano na frente e se distanciandoRumo ao Tetra das Américas e ao Tetra Mundial - para combinar com o Tetra Brasileiro. Assim a gente bota já 12 estrelas na camisa e estamos conversados... Em Campinas, 26 de Dezembro de 2006. ================ Da Folha Online Esporte, 24/12/2006 - 11h03 Confira a lista completa do Ranking Folha do Futebol Nacional da Folha de S.Paulo 1º São Paulo - 856 pontos Critérios de pontuação - Torneio (campeão/vice) Campeonato Estadual (SP/RJ) - 10/7 2006/6/9 A CopaA Copa do Mundo começou hoje (09/06/2006). A Globo, pelo que consta, enviou 185 profissionais para cobri-la. Todos os canais de tv, as emissoras de rádio, os jornais, as revistas -- toda mídia dá destaque ao evento.
Fico me perguntando: por que é que o esporte consegue mobilizar tanta gente desse jeito?
Intelectuais metidos a besta, professores universitários com complexo de superioridade, todo mundo se une para torcer por um grupinho de indivíduos que ganham o que certamente parece ser uma obscenidade. Por que os admiramos? Por que os aplaudimos? Por que torcemos por eles? Por que não nos revoltamos diante do fato de que eles ganham tanto e nós, comparativamente, tão pouco?
A esquerda costuma defender a tese de que a violência que aflige a nossa sociedade tem como principal causa a desigualdade sócio-econômica. Segundo essa tese, os pobres observariam os ricos, e, nessa "prise de conscience", perceberiam a ineqüidade de nossa sociedade -- e se revoltariam. A violência seria a expressão dessa revolta.
Nada confirma essa tese. Pelo contrário. Estão aí o Ronaldinho Gaúcho, o Ronaldo Fenômeno, o Cacá... Todos multimilionários, todos adoradíssimos -- especialmente pelos mais pobres. E não é só no esporte. Os artistas (cantores, atores, etc.) também têm rendas milionárias. E também são adorados -- especialmente pelos mais pobres. Onde está a "prise de conscience"? Onde está a percepção da ineqüidade? Onde está a revolta?
Parece-me que os pobres são muito menos igualitaristas que os seus supostos defensores, os intelectuais de esquerda. Os pobres convivem bem com a desigualdade. Eles reconhecem que os dois Ronaldos, o Cacá, etc. merecem o que ganham -- merecem ganhar muito masi do que eles. Estendendo o argumento, reconhecem que um médico, um engenheiro, um advogado, um professor universitário merecem ganhar mais do que eles.
Quem é que vai contestá-los?
Em Salto, 9 de junho de 2006 2006/2/21 SPFC: Dentre os grandes, és o primeiro[Se você leu este artigo antes de 26/2/2006, leia de novo: ele contém dados atualizados e dados adicionais] [Nota: um leitor chamado Anselmo corrigiu a seguinte passagem: "O Santos e o Internacional de Porto Alegre têm, cada um deles, dois campeonatos da Copa Intercontinental (Santos: 1962 e 1963; Internacional: 1964 e 1965), copa que foi a antecessora da Copa Toyota, agora assumida pela FIFA (que teve início em 1980)." Ele me informou de que "Internacional", no caso, não é "o" de Porto Alegre, mas "a" de Milão. Agradeço a correção. EC] Por incrível que pareça, há gente que duvida que a afirmação citada no título, retirada do hino oficial do São Paulo Futebol Clube (SPFC), seja verdadeira. Meu objetivo neste artigo é provar, para sempre, que, tomando como base o ano de 2005, ano em que o Tricolor foi Campeão Paulista, Campeão das Américas e Campeão do Mundo, a afirmação expressa a mais pura verdade. Começo com o mais evidente: nenhum time brasileiro foi três vezes Campeão do Mundo e três vezes Campeão das Américas. O SPFC detém essa glória, tendo-a obtido nos campeonatos de 1992, 1993 e 2005. Dos brasileiros (que são os que mais importa considerar) o Flamengo foi Campeão do Mundo em 1981 e o Grêmio em 1983. O Santos e o Internacional de Porto Alegre têm, cada um deles, dois campeonatos da Copa Intercontinental (Santos: 1962 e 1963; Internacional: 1964 e 1965), copa que foi a antecessora da Copa Toyota, agora assumida pela FIFA (que teve início em 1980). Mesmo incluindo os times estrangeiros, nenhum ganhou três vezes a Copa Toyota: só o SPFC. (Boca Juniors, Nacional, Real Madrid e Milan foram três vezes campeões, mas apenas se somarmos a Copa Toyota e a Copa Intercontinental. Só para deixar claro: ninguém, mas ninguém mesmo, considera o Corinthians Campeão do Mundo em 2000 (a não ser os simplórios corinthianos). Naquele ano o campeão foi o Boca Juniors (que ganhava a Copa Toyota pela segunda vez). Nem a FIFA, em 2005, em que passou a oficial participar da Copa Toyota, listou o Corinthians como Campeão do Mundo. Aquele campeonatinho foi uma excrescência. No que diz respeito à Copa das Américas (Copa Libertadores da América), que foi disputada pela primeira vez em 1960, o SPFC é, mais uma vez, o melhor dentre os brasileiros – mas perde para argentinos e uruguaios e empata com um paraguaio. Entre os brasileiros, o SPFC foi campeão três vezes, o Cruzeiro, o Grêmio e o Santos, duas vezes, o Vasco, o Flamengo e o Palmeiras, uma vez. O Corinthians, registre-se, nenhuma. (Aqui já fica evidente porque o chamado campeonato mundial do Corinthians é uma piada: ele nunca ganhou a Libertadores, que, para todos os fins, é pré-condição para disputar o Campeonato Mundial.) O maior ganhador da Copa das Américas é o Independiente (Argentina), que a ganhou sete vezes; depois vem o Boca Juniors (Argentina) e o Peñarol (Uruguai), com cinco vezes, e o Olímpia (Paraguai) que, como o SPFC, ganhou três vezes. Cumpre registrar que os times brasileiros não disputaram a Copa das Américas em 1966, 1969, e 1970, alegando excessiva violência no torneio. Não é preciso registrar que o SPFC é campeão da Taça CONMEBOL, da Taça dos Campeões (duas vezes), e de inúmeros outros torneios internacionais menores. O Campeonato Brasileiro é o único campeonato em que o SPFC perde para alguns concorrentes brasileiros – dois dos quais os principais concorrentes paulistas. O Campeonato Brasileiro teve início em 1971 – e nos 35 anos que vão de 1971 até 2005 o Flamengo foi campeão cinco vezes (embora uma vez, em 1987, compartilhando com o Sport do Recife), o Vasco, o Corinthians e o Palmeiras foram campeões quatro vezes, e o SPFC três vezes (1977, 1986 e 1991), honra que compartilha com o Internacional-RS. Vantagem pequena para os dois desafetos paulistas – que é plenamente compensada pelo desempenho do SPFC nos campeonatos internacionais. Agora vamos ao Campeonato Paulista, o mais complicado de contar, porque existe há mais tempo e os diversos times que disputam a glória de ser o maior Campeão Paulista de todos os tempos foram fundados em épocas diferentes e, com exceção do Corinthians, sofreram mudança de nome. Além disso, houve anos em que havia mais de uma federação no futebol paulista: a LPF (Liga Paulista de Futebol) e a APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos), que prevaleceu até 1940, a FPF (Federação Paulista de Futebol) tendo passado a se responsabilizar pelo Campeonato Paulista a partir de 1941. Assim, de 1913 a 1916 houve dois campeões, um em cada liga. O Corinthians, por exemplo, foi Campeão Paulista em 1914 e 1916 pela LFP, mas não pela APEA, que foi a que prevaleceu. No entanto, esses dois campeonatos são contados normalmente em favor do Corinthians... Mas vejamos a data da fundação dos clubes. O Sport Club Corinthians Paulista foi fundado em 1910 (1º de Setembro). Nunca mudou de nome. Fez, portanto, em 2005, noventa e cinco anos. O Palmeiras foi fundado, como Societá Palestra Itália, em 1914 (26 de Agosto), tendo mudado seu nome para Sociedade Esportiva Palmeiras subseqüentemente. Ninguém aparentemente questiona que o Palmeiras e Palestra devem somar os campeonatos ganhos. O time fez, portanto, em 2005, 91 anos. O São Paulo foi fundado em 1930 e refundado em 1935. Há gente que considera a data da fundação do Tricolor como 1930 e há quem considere a data 1935. A data considerada oficial é 1935. Mas vou levar em conta essa divergência – e, também, uma outra, não tão freqüentemente citada: a de que a data de fundação do SPFC seja 1900... Logo, o SPFC tem, em 2005, setenta e cinco, ou setenta anos, ou cento e cinco anos, conforme se decida contar. Contando os campeonatos em que houve um outro campeão ao lado dele, na federação concorrente, o Corinthians foi Campeão Paulista 25 vezes. Contando o tempo em que era Societá Palestra Itália, o Palmeiras foi Campeão Paulista 21 vezes (8 como Palestra Itália e 13 como Palmeiras). O SPFC foi Campeão Paulista 20 vezes, se sua data de criação for considerada 1935, e 21 vezes, se a data for definida como 1930 (foi campeão em 1931, um ano depois de fundado; no ano de fundação foi vice-campeão). Não é justo, porém, comparar o desempenho desses três clubes de idades tão diferentes. O justo é dividir o número de campeonatos vencidos pela idade do clube. Para levar em conta as duas datas atribuídas à fundação do SPFC, destacarei o período de 1930 a 1934. Nesses cinco anos, o Corinthians foi campeão uma vez (1930), o SPFC foi campeão uma vez (1931) e o Palestra Itália foi campeão três vezes (1932, 1933, 1934). Considerando 1930 como a data de fundação do SPFC, se dividirmos os 21 campeonatos paulistas vencidos pelo clube pelos 75 anos de idade do clube temos a média de 0,28. Se for considerada a data de 1935 para a fundação (que é a data considerada oficial), a situação é melhor ainda. temos de retirar o campeonato de 1931 da conta, mas, em compensação, 20 campeonatos divididos por 70 anos dá a média 0,2857. Para sermos absolutamente rigorosos, devemos dividir 20 por 69, porque a fundação oficial do clube se deu em 16 de dezembro de 1935 – o ano de 1935, portanto, não conta. A média dá 0,2898. Se tomarmos os 25 campeonatos do Corinthians e dividirmos por 95 anos de idade, temos a média de 0,2631. Se tomarmos os 21 campeonatos do Palestra/Palmeiras e dividirmos por 91 anos de idade, temos 0,23. Quod erat demonstrandum. Mas a questão é ainda mais favorável para o Tricolor. Se considerarmos o Departamento de Futebol do Clube Atlético Paulistano como o antecessor do SPFC, que é um fato indiscutível, a data de fundação do clube passa a ser 1900 (29 de Dezembro) – mas temos de acrescentar nada menos do que onze Campeonatos Paulistas ao portfólio do SPFC! Ele terá, então, 32 campeonatos, que dividido por 105 anos dá uma média de 0,3047: quase um Campeonato Paulista a cada três anos. (Na verdade a média é 0,3077, porque o ano de 1900 não deve ser contado, visto que a fundação se deu no antepenúltimo dia do ano). Mas ainda há mais: na fundação do SPFC de 1930 (26 de janeiro), foi aproveitado não só o Departamento de Futebol do Clube Atlético Paulistano como o elenco da Associação Atlética Palmeiras. Na realidade, as cores preto, branco e vermelho do SPFC se explicam assim: o vermelho vem do Paulistano, cujo brasão era vermelho, o preto vem do Palmeiras (não confundir, por favor), cujo brasão era preto, e o branco vem do fato de que tanto o brasão do Paulistano como o do Palmeiras possuíam fundo branco. O brasão e o uniforme principal (na época único) do SPFC de 1930 (o chamado, carinhosamente, de "São Paulo da Floresta") eram idênticos ao brasão e ao uniforme principal de hoje, tendo o brasão sido desenhado pelo célebre Walter Ostrich. (O fato de o Clube Atlético Paulistano continuar a existir até hoje, como uma entidade separada, não elimina o fato de que em 1930 fechou o seu Departamento de Futebol, que foi absorvido quase in totum pelo SPFC. Até o hino do SPFC reconhece o vínculo quando afirma "Trazes glórias luminosas do Paulistano imortal". Na verdade, o hino também reconhece o vínculo com o SPFC de 1930, o chamado "São Paulo da Floresta", que tinha o mesmo brasão e o mesmo uniforme, quando afirma: "Da Floresta também trazes um brilho tradicional". Oportunamente, o SPFC fundado em 1935 absorveu também o Departamento de Futebol do Clube de Regatas Tietê. Como se vê, o SPFC incorpora a melhor tradição paulistana.) É preciso registrar, por fim, algumas opiniões independentes (os dados sendo tirados do insuperável São Paulo: Dentre os Grandes, és o Primeiro, de Conrado Giacomini (Ediouro, Rio de Janeiro, 2005): A) O SPFC é o clube que mais cedeu jogadores para a Seleção Brasileira em Copas do Mundo (38). B) O SPFC teve jogadores na Seleção Brasileira em todas as Copas do Mundo realizadas depois da Segunda Guerra. C) O SPFC é o clube brasileiro que mais cedeu jogadores à Seleção Brasileira quando ela foi Campeã do Mundo (1958, 1962, 1970, 1994, 2002). D) O SPFC é o maior carrasco dos técnicos do Corinthians: nada menos do 13 treinadores corinthianos foram mandados embora ou pediram demissão depois de uma derrota do time para o SPFC. E) O SPFC é o time brasileiro mais bem colocado no Ranking Internacional de Clubes da Folha de S. Paulo (SPFC, 560;pontos; Santos, 320; Cruzeiro, 260; Grêmio, 250; Palmeiras, 230; Flamengo, 180; Vasco, 140; Corinthians, 80; Atlético, 50; Internacional-RS, 40; São Caetano, 40). [26/2/2006: Dados atualizados até 2005, gentileza de Conrado Giacomini] F) O SPFC é o time brasileiro mais bem colocado no ranking da CONMEBOL (SPFC, 702 pontos; Cruzeiro, 565; Grêmio, 457; Santos, 434; Flamengo, 418; Palmeiras, 391; Vasco, 267; Corinthians, 242; Atlético-MG, 175; Internacional-RS, 128) [26/2/2006: Dados atualizados até 2005, gentileza de Conrado Giacomini]. G) O SPFC é o líder no Ranking dos Clubes no Campeonato Brasileiro (SPFC, 153 pontos; Corinthians, 145; Atlético-MG, 143; Palmeiras, 138; Internacional-RS, 137; Cruzeiro, 118; Grêmio, 115; Santos, 109; Vasco, 105, Flamengo, 101) [26/2/2006: Os dados de 2005 já estão incluídos, gentileza de Conrado Giacomini. O critério é: campeão, 10 pontos; vice, 9; terceiro colocado, 8; e assim por diante, até o décimo colocado, que ganha um ponto]. H) O SPFC é o time que mais marcou gols na história do Campeonato Brasileiro. Corinthians e Palmeiras não estão nem entre os cinco primeiros. I) O Real Madrid, por muitos considerado o melhor time do mundo, nunca ganhou do SPFC em sete jogos entre os dois times (cinco vitórias do Tricolor, inclusive uma acachapante por 4x0, em Madrid, e dois empates). É preciso dizer mais??? Fontes: Conrado Giacomini, São Paulo: Dentre os Grandes, és o Primeiro (Ediouro, Rio de Janeiro, 2005) Tom Cardoso e Roberto Rockmann, O Marechal da Vitória: Uma História de Rádio, TV e Futebol (A Girafa, São Paulo, 2005) Revista Lance! São Paulo, a Torcida que Mais Cresce (Série L! Grandes Clubes, São Paulo, 2005) Internet – vários sites Por fim, meus times dos sonhos (só de são-paulinos), por ordem de preferência, no esquema 4-3-3: TIME A: Rogério Ceni; Cicinho, Oscar, Dario Pereyra e Leonardo; Falcão, Kaká e Raí; Muller, Careca, e Zé Sérgio. TIME B: Poy; De Sordi, Mauro, Bauer e Noronha; Sastre, Friedenreich, e Zizinho; Maurinho, Leônidas, e Canhoteiro. TIME C: Valdir Perez; Zé Teodoro, Bellini, Ricardo Rocha, e Nelsinho; Márcio Araújo, Pedro Rocha e Dino; Palhinha, Gino, e Teixeirinha. TIME D: Zetti; Cafu, Ronaldão, Antonio Carlos e Júnior; Toninho Cerezo, Gérson, e Pita; Silas, Serginho Chulapa, e Denílson. Há algum outro time brasileiro capaz de proporcionar quatro Seleções Brasileiras desse calibre? Quem vocês tirariam do time A para colocar Ronaldo, Ronaldinho e Robinho? Em Salto, 21 de Fevereiro de 2006 POST SCRIPTUM: Além de prover as atualizações já incluídas no texto, Conrado Giacomini teve a gentileza de me enviar dados adicionais que serão incluídos na terceira edição do seu livro: O São Paulo é o líder do tradicional Ranking Histórico dos clubes brasileiros, que o jornal Folha de São Paulo atualiza ano a ano. Com os três títulos de 2005, ultrapassamos Palmeiras e Flamengo: 1. São Paulo: 804 pontos O São Paulo também é o líder do Ranking Histórico elaborado pela revista PLACAR 1. São Paulo: 327 pontos Em Salto, 26 de Fevereiro de 2006 2005/9/5 A alegria do futebolAté os oito anos e meio morei nos cafundós do Paraná onde nem tomava conhecimento de futebol profissional. Foi só quando me mudei para Santo André, em março de 1952, que comecei a me interessar por acompanhar jogos no rádio. No ano seguinte passei a torcer pelo São Paulo – que se tornou campeão paulista em 1953, derrotando o Santos na Vila Belmiro no dia 29/12 [* Vide Correções no final]. A escalação do São Paulo naquele jogo, se bem me lembro, foi: Poy, De Sordi e Mauro; Pé de Valsa, Bauer e Alfredo; Maurinho, Dino, Gino, Albella e Teixeirinha [* Vide Correções no final]. Esquema? Será que havia esquema naquela época? Se havia, deve ter sido 1-2-3-5: um goleiro, dois zagueiros (um à direita e outro à esquerda), três meios-de-campo (o centro médio, que fazia as vezes também de zagueiro central, o médio à esquerda e o médio à direita), e cinco atacantes (dois pontas, um à direita e outro à esquerda, dois meias, um à direita e outro à esquerda, e o centro avante. Os jogos de pebolim ainda preservam esse "esquema": um goleiro, dois zagueiros, três médios e cinco atacantes. [Não sei por que o zagueiro (ou beque, como se dizia então) e o médio eram “direitos” mas o ponta era “direita” (assim no feminino). Se alguém tiver uma luz sobre isso, apreciaria se me comunicasse.] Resolvi escrever sobre isso por causa da alegria que me causou ver o primeiro tempo do jogo do Brasil com o Chile ontem. Que jogo bonito! Quanta habilidade no gramado (no lado brasileiro). O “quadrado” brasileiro, composto por Cacá, Robinho, Ronaldo (o “fenômeno”) e Adriano (o “imperador”) jogou como se fosse um sonho. Eles não fizeram mais gols porque não quiseram. No finzinho do jogo, só para mostrar que, querendo, fariam um outro, o fizeram. Mas a beleza que foi o jogo criou um aparente problema para o Parreira. Ronaldinho (o “melhor do mundo” no ano passado) não jogou, porque estava suspenso. Agora, terminada a suspensão, quem sai, para ele entrar? Cacá é, de certo modo, a alma do time (sou meio “partisan” aqui, porque para mim ele ainda é sampaulino). Robinho é o grande artista, com pedaladas, chapéus e lençóis. Ronaldo, bem, é Ronaldo. Robinho o chama de "Presidente" (embora o termo hoje tenha conotação dúbia, graças ao Lulla). E Adriano não tem como deixar fora do time: é ele quem faz os gols, afinal de contas. Tostão, na Folha de hoje (5/9/2005), lastima que o “quadrado” não possa virar um “pentágono”. Li outros artigos que asseguram que um pentágono não daria certo. Não sei por quê. No meu tempo, que eu me dê conta, os times tinham, como ataque, um pentágono: cinco caras. O Brasil ganhou a copa da Suécia com um pentágono: Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo. Zagalo era ponta mas fazia também o meio de campo... No México ganhou com outro pentágono: Jairzinho, Gerson, Tostão, Pelé e Rivelino. Está aí: Rivelino na ponta “à esquerda”... Pra mim, o ataque da seleção de 2006 está definido: Cacá, Adriano, Ronaldo, Robinho e Ronaldinho Gaúcho. Cacá e Ronaldinho Gaúcho vindo de trás, Ronaldo e Adriano na frente, para arrematar, e Robinho azucrinando os adversários. O ataque está aí: sem tirar nem pôr. Só não vê quem não quer. Para completar: no meio de campo, Cicinho, Emerson (operando também como zagueiro central), e Roberto Carlos -- Cicinho e Roberto Carlos voltando para marcar atrás; zagueiros: Alex (o Lúcio de vez em quando dá medo) e Juan. No gol, pode ficar o Dida (se bem que eu prefira o Rogério Ceni). Olhem só que belo time: Dida, Alex e Juan; Cicinho, Emerson e Roberto Carlos; Cacá, Adriano, Ronaldo, Robinho e Ronaldinho Gaúcho. Alguém bate esse time??? Pode ser -- num momento de azar ou absoluta falta de inspiração do time brasileiro (como aconteceu com a Seleção Brasileira de 1982 -- que, entretanto, na minha opinião, não era tão boa quanto esta). Mas não em uma competição estendida. Brasil - zil, zil, zil, zil... Agora são 180 milhões torcendo -- o dobro de 1970. Isso deve valer alguma coisa também. [* Correções accrescentadas em 20050923: Vim a descobrir, posteriormente, que errei a data do jogo do São Paulo com o Santos e um jogador na escalação do São Paulo. A data do jogo foi 24/1/1954. Na escalação, Dino não jogou -- sendo substituído por Negri, que usou a camisa 10, ficando Albella com a camisa 8. Os gols do São Paulo foram de Maurinho, Albella e Negri. Corrigi a informação a partir do livro São Paulo: Dentre os Grandes, És o Primeiro, de Conrado Giacomini, Ediouro, Rio de Janeiro, 2005, p.106. O livro é uma verdadeira "Bíblia Sagrada" do torcedor são-paulino. Imperdível. A propósito: O verdadeiro campeão do Quarto Centenário de São Paulo foi o SPFC, que conquistou o título um dia antes do aniversário da cidade!!!] Em Campinas, 5 de setembro de 2005. |
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