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    8/11/2009

    José de Alencar

    O Vice-Presidente José Alencar parece que finalmente está chegando ao fim.

    Admiro a forma em que o homem, tranqüila e serenamente, vem brigando com a morte nos últimos anos. Sem demonstrar ressentimento, sorrindo, mas sempre olhando a morte nos olhos, como inimiga que é de todos nós que queremos viver, e nunca deixando de fazer o possível e o impossível para ganhar uns dias a mais neste nosso mundinho, que às vezes parece tão indigno de gente tão fina.

    Alencar parece ser um homem religioso, que acredita no que ele chama de vontade de Deus. Mas nem por isso a aceita passivamente. Faz alguns anos – e, creio, dezoito operações – que sua morte parece ser a vontade de Deus. Mas ele não nunca acredita que sua hora tenha chegado.

    Felizmente, ele tem dinheiro (ganho merecidamente) para empreender a luta pela vida. Outros pobres mortais já teriam, a essas alturas, sido honrados com missas de sete, trinta e 365 dias.

    Que a morte, Alencar, quando chegar, não lhe seja doída. E que você possa sucumbir a ela com o mesmo sorriso confiante que exibiu nos embates de que saiu vencedor. Sendo industrial e político, você tem lidado com a morte de forma estóica e socrática.

    Em São Paulo, 11 de Agosto de 2009 – 13:30h.

    6/9/2009

    O blog da Petrobrás – uma grande inovação

    Confesso, aqui no início, que nunca gostei  e continuo a não gostar da Petrobrás. Tenho ogeriza por empresas estatais, especialmente por monopólios estatais. E não tenho dúvida de que a Petrobrás tem sido usada politicamente pelo governo que a controla – este e os anteriores.

    Mas no aspecto que foi descrever, a Petrobrás está de parabéns.

    Está causando furor nos meios de comunicação e entre associações de jornalistas uma grande inovação da Petrobrás. Curiosamente, a inovação nada tem que ver com petróleo ou gás natural.

    A inovação é a seguinte.

    Toda vez que um jornalista contata a empresa para pedir informações ou para ouvir a sua reação a fatos, reais ou alegados, acerca da empresa, esta, antes que a matéria saia no jornal ou revista do jornalista, inevitavelmente editada e, às vezes, editorializada, publica em um blog especial o texto, verbatim, daquilo que o jornalista perguntou e a resposta da empresa. Como empresa mais do que acostumada ao trato com jornalistas, tenho certeza que a Petrobrás, quando contatada por telefone, grava a conversa.

    Os meios de comunicação e as associações de jornalistas estão indignados – acusando a Petrobrás de tentar intimidá-los  e de não observar o princípio da confidencialidade das fontes.

    Eis a nota da Associação Nacional de Jornais (ANJ), publicada na Folha de hoje (9 de junho de 2009):

    Empresa tenta intimidar jornais, diz nota da ANJ

    ‘A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta seu repúdio pela atitude antiética e esquiva com que a Petrobras vem tratando os questionamentos que lhe são dirigidos pelos jornais brasileiros, em particular por O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, que nas últimas semanas publicaram reportagens sobre evidências de irregularidades e de favorecimento político em contratos assinados pela estatal e suas controladas.

    Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes. Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um ‘tratamento adequado’. Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao democrático escrutínio de seus atos.’

    Júlio César Mesquita, vice-presidente da ANJ”

    A nota da ANJ é uma graça. Além de exibir um Português sofrível (vide “uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada”) demonstra como os meios de comunicação, em especial a imprensa,, se consideram prima donnas intocáveis.

    Os argumentos da ANJ são risíveis.

    É risível a alegação de que o procedimento da Petrobrás é uma tentativa de intimidar a imprensa – ela, sim, não raro adepta do uso de táticas intimidatórias. A Petrobrás está apenas se protegendo contra o mau uso das informações que presta. O poder da mídia hoje em dia é tal que ela pode construir e destruir reputações em um dia. É preciso que encontremos formas de nos proteger desse (assim chamado quarto) poder.

    Mas é especialmente risível a alegação de que a Petrobrás está promovendo uma “inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes”. Ora, o princípio da confidencialidade das fontes visa a proteger as fontes, não o jornalista que faz uso delas. É o jornalista que tem o dever de proteger a identidade de suas fontes. Estas, na ausência de contra-indicações, podem e devem ser reveladas.

    Todos os que já lidaram com os meios de comunicação, e já viram suas cartas à redação serem simplesmente ignoradas, ou suas entrevistas e declarações serem recortadas de modo a se tornaram irreconhecíveis, ou, pior ainda, suas entrevistas e declarações serem interpretadas fora de contexto de modo a dizer quase o oposto do que se quis dizer, isso feito por incompetência ou má fé, todos esses, repito, se sentem vindicados pela decisão da Petrobrás de dizer ao público, através de seu blog na Internet: “Fomos contatados por fulano de tal, do jornal tal, que nos perguntou isso – a que respondemos dizendo isso e apresentando os seguintes fatos e evidências que corroboram nossa resposta”. Ponto final.

    Registre-se, do lado positivo, que o presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azedo, defendeu o blog da Petrobras.

    A Petrobrás emitiu uma nota, em resposta às críticas da ANJ, em que diz (segundo a Folha de hoje):

    “A propósito da nota da Associação Nacional dos Jornais sobre o blog Fatos e Dados, emitida pela entidade em 8/ 6/2009, a Petrobras declara:

    O blog foi lançado com o objetivo de apresentar fatos e dados recentes da Petrobras, o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e garantir a total divulgação dos esclarecimentos solicitados pela imprensa e as respectivas respostas enviadas aos jornalistas. A Petrobras respeita os princípios universais de liberdade de imprensa, tanto que, em nenhum momento, se esquivou de responder às perguntas enviadas, de forma direta e clara. Tampouco, usou de qualquer meio para evitar a publicação de reportagens e notas, mesmo quando a empresa está sendo atacada.

    A noção de confidencialidade e sigilo, como a própria nota da ANJ registra, é um princípio que norteia a relação dos jornalistas com suas fontes (pessoas ou empresas, consultorias). O objetivo principal é preservar aqueles que passam informações aos jornalistas e que, por qualquer motivo, precisam ou querem se manter no anonimato. Mas não há compromisso semelhante de confidencialidade e sigilo da fonte para o jornalista, pois isso limitaria o próprio caráter público e aberto da informação.

    Quanto à suposta ameaça citada na nota da ANJ, em seus parágrafos três e quatro, esclarecemos que a Petrobras respeita a imprensa e jamais faria ou fez qualquer ameaça a jornalistas ou jornais. A nota se refere, na verdade, a uma mensagem de segurança padrão e automática, sem qualquer vínculo com o relacionamento com a imprensa e veiculada há anos na correspondência eletrônica emitida a partir do correio eletrônico da Petrobras, por todos os funcionários da empresa. Essa é uma proteção amplamente adotada por provedores confiáveis, e mensagens semelhantes acompanham e-mails enviados por jornalistas de diferentes veículos. No caso da Petrobras, a mensagem é destinada, principalmente, aos empregados da empresa. Isso pode ser facilmente constatado pela própria leitura da íntegra da mensagem (O emitente desta mensagem é responsável por seu conteúdo e endereçamento. Cabe ao destinatário cuidar quanto o tratamento adequado. Sem a devida autorização, a divulgação, a reprodução, a distribuição ou qualquer outra ação em desconformidade com as normas internas do Sistema Petrobras são proibidas e passíveis de sanção disciplinar, cível e criminal). O foco interno fica bem claro na citação às normas internas do Sistema Petrobras e na menção a sanções disciplinares, o que só é possível adotar em relação a funcionários.

    A Petrobras reafirma que, assim como os veículos de comunicação, defende a livre e ampla circulação de ideias, informações e conhecimento. Como companhia de capital aberto e maior empresa do Brasil, com negócios em diversos países, consideramos que é nosso dever garantir que clientes, acionistas, parceiros e toda a sociedade tenham pleno acesso aos esclarecimentos prestados por nós. Este é o nosso único objetivo."

    Difícil fazer qualquer reparo que seja a essa resposta.

    O único aspecto em que os meios de comunicação e as associações de jornalistas têm certa razão é que o blog da Petrobrás pode “furar” eventuais furos de reportagem, chamando a atenção de outros meios para o que um deles está investigando. Mas não creio que exista um direito ao ineditismo.

    [Acrescentado quase um mês depois, em 7 de Julho de 2009:

    No dia 9/6 meu amigo Wilson Azevedo comentou essa matéria em minha lista de discussão LivreMente. O comentário dele é pertinente e acrescenta elementos à discussão. Ei-lo:

    “Eu ia comentar este caso. E encontrei um excelente artigo seu a respeito. Parabens!

    Pois e': a Internet esta' acabando com os atravessadores...

    Nos anos 80 culpavam os atravessadores pela inflacao, lembra? Eram a parte da cadeia de distribuicao que ficava entre o produtor e o grande varejo ou o ponto de atacado mais proximo do varejo. Culpavam estes por se aproveitarem e praticarem margens exageradas de lucro.

    Pois a Internet, no campo da cultura, da educacao e da informacao, esta' detonando os atravessadores.

    Na industria fonografica e do entretenimento isto esta' ficando cada vez mais claro. Nunca na historia deste planeta vimos tantos medalhoes da musica saindo em turnes mundiais ou nacionais como agora. E' que a fonte foi secando e agora dinheiro mesmo so' levantando as nadegas da poltrona e trabalhando. A venda de CDs nao para de despencar, enquanto o download, legal ou nao, de musica nao para de aumentar. A ridicula reacao da industria a principio foi de correr atras de adolescentes e mamaes. Mas sao milhoes e milhoes baixando musica de graca sem dar mais nem um centavo para a industria fonografica. Acabou o atravessador. Agora e' o artista e seu publico. No meio, a Internet, nao mais a gravadora...

    Na educacao cresce o fenomeno dos professores independentes. Eu sou um deles. Faz uns 10 anos que nao dependo de instituicao de ensino para dar meus cursos. Quando me convem e me interessa, quando vejo possibilidades de obter maior divulgacao ou maior apoio em termos de certificacao, me associo a uma instituicao de ensino. Mas nao dependo de uma para lecionar. Tudo o que uma instituicao de ensino oferece num curso online eu como professor posso oferecer. Estamos na Internet nivelados, em pe' de igualdade. Acabou o atravessador na educacao: agora e' o professor e seus alunos, no meio a Internet, nao mais a instituicao de ensino.

    Agora no campo do oligopolio da informacao a coisa esta' ficando cada vez mais aberta. O atravessador da informacao era o jornal, o telejornal, a revista. Ficava no meio, entre o leitor/espectador e a informacao, claramente filtrando e publicando apenas o que lhe interessava. Pois agora acabou o atravessador: entre a fonte e o leitor tem agora a Internet, nao mais a imprensa. Mais ainda: entre o jornalista e o leitor cada vez mais agora tem a Internet e cada vez menos tem jornal. E' outro fenomeno destes tempos recentes: blogs de jornalistas independentes, que nao mais escrevem em jornais ou revistas, e que sao tao ou mesmo mais lidos que os proprios veiculos na Internet.

    Atravessadores, tremei: e' chegada a sua hora... :-)

    Wilson

    Em São Paulo, 9 de Junho de 2009

    4/5/2008

    A face ainda feia do Comunismo

    A despeito de todas as tentativas de mostrar uma face humana e competente para o mundo, o novo Comunismo chinês, que deu uma guinada capitalista na economia, continua com sua face feia no plano político. A questão do Tibet é a maior prova disso -- mas está longe de ser a única. Um dissidente acaba de ser punido com pena de três anos e meio na prisão porque escreveu ensaios que foram considerados subversivos.

    Liberdade econômica não consegue sobreviver por muito tempo sem liberdade política. Em algum momento, ou aparece a liberdade política, ou a liberdade econômica acaba desaparecendo.

    Vamos ver o que acontece com a China.

    A despeito disso, Raúl Castro parece acreditar que o caminho para o Comunismo cubano é imitar a China. Está permitindo que os cubanos usem o que resta ao final do mês de seu pobre salário (menos de 20 dólares por mês -- isto é, cerca de 60 centavos de dólar por dia -- por quanto é que se alardeia que os miseráveis da África vivem? Um dólar por dia!!!) por panelas elétricas, telefones celulares, etc...

    Os três artigos abaixo, todos eles retirados do site do International Herald Tribune, todos eles comentam esses tópicos. Recomendo a leitura. E recomendo o site.

    Em Hanoi, 5 de Abril de 2008

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    International Herald Tribune, 3 April 2008
    http://www.iht.com/articles/2008/04/03/asia/letter.php

    LETTER FROM CHINA

    China again cues up its propaganda machine

    Letter from China

    By Howard W. French

    Published: April 3, 2008

    SHANGHAI: Mao Zedong announced the tune himself, in 1927, when he wrote: "A revolution is not a dinner party, or writing an essay or painting a picture or doing embroidery; it cannot be so refined, so leisurely and gentle, so temperate, kind, courteous, restrained and magnanimous. A revolution is an insurrection, an act of violence by which one class overthrows another."

    For the next half-century, China was one of the most violent places on earth, and not just because of the vicious foreign invasion and civil war that swept the country, or the ceaseless purges of supposed traitors and class enemies. There was also the matter of language, which in China has been both an underrated means of violence and a vehicle for it.

    Mao's state created a propaganda system built on a crude triage: a world of heroes who were unalterably and impossibly good, and an even larger one of villains who were irredeemably, cartoonishly bad. Over-the-top became the routine in official rhetoric. Enemies were called "monsters" and "cow ghosts," "snake spirits" and "running dogs." And in one campaign after another the public was called upon to "resolutely crush" or "relentlessly denounce" them.

    This was a universe of variable geometry, where people were not to reason things out on their own, but to fall in line. Today's hero could be tomorrow's villain, with no clear evidence or explanation. The sole moral compass point was the immoral leader himself, Mao, who to this day remains a sacred cow whose likeness peers out from every bank note.

    In recent years, it had seemed as if this movie had been retired, but last month the production was cued up once again. The bad guy this time has been the Dalai Lama, the exiled Tibetan spiritual leader, and the fact that outside China this villain is one of the world's most admired people has only caused the propagandists to ramp up the volume.

    For the purpose of the cause he has been turned into a canine and called a "wolf in monk's robes," "a wolf with a human face and heart of a beast" and the "scum of Buddhism." In case anyone missed the message, the government has also called the struggle against the Dalai Lama "a life-and-death battle."

    The Chinese public should by now recognize all the signs of an old-fashioned political campaign and, given the state's history of manipulation, immediately mark a long, skeptical pause.

    It's not clear, though, if that's how it worked this time. The propaganda means of the Chinese state remain overwhelming, as is its inclination not just to shape opinion, but to corral it, playing on what the documentary filmmaker Tang Danhong called the "great Han chauvinism," referring to the dominant ethnic group, a chauvinism that has been evident throughout the Tibetan crisis.

    After watching the first week of heavily propagandized television coverage here over dinner recently - reporting that focused almost exclusively on images of lawless Tibetan rioters smashing shops in Lhasa, along with the images of ethnic Han victims of the violence, typically recovering in the hospital - a senior Chinese newspaper editor eagerly questioned me about what was "really happening in Tibet."

    The question was scarcely out of his mouth when he added: "When people see the kind of one-sided propaganda that's been in the media here, nobody trusts it anymore."

    This might be reassuring, were it true, but the next few days provided many causes for doubt. A young Chinese acquaintance who is a journalist sounded a troubled note in an e-mail message to me: "I read some news reports recently and am confused why the Western media reports on Tibet are inconsistent with the facts? Like they only report on the Chinese police but not the thugs attack the innocent people and the police? And even worse, why are they reporting lot of false and prejudiced news?"

    The irony here, of course, is that Western coverage, whatever its faults, generally detailed the street violence in Lhasa, despite being barred access to Tibet by a country that made a big to-do last year over having supposedly lifted restrictions on the movements of international journalists in China.

    Unlike the heavily controlled domestic press, the Western media also reported on the largely peaceful sympathy protests that unfolded over a broad stretch of the Tibetan plateau. They generally sought to give at least two sides to the story and questioned Beijing's assertions about Tibetan protesters and about their spiritual leader, the Dalai Lama, in the textbook way an independent press should.

    Beyond the headlines, though, this crisis tells us a lot about China, and although the government may still have the means to control opinion, the more strenuously it has pressed its case, the less the picture of the country concurs with the image that China so eagerly wishes to promote of itself to the world.

    China has invested hugely in its hosting of the Olympic Games in August with the idea of introducing itself as an overwhelming success story: increasingly prosperous, harmonious and forward-looking. The first statement is certainly true, but one needn't be an enemy of China, as the propagandists would have it, to question the other two.

    This may yet turn out to be China's century, but it seems clearer than ever there's a lot of work to do, reforming an awfully rickety system, rethinking policies built on bald fictions, such as the "autonomous regions" in China's west, and learning to deal with criticism without turning it into a matter of ethnic pride or betrayal.

    The official slogan of the Games may be "one world, one dream," but that's not the feeling one gets listening to the state's organs. It is an ugly, wound-nursing nationalism one hears. "So strong," said the filmmaker Tang, "that there's almost no introspection, not even among Han intellectuals."

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    International Herald Tribune
    http://www.iht.com/articles/2008/04/03/asia/china.php

    Chinese dissident gets 3½ years for essays

    By Jim Yardley

    Published: April 3, 2008

    BEIJING: A Chinese court Thursday sentenced an outspoken human rights advocate to three and a half years in prison after ruling that his critical essays and comments about Communist Party rule amounted to inciting subversion, his lawyer said.

    The conviction of Hu Jia, 34, quickly brought outside criticism of China at a time when the government is already facing international concern over its handling of the Tibetan crisis. Hu's case has been followed closely, especially in Europe, and critics say his conviction is part of a government crackdown to silence dissidents before Beijing plays host to the Olympics in August.

    Diane Sovereign, a spokeswoman for the U.S. Embassy in Beijing, described the U.S. government's reaction to the verdict as "dismayed."

    "Mr. Hu has consistently worked within China's legal system to protect the rights of his fellow citizens," Sovereign said. "These types of activities support China's efforts to institute the rule of law and should be applauded, not suppressed or punished."

    Hu's wife, Zeng Jinyan, herself a well-known blogger and rights advocate, was distraught in a telephone interview Thursday.

    "I feel hopeless and helpless," said Zeng, who is under house arrest with the couple's infant daughter in their suburban Beijing apartment, though she was allowed to visit her husband Thursday.

    Asked why Hu was arrested and convicted, Zeng said: "The fundamental reason is to silence him. He had been speaking up and all he said was plain truth. It makes them unhappy. But they can do this to him because they're unhappy?"

    Li Fangping, the defense lawyer, said the court had showed leniency by sentencing him to less than the maximum five-year term. Li said the sentence also forbade Hu from making any public political statements for one year following his release from prison.

    "Three and a half years is still unacceptable to us," Li said outside the courthouse. "There is a major disagreement between prosecutors and the defense over punishing someone for making peaceful speech. We still believe the charge does not stand."

    Prosecutors in China rarely discuss cases after a verdict. But Xinhua, the government press agency, reported that Hu had confessed to the charges.

    "Hu spread malicious rumors and committed libel in an attempt to subvert the state's political power and socialist system," the court verdict stated, according to Xinhua.

    Hu is one of the most prominent human rights advocates in China and has volunteered to help AIDS patients and plant trees to fight desertification. In recent years, he has maintained regular contacts with dissidents and other advocates on issues including environmental protection and legal reform.

    He was detained Dec. 27 and later charged with "incitement to subvert state power," a charge based on six essays and interviews in which he criticized the Communist Party. Hu wrote a long, blistering essay detailing how the police had tortured two people who had protested about having their homes illegally seized in Beijing.

    Last year, Hu also co-wrote an article that criticized the Communist Party for failing to fulfill its promises to improve human rights before the Beijing Games, though that article apparently was not included as evidence.

    Li said that Hu continued to maintain his innocence, though he has acknowledged outside the courtroom that some of his comments were "excessive" in the context of existing law. All of the articles used as evidence have been censored on China's Internet.

    Hu has 10 days to decide whether to appeal the verdict. His health is also an issue; he has Hepatitis B and also takes medication for a deteriorating liver condition. Li said Hu has the option of applying for medical parole if he chooses not to appeal.

    Howard W. French contributed reporting from Shanghai. Zhang Jing contributed research from Beijing.

    Torch relay disrupted

    The police detained at least six Uighur Muslims on Thursday at an anti-China protest during the Olympic torch relay near one of Turkey's most famous tourist sites, The Associated Press reported from Istanbul.

    The demonstrators were detained after they broke away from a larger group of protesters and shouted slogans just feet away from Tugba Karademir, a Turkish figure skater who had just started to run with the torch.

    About 200 Uighur Muslims had converged ahead of the ceremony near the Blue Mosque and the Hagia Sofia church. Some members of the Uighur expatriate community in Turkey have called for independence for Xinjiang in China, or what they refer to as East Turkestan.

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    International Herald Tribune, 3 April 2008
    http://www.iht.com/articles/2008/04/03/america/cuba.php

    Raúl Castro employing a bit of capitalism to freshen up Cuban Communism

    The Associated Press

    Published: April 3, 2008

    HAVANA: It's not the stuff of Marx or Lenin, or even of Fidel Castro, but it's hardly free-market capitalism, either. In fact, a series of new steps to encourage a Cuban spending spree may help the Communist system and its new president survive.

    In rapid-fire decrees over the past week, President Raúl Castro's government has done away with some long-despised restrictions, lifting bans on electric appliances, microwaves and computers, inviting average citizens to enter long-forbidden resorts and declaring they can even legally have their own cellphones.

    More changes could be on the way. Rumors are widespread that the government could ease travel restrictions and tolerate free enterprise, letting more people start their own small businesses. And hopes that it also might tweak the dual-currency system - which puts foreign products out of reach for most Cubans - have sparked a run on the peso.

    "We're going to get out and buy more and more," said Roberto Avila, a retiree. "That's the future in Cuba, and it is a strong future."

    Cuba is still far from a shopper's paradise. Nearly everyone holds government jobs, earning an average of $19.50 a month, although many get U.S. dollars from tourism jobs or relatives abroad. It would take the average Cuban five months to earn enough to buy a low-end DVD player that an American could buy with about two days' work at the federal minimum wage.

    By doing away with rules that ordinary Cubans hate, Raúl Castro may defuse a clamor for deeper economic and political change in the single-party Communist system.

    On the other hand, even these small changes could just whet Cubans' appetites for more.

    "These measures to allow Cubans to buy DVDs and everything else are just to entertain the people," said Maite Moll, a 45-year-old state engineer. "It's not really important because it resolves nothing."

    Some Cubans worry that even the small measures already taken will create class tensions and increase resentment between those earning state salaries and those with access to dollars, given the new opportunities for conspicuous consumption. Raúl Castro is clearly hoping that greater buying power will distract from any friction.

    Certainly, the 76-year-old president has bolstered his popularity, addressing for now the doubts that Cuba's government can survive without his charismatic brother, Fidel, who stepped aside and appointed Raúl in February.

    "If low-income groups have access to essential goods like food, clothing and construction materials, and can sell and buy homes and use them as collateral, it doesn't matter if you have a significant income gap. People are better," said Carmelo Mesa-Lago, a Cuba economics expert at the University of Pittsburgh. "That's what happened in China and Vietnam."

    Raúl Castro is said to be an admirer of free-market reforms that allowed those countries to revolutionize their economies while maintaining Communist Party control, although top officials have said Cuba is not about to follow a Chinese or Vietnamese path.

    The food part of the equation could be profoundly affected by another initiative promoted this week. The government is lending uncultivated, state-controlled land to private farmers and cooperatives to plant cash crops like coffee and tobacco. It also will pay producers more for basics including milk, meat and potatoes.

    Over time, this could reduce chronic food shortages and change the face of Cuban farming.

    It is not new for the government to let private farmers take a crack at putting state land to good use. But this time the government is letting farmers more easily buy equipment and supplies at government stores, removing a key impediment to their success.

    The changes, implemented barely a month into Raúl Castro's presidency, are measures that Fidel had opposed for decades, declaring that even small initiatives to increase economic and social freedoms could create a "new rich" and destroy the island's hard-fought social and economic equality.

    And while people are excited to walk around stores and hotel lobbies, they will soon become frustrated that they cannot afford to do more than look, said Juan Antonio Blanco, a Cuban scholar based in Canada.

    "This government is totally myopic and shortsighted if it doesn't understand that it's sitting on dynamite," he said. "They have to do more than the things that will play in the international media."

    11/10/2007

    Finlândia: A tragédia e o controle de armas

    A Finlândia sucumbe à solução fácil para as causas da tragédia da escola: controlar a venda de armas de fogo. Como se isso resolvesse o problema.

    Vemos pela matéria abaixo, da Folha de hoje (10/11/2007), que a venda de armas era liberada para maiores de 15 anos na Finlândia. A moral a se tirar dessa história é esta: durante toda a sua história livre, jovens finlandeses de 15 anos podiam legalmente comprar armas de fogo, fato que fez da Finlândia o terceiro país do mundo em número de armas de fogo por habitante (atrás dos Estados Unidos e do Iêmen), e, no entanto, NUNCA ANTES NAQUELE PAÍS ocorreu uma tragédia como a que acontece agora. Ou seja, o fato de a venda de armas de fogo ser livre para maiores de 15 anos não aumentou os assassinatos nas escolas da Finlândia nem um ponto percentual, porque nunca havia acontecido um antes.

    Propõe-se agora que 18 anos seja a idade mínima para a compra de armas de fogo. Mas o rapaz que assassinou seus colegas e a diretora da escola tinha mais de 18 anos!

    Até que ponto vai a insensatez dos políticos? Procuram a chave debaixo do poste, não porque a tenham perdido ali, mas porque ali há mais luz...

    Em Salto, 10 de Novembro de 2007

    Folha de S. Paulo
    10 de Novembro de 2007

    TRAGÉDIA
    Finlândia veta a venda de armas para menores

    DA REDAÇÃO

    A Finlândia anunciou ontem que aumentará de 15 para 18 anos a idade mínima para que alguém possa comprar arma de fogo. A decisão foi provocada pela tragédia da última quarta-feira, quando Pekka-Eric Auvinen matou seis colegas e dois funcionários de sua escola, antes de se suicidar.

    Embora ele já estivesse com 18 anos, o episódio gerou uma discussão sobre limitações. Segundo entidade suíça, só os Estados Unidos e o Iêmen têm mais armas por habitante que os finlandeses.

    Em Kirkkonummi, sul do país, uma escola entrou em pânico depois de ameaças por e-mail de que nova matança de estudantes estava para ocorrer.


    Com agências internacionais

    11/8/2007

    Finlândia: A tragédia na escola

    [Transcrevo do meu space sobre a viagem à Finlândia por ser assunto de interesse que transcende a Finlândia]

    Eu havia dado por encerrado este space sobre a minha viagem à Finlândia. Mas a tragédia na escola de Jokela (em Tuusula, no sul da Finlândia) em que um jovem de 18 anos matou sete colegas, a diretora da escola, e, depois, a si próprio, tudo isso no dia seguinte ao do meu retorno da Finlândia, me fez decidir acrescentar mais um triste capítulo a este blog.

    Transcrevo abaixo a notícia dada pela Folha de S. Paulo de hoje. Parece, de início, inexplicável -- embora, como em casos semelhantes, especialmente nos Estados Unidos, os detalhes que inevitavelmente irão aos poucos surgindo nos próximos dias certamente removerão, em parte, a inexplicabilidade do caso. Em parte, digo eu, porque dificilmente conseguiremos considerar plenamente explicado um acontecimento como este em que fica evidente que a vida de uma pessoa jovem, num país rico, cuja educação é considerada a melhor do mundo, pode, ainda assim, dar terrível e tragicamente mente errado.

    Não tenho dificuldade em entender o fato de que alguém queira colocar fim à própria vida. Ainda que como exercício acadêmico, já refleti, várias vezes, sobre que acontecimentos e condições poderiam me levar, um dia, a tomar uma decisão dessas. Não sei se, se concluir um dia que o contexto justifica uma decisão desse tipo, terei coragem de implementá-la. Mas consigo entender, in abstracto, que alguém possa decidir matar-se e implementar essa decisão.

    A escolha da forma que o suicídio vai tomar revela um pouco da mente do suicida.

    Há gente que se mata quietinho, tomando uma dose excessiva de remédios, ou ingerindo veneno. Quem os descobre mortos certamente deve levar um choque, mas, de início, o choque não será diferente do que se tem ao se descobrir morta uma pessoa que foi dormir bem -- e que morreu de causas naturais durante o sono.

    Há gente que escolhe uma forma de suicídio mais teatral. Afogar-se num rio ou no mar andando para dentro da água. Ou jogar-se de uma ponte -- a Golden Gate Bridge de San Francisco parece ser quase irresistível para suicidas assim mais teátricos, a ponto de terem colocado grades na beirada da ponte para impedir que as pessoas saltem para a morte.

    Há ainda gente que dá tiro na cabeça, salta de prédios, etc., deixando à vista dos infelizes que acorrem ao local primeiro um cenário deprimente, com sangue por todo lugar -- e, por vezes, mais que isso.

    Há gente que se suicida em público, procurando levar consigo o máximo de pessoas, como os homens/mulheres-bomba, mas que fazem isso por uma causa política. A publicidade e a teatralidade do ato é, neste caso, parte da motivação. Na verdade, a pessoa, na realidade, nem quer se matar por algum problema pessoal que esteja enfrentando: quer causar impacto, quer fazer uma declaração política -- matar os outros e a si próprio no processo é parte dessa declaração política,

    O que acho difícil de entender são os que, como o rapaz desta história, resolvem se matar em meio a uma grande matança de gente que, aparentemente, nada tem que ver com os suicidas, mas que, a primeira vista, não estão fazendo uma declaração política, ou, se o estão, essa declaração é tão sussurada que poucos conseguem entendê-la.

    Por que esse gesto de morrer matando, por que não morrer quieto e sozinho num canto, por que morrer fazendo um espalhafato e esparramando sangue?

    Parece que há, no caso, uma tentativa de fazer algum tipo de declaração. Como no caso recente nos Estados Unidos, que acaba de completar um ano, há vídeos no YouTube, há mensagens na Internet. Mas os vídeos parecem ser meio crípticos. O fundo musical já foi usado em outra tragédia semelhante, em Columbine... Será que os eventos ocorridos em escolas americanas inspiraram -- se é que esse termo é apropriado -- o suicida?

    O suposto autor dos vídeos declara: "Estou preparado para lutar e morrer por minha causa". OK. Há muita gente disposta a fazer isso. Mas qual é a causa??? "Como um selecionador natural, eliminarei todos aqueles que vejo como desgraças inaptas para a raça humana e como falhas da seleção natural", segue o texto (segundo a versão da Folha). Mas será que a melhor forma de eliminar "desgraças inaptas" que surgiram como "falhas da seleção natural" é matando gente aleatoriamente, sem vê-las, por detrás de portas fechadas? 

    Morrer fazendo uma declaração e levando outros consigos é até inteligível -- desde que a linguagem da declaração seja inteligível. O árabe que se explode em um shopping center israelense, ou o muçulmano que explode o avião em que se encontra nas Torres Gêmeas fazem declarações políticas que é possível entender, mesmo que seu objeto seja indefensável moral e politicamente.

    Mas morrer fazendo uma declaração ininteligível é algo difícil de entender. Especialmente quando se trata de uma pessoa jovem que, por mais errado que tenha saído sua vida até aqui, tem, na realidade, pelo menos mais quatro ou cinco dessas vidas pela frente para acertar o que está errado -- até porque vive num país rico economicamente e culturalmente, freqüenta uma escola que é tida entre as melhores do mundo, e tem à sua disposição, na escola, um sistema elaborado de "student welfare" que poucos países possuem -- eu nunca havia ouvido falar de uma instituição desse tipo dentro do sistema escolar: um setor do Ministério da Educação preocupado exclusivamente com o bem-estar do estudante. 

    Vamos ver se, nos dias que seguem, as investigações descobrem evidências que ajudem dar alguma aparência de sentido ao que, no fundo, ficará para sempre sem sentido.

    Eu, por meu lado, fico com uma pulguinha atrás da orelha. Nos últimos três dias a única música que tenho ouvido é de Jean Sibelius, o maior compositor finlandês da história. As músicas são maravilhosas: as sinfonias, os concertos para violino... Lindas, lindas, lindas -- quase digo "lindas de morrer"... E tristes, tristes, tristes. Até a valsa mais famosa -- e mais linda -- que ele compôs é chamada de Valsa Triste: tristemente linda. Até eu, em regra alegre, fico triste e macambúzio ao ouvi-la. Talvez ficasse até deprimido, se não pudesse olhar para fora e ver o sol brilhando, o céu azul, os flamboyants em flor, os pássaros cantando... -- e se não pudesse, de vez em quando, ouvir um sambinha alegre e malandro.

    Por fim... fico imaginando se as manifestações das autoridades educacionais finlandesas nos eventos de que participei nos últimos quinze dias seriam, à vista da tragédia, mais reflexivas e menos auto-louvativas do que foram. Ou se elas iriam se auto-elogiar por terem tratado rápida e eficientemente o problema...

    Em Salto, 8 de Novembro de 2007


    Folha de S. Paulo
    8 de novembro de 2007

    Estudante na Finlândia mata sete colegas e diretora

    Agressor se suicida; vídeo no YouTube prenunciou massacre na escola Jokela

    Pistola foi registrada pelo adolescente de 18 anos; 3º país em porte de armas per capita, Finlândia nunca tivera incidentes do tipo

    DA REDAÇÃO

    Um adolescente armado que aparentemente postou clipes com ameaças no site YouTube matou ontem sete colegas e a diretora de sua escola em Tuusula, no sul da Finlândia. Dez outras pessoas foram feridas ao tentarem fugir do local.

    Portando uma pistola .22, o rapaz de 18 anos cuja identidade não foi revelada entrou na Escola Jokela, pouco antes do meio-dia (8h em Brasília), e percorreu classe por classe, atirando, antes de se matar. Com uma bala na cabeça, chegou a ser internado em um hospital local, mas não resistiu.

    "Ele avançou sistematicamente pelos corredores da escola, batendo nas portas e atirando através delas", disse a professora Kim Kiuru. "Meus alunos gritavam, perguntando o que fazer, e eu lhes disse que saltassem pela janela. Todos se salvaram", contou.
    Tuomas Hulkkonen, um aluno que disse conhecer o agressor, afirmou a uma rede de TV que o rapaz vinha agindo "de modo estranho" ultimamente. "Ele se recolheu em sua concha. Só notei essa mudança recentemente e achei que ele talvez estivesse meio deprimido. Mas nunca achei que ia acabar assim", disse o rapaz à MTV3.

    Cinco garotos, duas meninas e uma mulher foram mortos, informou Matti Tohkanen, chefe de polícia de Tuusula, cidade de 35 mil habitantes a cerca de 50 km de Helsinque. O agressor, disse, vinha de "uma família comum" e não tinha antecedentes criminais. A arma usada no ataque era legal e fora registrada pelo próprio adolescente no último dia 19.

    "Quando a polícia chegou, era o caos completo, havia alunos pulando das janelas", disse o inspetor Timo Leppala. A Jokela tem cerca de 500 alunos do ensino médio e fundamental, com idades de 12 a 18 anos.

    O premiê Matti Vanhanen disse que se trata de "um evento extremamente triste".

    Vídeo

    O vídeo no YouTube - tirado do ar - mostrava a foto de um prédio que parecia a Jokela com o rock "Stray Bullet" (Bala Perdida) ao fundo. Em um recurso de edição, a foto se partia e dava lugar à imagem, em vermelho, de um homem apontando uma arma para a câmera.

    O clipe, intitulado "Jokela High School Massacre - 7/11/ 2007", foi postado por Sturmgeist89. Mensagem do mesmo autor diz: "Estou preparado para lutar e morrer por minha causa". "Como um selecionador natural, eliminarei todos aqueles que vejo como desgraças inaptas para a raça humana e como falhas da seleção natural", segue o texto.

    A letra de "Stray Bullet", do KMFDM, já figurou em um site mantido por Eric Harris, co-autor do massacre da escola Columbine, nos EUA, em 1999.

    Outro clipe postado pelo mesmo Sturmgeist89 mostra um rapaz de jaqueta escura carregando uma pistola e disparando em um bosque. No fim, ele sorri e acena para a câmera. Num terceiro vídeo, há fotos do mesmo garoto com uma pistola e uma camiseta na qual se lê: "A humanidade é superestimada".

    Até o fechamento desta edição não se sabia, no entanto, se o menino nos vídeos era o mesmo que executou o ataque.
    Apesar de ter o terceiro índice mundial per capita de porte de armas - 56 para cada cem pessoas, atrás de EUA e Iêmen -, incidentes como o de ontem são raros na Finlândia.

    Segundo a mídia local, houve quatro esfaqueamentos em escolas do país desde 1999, nenhum deles fatal. Este é o primeiro caso de tiroteio.

    [Com agências internacionais]

    9/23/2007

    O melancólico resultado do Comunismo em Cuba

    Vejam abaixo duas matérias da Folha de ontem (22 de setembro de 2007).

    Daqui uns 15-16 meses fará cinqüenta anos que Fidel Castro assumiu o controle político (e também econômico, cultural, militar, etc.) de Cuba, começando a inserção do país no universo comunista. Cinqüenta anos. Ele sobreviveu a todos os ditadores comunistas. Deve ser o ditador que mais tempo ficou no poder -- ever, überhaupt. Se não fosse desumano, os EUA e outros países capitalistas deveriam, agora, impedir Cuba de tentar sair do comunismo: ainda comunista, Cuba seria um importante museu onde se mostrasse às novas gerações no que dá o Comunismo.

    Ou vejamos (dados tirados das matérias abaixo).

    1) O salário médio dos cubanos é de 15 dólares. Isso dá 50 centavos de dólares por dia. Tenho ouvido e lido muita gente boa, entre elas esquerdistas e simpatizantes de Cuba, descerem o sarrafo no mundo desenvolvido por permitir que em vários países africanos se sobreviva com dois dólares por dia -- o que dá 60 dólares por mês, quatro vezes mais do que a renda média dos cubanos. A renda média dos cubanos é, segundo esses cálculos, renda de miséria total. E os esquerdistas brasileiros não investem contra isso. Preferem falar da pobreza dos africanos, que eles pretendem debitar à conta do mundo desenvolvido capitalista.

    2) Os defensores da igualdade deveriam estar jubilantes: tirando El Comandante e seus cupinchas (afinal de contas, nem todo mundo é de ferro), em Cuba se alcançou a igualdade: a igualdade da miséria absoluta. Como disse um dia Mme. de Stael, os socialistas preferem a igualdade do inferno às desigualdades do céu (onde consta que alguns terão "galardões" maiores do que outros). Os cubanos conseguiram fazer de Cuba um inferno igualitário e miserável.

    3) As geladeiras cubanas (importadas dos EUA e da União Soviética) estão sendo trocadas... Algumas são da época de Fulgêncio Batista, ou seja, têm mais de cinqüenta anos. Verdadeiras relíquias tecnológicas. Algum americano rico deveria comprá-las todas e colocá-las num museu em Miami para perpetuar no mundo a lembrança de qual é o resultado do Comunismo... As geladeiras que estão substituindo as relíquias vêm da China. Custam 270 dólares. Poupando toda a sua renda mensal, um cubano médio precisaria trabalhar um ano e meio (dezoito meses) para comprar uma delas.

    4) A China so chegou ao ponto de estar vendendo geladeiras a Cuba (e tudo o mais ao resto do mundo) porque, na prática, abandonou o Comunismo, pelo menos em sua economia.

    É isso...

    Em Salto, 23 de Setembro de 2007

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    Folha de S. Paulo

    22 de setembro de 2007

    Discurso de Raúl Castro lança debate sobre o futuro de Cuba Discussões são de franqueza incomum na ilha, mas Fidel ainda faz sombra

    MARC FRANK

    DA REUTERS, EM HAVANA

    Nos locais de trabalho e nos bairros de todas as cidades de Cuba, as pessoas se queixam da situação de seu país, em um debate nacional sobre reforma econômica iniciado pelo presidente interino Raúl Castro. Depois de anos de crise econômica, os cubanos estão sendo convidados a propor soluções, por meio de discussões coletivas, depois que Raúl reconheceu, em discurso de 26 de julho, que os salários são baixos demais e a agricultura precisa de reformas estruturais a fim de alimentar o país.

    "As pessoas estão se expressando como nunca, sobre todos os problemas que existem em suas vidas", disse um membro do Partido Comunista que compareceu a um dos debates. "Raúl elevou as expectativas de todos, de modo que é melhor que ele tenha algumas soluções a oferecer."

    As queixas mais comuns variam dos baixos salários (em média de US$ 15) e serviços ineficientes às restrições ao abate de animais de rebanho, compras de livros e reservas de quartos em hotéis restritos aos turistas. "Quando a reunião começou, ninguém queria se pronunciar, mas fomos instruídos a falar com franqueza sobre as questões que Raúl havia levantado e tudo que nos afeta", disse Lariza, que vende café aos colegas de escritório a fim de suplementar seu salário. Desde que assumiu "temporariamente" o comando do governo cubano e do Partido Comunista, com a doença de seu irmão Fidel Castro, 81, um ano atrás, Raúl Castro vem apelando repetidamente por mais debate e críticas construtivas ao regime. Ele também exigiu estudos de especialistas sobre propostas de reforma para elevar a produtividade numa economia que é hoje 90% estatal.

    Mas ainda não está claro até que ponto ele planeja levar as reformas. "O debate entre as bases não é novidade em Cuba.

    Aconteceu coisa semelhante, sob a liderança de Fidel, no final dos anos 80 e de novo na metade dos 90", disse Rafael Hernández, editor da revista "Temas", que há uma década vem encorajando a discussão, ainda que limitada, de questões controversas.

    "O que é novidade é que Fidel está menos ativo e os outros precisam construir um novo consenso porque o povo deixou de responder às políticas atuais", disse Hernández.

    Fidel Castro escreve artigos regularmente para a mídia estatal cubana e os funcionários do governo dizem que ele é consultado sobre as questões importantes, mas, desde o ano passado, só é visto em imagens gravadas.

    Em sua ausência, cresce a pressão pela mudança. John Kirk, historiador canadense especializado em assuntos cubanos, diz que Cuba agora está em melhor situação para considerar reformas econômicas porque suas finanças se recuperaram devido à estreita aliança com a Venezuela, rica em petróleo, a créditos comerciais generosos da China e a preços mais elevados para suas exportações de níquel.

    "O governo cubano está tentado descobrir abordagens inovadoras para um dilema incomum. A situação econômica continua a melhorar, mas as desigualdades e outros problemas persistem, em uma longa crise iniciada com a dissolução da União Soviética", disse Kirk.

    [Tradução de PAULO MIGLIACCI]

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    Cubanos trocam velhas geladeiras russas e americanas por modelo chinês

    FOTO: Alejandro Ernesto/EFE - Geladeiras antigas substituídas por modelos chineses novos, em um caminhão em Havana

    DA REDAÇÃO

    Centenas de geladeiras têm sido arrastadas para fora das casas de Havana, em um desfile de relíquias refrigeradoras. Muitas delas são da época do ditador Fulgêncio Batista e estão condenadas a serem substituídas por aparelhos chineses, modernos e econômicos, que o governo vende à população.

    "É como se fosse da família", disse à agência Efe Yolanda, 71, prestes a se desfazer de uma Westinghouse que a acompanha desde 1950. Como ela, milhares de moradores de Havana aguardam os caminhões com trabalhadores que lhes perguntam se querem trocar seu velho "frío" por um novo. O plano de substituição faz parte da denominada "revolução energética", iniciada em Cuba em 2005 para melhorar o sistema de distribuição de energia e diminuir o consumo de eletricidade.

    Nesse último ponto, um dos elementos principais é a eliminação dos "devoradores de energia", como o ditador Fidel Castro descreveu os aparelhos, de origem russa ou americana -alguns fabricados antes da revolução de 1959- que ainda funcionam no país.

    Os aparelhos chineses custam aos cubanos o equivalente a US$ 270, preço que, apesar de subsidiado, em um país onde a renda é em torno de US$ 15, cria um obstáculo que o governo tenta solucionar com créditos a juros baixos em função do salário do comprador.

    [Com a agência Efe]

    9/12/2007

    A hora vem e agora é

    Hoje é dia de verificar se a maioria do Senado Federal tem pelo menos um pouco de vergonha na cara. Sei que dentre os que vão votar pela cassação de Renan boa parte o fará por motivos pragmáticos, interesseiros, não por princípios. Mas mesmo assim, será uma satisfação à nação.

    Enquanto isso, a Hora do Povo, publicação de esquerda (que acabo de ver numa banca que fica na frente da sede do jornal, na Rua Machado de Assis, aqui na Vila Mariana, onde estou), afirma, em manchetes garrafais: "Golpistas no conteúdo e na forma: Na falta das provas contra Renan, mídia assedia a oposição para atropelar regimento" (vide http://www.horadopovo.com.br/, data de hoje, 12/9/2007).

    Não me causa admiração que a esquerda continue a dizer essas barbaridades. Faltam provas contra Renan??? A mídia está aliciando a oposição??? A gente está acostumado a ouvir esse besteirol que a esquerda diz. O que me causa admiração é que haja quem esteja disposto a pagar para ler esse besteirol -- ainda que o preço seja barato: 80 centavos.

    Em São Paulo, 12 de Setembro de 2007

    9/7/2007

    Desemprego, informática, sorte e azar

    [O artiguinho abaixo foi escrito em 1995 (há cerca de doze anos, portanto) e foi publicado na época em vários jornais do interior paulista. Na ocasião eu era presidente de uma rede de franquias de escolas de informática. (O seu conteúdo, especialmente no final, deixa evidente o objetivo marketeiro do artigo...). Resolvi compartilha-lo aqui porque seu conteúdo é parcialmente relevante para o site VMC que eu criei: visão, motivação e competência.]

    o O o

    O sucesso dos outros, geralmente o atribuímos à sorte (o nosso próprio, em regra o vemos como produto de esforço e competência); pelo infortúnio próprio, geralmente culpamos o azar (comumente atribuindo a seus erros e falhas a desgraça dos outros).

    No entanto, na maior parte das vezes, a sorte e o azar têm pouco que ver com, respectivamente, o sucesso dos outros e os infortúnios que temos pela frente. Vou procurar esclarecer esse assunto discutindo uma questão preocupante no momento atual no Brasil: o desemprego e o papel que a informática está desempenhando no processo.

    Desemprego Conjuntural e Estrutural

    Os economistas distinguem dois tipos de desemprego.

    O desemprego conjuntural depende da conjuntura, isto é, da situação do momento. Ele é visto como decorrente de algo anormal que acontece num determinado momento (uma grande seca, chuva demais, recessão econômica, etc.). Acredita-se que, passada a anormalidade, o nível de emprego também voltará ao normal.

    O desemprego estrutural acontece em função de mudanças definitivas na própria estrutura da sociedade. A automação dos processos produtivos na indústria e nos serviços é uma mudança definitiva na forma de produzir bens e prestar serviços das sociedades modernas. Por isso, o desemprego que está sendo causado por essa automação está aqui para ficar. A única solução para quem ficou desempregado em função de mudanças estruturais na sociedade é se (re)qualificar ou (re)capacitar.

    A Informática e a Automação Industrial

    Até o início deste século, a maior parte das pessoas trabalhava na agricultura. Depois, a agricultura foi se automatizando e hoje, nos países desenvolvidos, apenas cerca de 2% das pessoas economicamente ativas trabalha na agricultura. Algo semelhante está acontecendo hoje na indústria. A força motriz da automação industrial, que no passado já foi mecânica e elétrica, é hoje eletrônica – mais precisamente, eletrônico-digital: o computador. Analistas estimam que por volta do ano 2015 o percentual da força de trabalho dos Estados Unidos que estará atuando no setor industrial estará próximo dos 2% que hoje atuam no setor agrícola.

    Essa enorme redução da força de trabalho na indústria não significa que os países em que isso está acontecendo deixarão de ser potências industriais. Os Estados Unidos, por exemplo, continuarão sendo uma potência industrial da mesma forma que continuaram sendo uma potência agrícola. O que diminuirá é o número de pessoas, em termos relativos e absolutos, que será necessário para gerar a produção. Isso significa que haverá sério desemprego estrutural no setor industrial americano nos próximos anos – como, de resto, vem acontecendo nos últimos trinta anos. E o que acontece lá, geralmente acontece aqui, logo depois.

    No total, provavelmente aumentará a oferta de trabalho: os 95% da força de trabalho americana que não estarão nem na agricultura nem na indústria por volta do ano 2015 estarão trabalhando no setor de serviços: lidando com pessoas e com informações. (E aqui o computador é mais importante do que na indústria!)

    Pior cego, diz o ditado, é o que não quer ver. Em pleno limiar do século XXI, há pessoas que não vêem que o computador está roubando seu emprego e, por isso, não pensam em aprender a usar o computador. A única solução para quem está ficando desempregado em função de mudanças estruturais na sociedade é se (re)qualificar ou (re)capacitar. E a (re)qualificação ou (re)capacitação passa, hoje, necessariamente, pela informática. Se você trabalha com algum processo que vai ser automatizado através da informática, você tem três alternativas:

    • Ou você reaprende a realizar o processo usando o computador;
    • Ou você vai fazer alguma outra coisa (mas quase tudo hoje envolve o computador);

    • Ou, então, você vai ficar desempregado.

    Não há outra alternativa. O bancário de hoje, por exemplo, ou ele aprende a lidar eficaz e eficientemente com o computador, ou muda de ramo (vai ser balconista?), ou vai fatalmente ficar desempregado. Se não fizer nada, quando o desemprego chegar, vai dizer: "Que azar!". E vai olhar para os que trabalham bem com o computador, e estão bem empregados, e dizer: "Caras de sorte, estes!"

    Sorte e Azar

    As oportunidades e os maus momentos passam diante de todos nós de forma basicamente igualitária. O que torna uns bem sucedidos e outros fracassados é que eles fazem das oportunidades e dos maus momentos que passam diante deles.

    Os bem sucedidos geralmente aproveitam as oportunidades, através de decisões bem tomadas e escolhas bem feitas, porque estão esperando por elas, ou, melhor, porque estão procurando por elas e preparados para fazer uso delas quando as encontrarem, e não se deixam abalar pelos eventuais maus momentos.

    Os que fracassam geralmente não aproveitam as oportunidades, porque não as procuram, porque não estão esperando por elas quando elas de repente aparecem, e porque, se trombarem com elas, não estão preparados para delas fazer bom uso.

    "Esperar", disse Geraldo Vandré, "não é saber". Em palavras inspiradas, ele sentenciou: "Quem sabe, faz a hora, não espera acontecer". Muitos, hoje, estão lendo e ouvindo notícias de desemprego, e esperando. Esperando o quê? A hora de chegar o azar.

    Quem sabe, entretanto, não espera acontecer: vai e faz. Mesmo uma grande jornada começa com um primeiro passo. O primeiro passo do "ir e fazer", no momento, é aprender a usar o computador. Poucas coisas são tão certas quanto a predição de que, mais cedo ou mais tarde, você terá que usar um computador – ou ficar desempregado.

    Portanto, vá e faça um bom curso de informática: você estará investindo no seu futuro e se preparando para ir atrás de sua sorte e agarrá-la pelos cabelos, quando a encontrar.

    Escrito em 1995 e transcrito aqui em Washington, 7 de Setembro de 2007 (esperando o avião para São Paulo)

    9/1/2007

    China: comunismo, capitalismo, liberdade

    Saio daqui a pouco aqui de Taiwan, a caminho de Tokyo. Mas não posso deixar de regsitrar mais uma coisa.

    Economicamente, a China está abandonando o comunismo e se tornando capitalista. Política e culturalmente, porém, vai demorar bem mais.

    Um dia desses li no jornal aqui de Taipei que um casal, na China, estava andando num parque quando, num impulso típico de namorados, um se virou para o outro e se abraçaram. A polícia imediatamente chegou, separou-os e os prendeu. Só um grande movimento de pressão pela Internet levou a polícia a liberá-los, sem acusá-los de crime -- algum crime inventado pela burocracia que pode ser uma tão terrível ditadura quanto a pior das ditaduras mais típicas.

    Agora há pouco está assistindo à CNN Asia. Mostraram o que, na China, se chama de Web Police. Se o usuário da Internet tenta navegar por sites proibidos, aparece uma tela com os iconozinhos de dois policiais: um homem e uma mulher. É uma indicação de que aquele site é "inapropriado". O conteúdo não é necessariamente pornográfico -- embora possa ser. No mais das vezes é político.

    Conversava ontem com uma amiga minha aqui de Taiwan sobre a situação econômica e política do país. Ela disse que, economicamente, Taiwan está sofrendo com a concorrência da China, que tem levado muitas indústrias para lá, em busca de salários mais baixos. Com isso, aumenta o desemprego aqui. Perguntei a ela se esse fato poderia contribuir para uma vitória política, nas próximas eleições, dos grupos favoráveis à reunificação com a China Continental. Muito difícil, disse ela. Por mais difícil que esteja a situação econômica, o povo, uma vez que sinta o gosto da liberdade, não quer perdê-la.

    Amén.

    Em Taiwan, despedindo-me, 2 de Setembro de 2007

    8/29/2007

    O reconhecimento da independência de Taiwan

    O atual presidente de Taiwan (Republic of China - ROC) é Chen Shui-bian, do DPP (Democratic Progressive Party). Sua plataforma eleitoral (ele tomou posse pela primeira vez em 2001), pelo que consta, era (pelo menos de forma velada e mais ou menos ambígua) favorável à declaração formal da independência de Taiwan -- algo que preocupava os Estados Unidos, que têm sido a força política e militar garantidora da paz nas relações entre China e Taiwan.

    De 1949 até 1971 Taiwan era país-membro pleno das Nações Unidas, com o nome de Republic of China), tendo sido até mesmo membro do Conselho de Segurança. Durante esse período, a China Comunista (que, a partir da tomada do poder pelos comunistas, passou a se chamar People's Republic of China -- PRC) não era país-membro das Nações Unidas. 

    Em 1949, quando da vitória dos comunistas, liderados por Mao Tse-Tung, na guerra revolucionária chinesa, o governo da situação da China, chefiado pelo Generalissimo Chiang Kai-Shek, líder do partido chamado de Kuomitang (KMT), fugiu, com seus aliados, para Taiwan (então conhecida como Ilha de Formosa), criando ali o que seria um governo chinês em exílio, com a promessa de que oportunamente reconquistaria o restante do território chinês.

    Os Estados Unidos e a maoria dos demais países não-comunistas reconheceram o governo de Chiang Kai-Shek como o legítimo governo da China -- não reconhecendo o governo de Mao Tse-Tung como legítimo.

    É curioso registrar que, ao reconhecer Taiwan e não a China Continental como o país que legitimamente representava os chineses, os Estados Unidos endossaram o princípio da "one China" que tanto os comunistas como os nacionalistas defendiam. A diferença entre comunistas e nacionalistas é que, apesar de ambos defenderem a tese de que deveria haver uma só China, cada um pretendia ser o legítimo representante do povo chinês.    

    Durante o governo do presidente Richard Nixon nos Estados Unidos (1969-74), quando Henry Kissinger era o seu Secretário de Estado (Chanceler, ou Ministro das Relações Exteriores), houve uma política de abertura dos Estados Unidos para com a China Continental. Kissinger foi à China várias vezes e o próprio Nixon fez uma visita histórica ao país asiático.

    A partir desse momento, os Estados Unidos mudaram de posição e passaram a defender a tese das "Duas Chinas". Segundo essa tese, haveria dois países, a Republic of China (Taiwan) e People's Repulbic of China (China Continental, comunista), que representavam o povo chinês, e, assim, passaram a defender a tese (não idêntica) de que a China Continental, comunista, também deveria fazer parte das Nações Unidas.

    Os comunistas, porém, defendendo a tese da "Uma China", argumentavam que só passariam a fazer parte das Nações Unidas se a organização excluísse Taiwan do rol de seus membros, pois Taiwan não seria mais do que uma província rebelde sua. Em 1971 os Estados Unidos e as Nações Unidas capitularam e aceitaram a China como membro da organização, excluindo Taiwan. Aqui entre nós, uma vergonha.   

    Como contrapartida, os Estados Unidos exigiram da China comunista que esta respeitasse a integridade de Taiwan, não invadindo a ilha nem a atacando militarmente.

    Na realidade, como país autônomo, os Estados Unidos ainda continuaram a manter relações diplomáticas com Taiwan até 1979, quando cederam até mesmo nisso ao, através do "Taiwan Relations Act", fechar a sua Embaixada em Taiwan e proibir Taiwan de manter uma Embaixada nos Estados Unidos, atribuindo as responsabilidades de sua Embaixada em Taipei a uma organização não-governamental, o American Institute em Taiwan, e aceitando que as responsabilidades da Embaixada de Taiwan em Washington passassem a ser exercidas por um Escritório Econômico e Cultural. Os Estados Unidos continuaram a dar apoio comercial, financeiro e militar a Taiwan.

    Com essa decisão, os Estados Unidos voltaram, de certo modo, a defender a tese da "Uma China", só que, agora, reconhecendo que o governo comunista de Beijing era o representante legítimo do país. No entanto, fez isso com certa ambigüidade, pois continuou a exigir que, na prática, a China Continental respeitasse a integridade de Taiwan (mesmo que Taiwan não fosse mais um país-membro das Nações Unidas).  

    Assim, sem o apoio político dos Estados Unidos, Taiwan perdeu sua participação nas Nações Unidas e até mesmo a sua Embaixada em Washington -- e a China passou a fazer parte do órgão e a manter uma Embaixada em Washington, sob os protestos de Taiwan, que não se conformou com a situação, mas teve de se resignar, por falta de força política (ou, melhor dizendo, por ter menor força política e poder de pressão do que a China).

    Taiwan tem, porém, desde então, reivindicado seu lugar de volta nas Nações Unidas, questionando (na minha opinião corretamente) que seja apenas uma província da China. Taiwan abriu mão, porém, de defender a tese da "Uma China", acatando, na prática, a realidade de que a China Continental dificilmente será "reconquistada" por Taiwan. Na prática, agora, depois de os Estados Unidos haverem abandonado a tese, Taiwan defende a tese das "Duas Chinas"...

    Como dito atrás, a política americana em relação a Taiwan tem sido extremamente ambígua. Os Estados Unidos não querem reconhecer que Taiwan seja apenas uma província da China -- e, nisso, agradam a Taiwan e desagradam à China. Ao apoiar Taiwan até mesmo militarmente, vendendo-lhe armas, os Estados Unidos também agradam a Taiwan e desagradam à China. 

    Por outro lado, o preço desse apoio é exigir de Taiwan que não perturbe o estável equilíbrio político da região, reivindicando, por exemplo, o reconhecimento (pelas Nações Unidas e pelos próprios Estados Unidos) de sua independência e autonomia política -- isto é, de sua soberania como país e nação.

    Como disse atrás, o atual presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, tinha, quando candidato, uma plataforma que parecia ser favorável ao reconhecimento da independência de Taiwan, algo que era extremamente preocupante para os Estados Unidos.

    Assim, provavelmente sob pressão dos Estados Unidos, Chen Shui-bian, em seu primeiro discurso de posse, em 20 de Maio de 2000, fez uma promessa, que passou a ser conhecida como "Os Quatro Nãos" ("The Four Noes"). Essa promessa era de que Taiwan se comprometia com as seguintes quatro diretrizes negativas (donde os Quatro Nãos), DESDE QUE a China não demonstrasse intenção de usar força militar contra o país. São essas as diretrizes: 

    * Não declarar a independência de Taiwan

    * Não alterar o nome do país de "The Republic of China" para "The Republic of Taiwan"

    * Não incluir na Constituição de Taiwan a doutrina de que Taiwan é livre para manter relações diplomáticas com outros países

    * Não promover referendos acerca da independência ou, alternativamente, acerca da reunificação com a China.

    O presidente taiwanês fez uma promessa adicional, chamada, esquisitamente, de "O Um Sem" ("The One Without" -- o nome inteiro das promessas sendo "The Four Noes and the One Without"). Segundo essa promessa, o presidente se comprometia a não abolir um conselho que havia em Taiwan chamado de Conselho Nacional de Unificação, nem as diretrizes aprovadas para esse conselho, chamdas de Diretrizes Nacionais de Unificação. O que se chama de Unificação aí seria a reunificação de Taiwan com a  China.

    Bom, tendo prometido isso, o presidente taiwanês, sem formalmente abolir o Conselho, nunca convocou uma reunião dele. Formalmente, estava cumprindo a promessa. Na prática, é uma questão discutível.

    Depois de assumir seu segundo mandato, Chen Shui-bian, provavelmente se sentindo fortalecido pela re-eleição, eliminou, em 27 de Fevereiro de 2006, o orçamento (já magro) do referido Conselho -- colocando a pá de cal final nele. Houve protestos da China e dos Estados Unidos, naturalmente.

    Chen Shui-bian se defendeu de forma ambígua, como sempre.

    De um lado, insistiu que o Conselho não havia sido formalmente extinto. Deixar um órgão sem verba orçamentária não é, stricto sensu, extingui-lo formalmente. Como o Conselho não vinha se reunindo, não precisava de verba. (Mais recentemente o presidente admitiu que o corte das verbas equivale, na prática, a uma extinção).

    De outro lado, o presidente não hesitou em lembrar os Estados Unidos de que a China vinha procurando, de várias maneiras, amedrontar Taiwan -- militarmente ou não. Eis algumas medidas tomadas pelo governo da China Continental que Taiwan considerou como amedrontadoras: 

    * Aprovou, em 2005, legislação que proíbe a secessão de suas províncias;

    * Dispôs mísseis que apontam para Taiwan ao lado do Estreito de Taiwan;

    * Realizou exercícios militares agressivamente ostensivos no Estreito de Taiwan.

    Com a lembrança desses fatos (de resto, inegáveis) o presidente parecia estar afirmando que Taiwan não tinha mais a obrigação de cumprir "Os Quatro Nãos e o Um Sem"...

    Os Estados Unidos, por seu lado, que já estavam preocupados com o fato de que Chen Shui-bian não repetiu a promessa em seu segundo discurso de posse, em 2004, começaram a demonstrar certa irritação com a "desorçamentação" do Conselho e insistiram que "apreciam muito o compromisso de Chen e o tomam muito seriamente" (sugerindo assim que, apesar de não ter sido repetida, a promessa do presidente continuava válida...).

    Durma-se com um barulho desses.

    Chen Shui-bian tem se mostrado um mestre da ambigüidade. Ele agora vem anunciando que fará um referendo nacional, não sobre a independência de Taiwan ou sua reunificação com a China, pois nesse caso estaria afrontando os Quatro Nãos, mas sobre a reinserção de Taiwan nas Nações Unidas.

    A China tem protestado e os Estados Unidos (compreensível, embora não, em minha opinião, justificadamente), mais ainda. Vide o artigo sobre a questão em The China Post, jornal taiwanês, que transcrevo adiante. A última coisa que os Estados Unidos querem, no momento, é que a China invada Taiwan militarmente e os Estados Unidos sejam obrigados a intervir militarmente no conflito.

    Embora, como disse, considere a posição dos Estados Unidos compreensível, dada uma história que não é possível mudar, dado o que me parece ter sido o erro político de 1971, acho-a indefensável sob qualquer outro aspecto que não o puramente pragmático.

    Taiwan (como bem assinala Matt Rosenberg em artigo que também transcrevo abaixo) é um país de facto independente -- e, é preciso acrescentar, democrático. Não depende da China em nenhum aspecto (sendo, na verdade, uma pequena potência econômica), tem sua Constituição, elege seu presidente e seus demais dirigentes, a mantém plenas relações diplomáticas com vários países, para crédito deles (apesar de serem todos eles pequenos e sem grande poder político ou de pressão nas Nações Unidas).

    Como já disse, o Brasil, que tem tentando, sob o governo Lulla, demonstrar independência em relação aos Estados Unidos em sua política externa, vergonhosamente segue os Estados Unidos fielmente neste caso: não reconhece a independência e a autonomia de Taiwan, embora, como os Estados Unidos, acolham um Escritório Econômico Cultural do país, que faz as vezes de sua embaixada, em que fica na Av. Paulista, em São Paulo -- onde eu obtenho meus vistos quando venho para cá. 

    Está na hora de o Brasil rever essa política, mesmo que os Estados Unidos não o façam. Independente, Taiwan já é. Na prática, o Brasil já reconhece essa independência (como o fazem os Estados Unidos). Basta só ter coragem de reconhecer essa independência formal e publicamente.

    Há um site de apoio à reinserção de Taiwan nas Nações Unidas no qual pode apoiar essa legítima pretensão:

    http://www.gopetition.com/online/6889.html

    Em Taiwan, 30 de Agosto de 2007

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    APÊNDICES

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    http://www.infoplease.com/spot/taiwantime1.html

    Site: Infoplease

    Taiwan Timeline

    1988

    Jan. 13

    President Chaing Ching-kuo, the eldest son of Chiang kai-shek and former defense minister and premier, dies and is succeeded by Lee Teng-hui, the country's first native-born president.

    1991

    Dec.

    The ruling Kouomintang regime wins 71% of the vote in national elections and defeats the Democratic Progressive Party, which advocated Taiwan's independence, in the battle for seats in Taiwan's National Assembly.

    1995

    June 7–11

    Taiwan president Lee Ten-hui visits the United States as an alumnus of Cornell University.

    1996

    March

    China launches what it calls "military exercises" in the ocean near Taiwan on the eve of the country's first free presidential elections. Taiwan and the U.S. consider the exercises an act of intimidation by China and the U.S. responds by sending a fleet of naval reinforcements to the area in what would be the biggest U.S. envoy in Asia since the Vietnam War. Incumbent President Lee wins the election, garnering 54% of the vote.

    1997

    July 1

    Hong Kong, a former British colony, is reverted to Chinese rule.

    1998

    June–July

    U.S. President Bill Clinton visits mainland China. At a seminar to discuss China's future Clinton embraces the "three no's" policy: no "two Chinas", no independence for Taiwan, and no membership for Taiwan in international organizations that require statehood for membership.

    1999

    July

    Taiwan President Lee says in a German radio interview that China and Taiwan should deal with each other on a "state-to-state" basis, implying that Taiwan is moving towards a formal declaration of independence. Chinese officials responds to Lee's statement a day later, saying that it was "a monumental disaster."

    Dec. 20

    Macau, a former Portuguese territory on the Chinese coast is reverted to Chinese rule.

    2000

    Feb. 2

    China protests the passage of the Taiwan Security Enhancement Act in the U.S. House of Representatives. The bill (approved 341 to 70) seeks more direct military communications between American and Taiwanese forces, expanded American training of Taiwan's officers and an annual report on Taiwan's security. Clinton Administration officials voice their disapproval of the bill as well, calling it dangerous to the security of the Taiwan Strait.

    Feb. 21

    China issues a White Paper warning more explicitly than before that Taiwan's further heel dragging on reunification—let alone any declaration of independence--could force China to take "drastic measures."

    Mar. 18

    Taiwan holds its second free presidential elections in history. Voters elect pro-independence candidate Chen Shui-bian of the Democratic Progressive Party, ending more than 50 years of Nationalist rule of Taiwan. China states in response that it will be keeping a close eye on Chen and reiterates that "Taiwan independence, in whatever form will never be allowed.''

    June 20

    During his first news conference since being innaugurated on May 20, Taiwan President Chen Shui-bian invites Chinese President Jiang Zemin to join hands at a summit for peace. Chen says he was inspired by the historic agreement signed by North and South Korea on June 15 to work towards reunification. Chinese officals respond coldly to the invitation, re-iterating the country's long-standing policy that Taiwan accept the "one China" principle before any talks can begin.

    2001

    April 24

    President George W. Bush approves the largest package of arms sales to Taiwan in nearly a decade. China responds with a formal protest. White House officials stress that the sale is in response to recent Chinese military buildup in the area, and that it has nothing to do with a recent standoff over the detained crew of a U.S. Navy surveillance plane that collided with a Chinese fighter jet (Apr. 1). China's ambassador warns that U.S.-China relations are "at a crossroads."

    Oct. 20—21

    China chooses not to invite Taiwan to the Asia-Pacific Economic Cooperation (APEC) meeting in Shanghai. A press conference before the event becomes a bickering match when a Chinese official prevents Taiwan's representative from speaking.

    Nov. 7

    Taiwan eases restrictions for business that wish to invest in companies on mainland China. Although many businesses had already found loopholes in these 50-year-old policies, economists hope that the rollback will boost Taiwan's slumping economy and speed up the integration of the economies of Taiwan and China, which are expected to join the World Trade Organization later this month.

    Nov. 11

    Representatives of the World Trade Organization make Taiwan an official member at a meeting in Doha, Qatar, one day after China is unanimously admitted.

    Dec. 1

    Parliamentary elections are held in Taiwan. The Democratic Progressive Party (DPP) wins enough seats to replace the Kuomintang (KMT) as the largest party in Taiwan's legislature. KMT nationalists had controlled the legislature since it fled from mainland China to the island in 1949.

    2003

    Nov. 27

    Taiwan's parliament approves a bill allowing for national referendums.

    Dec. 6

    President Shui-bian announces plans for a March 20 referendum that would call on China to remove hundreds of missiles pointed at Taiwan and renounce intentions to use force against the island.

    Dec. 8

    China, alarmed that the referendum was a veiled call for Taiwan's independence, condemns it as dangerously provocative. It reaffirms its "one China" policy, viewing Taiwan as a breakaway province that can never become independent.

    Dec. 9

    President Bush, anxious to maintain good relations with China, issues a sharp rebuke of Taiwan, urging it to maintain the "status quo" and abandon the referendum. Historically, the U.S. has pledged to defend Taiwan should it be attacked by China, but Washington is now angered by what it saw as Shui-ban's needlessly provocative stance. One of Bush's aids comments, the President "isn't shopping around for another international crisis."

    Dec. 10

    Shui-bian stands firm, asserting that "referendum is a normal practice in democratic countries and is the basic right of the people which they cannot be deprived of." He insists that "Taiwan people have the right to say loudly that they oppose missiles and are for democracy."

    Dec. 16

    Taiwan's national legislature approved two resolutions of varying severity, one calling on China not to deploy any more missiles aimed at Taiwan and the gradual removal of its existing missiles, the other demanding the immediate removal of the missiles.

    2004

    Jan. 16

    Taiwan yields somewhat to U.S. pressure and tones down the scehduled referendum. Instead of demanding removal of the Chinese missiles aimed at Taiwan, voters will be asked whether Taiwan should arm itself with additional defensive weapons against China if China does not withdraw its missiles. The second referendum will ask whether Taiwan should have open negotiations with China. China, which considers any type of referendum concerning Taiwan-China relations threatening, is not reassured by the changes.

    March 19

    President Chen Sui-bian and Vice President Annette Lu survive an assassination attempt the day before presidential elections and voting on two controversial referenda. The elections pit incumbent Chen, a strong advocate of a more independent relationship with mainland China, against Lien Chan, whose stance is far more conciliatory.

    March 29

    Chen very narrowly won the election over Lien Chan, who demanded a recount. The referendum failed due to low response—although 80% of eligible voters turned out for the presidential election, only 45% voted in the referendum and 50% were needed.

    May 18

    Election officials announce the recount has been completed, although almost 40,000 ballots remain in dispute. About 23,000 of the ballots were cast for Chen, while 16,000 went to Lien Chan. Chen will be inaugurated on May 20 as planned, but the High Court must still rule on the disputed votes.

    2005

    Feb. 1

    Frank Hsieh is sworn in as prime minister.

    March

    Tension between China and Taiwan intensifies, when China passes an anti-secession law that says the country can use force if Taiwan moves toward achieving independence. "The state shall employ non-peaceful means and other necessary measures to protect China's sovereignty and territorial integrity," the legislation says. Taiwan president Chen Shui-bian calls the bill a "law of aggression."

    April

    Lien Chan, who heads the opposition Nationalist Party, traveled to China and met with President Hu Jintao. It was the first meeting between Nationalist and Communist Party leaders since 1949, when the defeated Nationalists retreated to Taiwan.

    2006

    Feb.

    President Chen tested China in February 2006, when he announced that he was rescinding the National Unification Council, a group that was established in 1990 to deal with reunification issues with China. He stopped short of abolishing the council, saying, "Taiwan has no intention of changing the status quo."

    June

    Taiwan's legislature initiated proceedings to oust President Chen because of allegations of corruption involving his family and senior administration officials, but the motion failed later that month.

    2007

    May

    Prime Minister Su Tseng-chang resigns. President Chen Shui-bian appoints Chang Chun-hsiung as his successor.

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    http://www.chinapost.com.tw/news/2007/08/29/120284/Push-for.htm

    The China Post
    29 August 2007

    Push for United Nations entry'a mistake': Negroponte

    Wednesday, August 29, 2007 - The China Post staff and agencies

    U.S. Deputy Secretary of State John Negroponte expressed the American opposition to President Chen Shui-bian's push for holding a referendum on Taiwan's U.N. membership bid under the name of Taiwan, calling the move "a mistake" that could affect regional stability and escalate tensions.

    "We oppose the notion of that kind of a referendum because we see that as a step towards...a declaration of independence of Taiwan, towards an alteration of the status quo,"

    Negroponte said Monday in an interview with the Hong Kong-based Phoenix TV.

    The remarks were the harshest from a senior U.S. official since Chen expressed the wish early this year to hold an islandwide referendum on the government bid to rejoin the United Nations.

    Over the weekend, Chen defiantly rejected again any U.S. intervention in the referendum move during a trip to Central America.

    Washington has repeatedly warned Taiwan against making unilateral moves to change the fragile status quo in the Taiwan Strait, fearing a clash or a full-fledged war with China could soon involve the U.S.

    "So when we talk about the situation in regard to Taiwan, we talk about Taiwan in the context of a great friendship. But when it comes to this issue of a referendum as to whether or not Taiwan join the United Nations in the name of Taiwan, we do have great concerns," Negroponte said.

    "We consider (the Taiwan referendum) to be a mistake," Negroponte said. "This is a time for the authorities in Taiwan to behave in a responsible manner...not disturbing the situation across the Taiwan Strait."

    In the interview with Phoenix Star TV, Negroponte was also asked whether the U.S. will downgrade its economic or military cooperation with Taiwan if Taiwan continues to push for the referendum.

    "I wouldn't want to get into that kind of a hypothetical discussion at this particular time. But what I would like to emphasize is that we believe it's important to avoid any kind of provocative steps on the part of Taiwan," Negroponte replied.

    Chen's ruling Democratic Progressive Party (DPP) plans to hold a mass rally in southern Kaohsiung City on Sept. 15 to motivate the public to support the U.N. referendum as well as the party's candidates in the upcoming legislative and presidential races.

    To counter the DPP tactic to utilize the U.N. referendum issue in the forthcoming crucial elections, the opposition Kuomintang (KMT) is seeking a counterpart referendum to let people express their wishes without insisting on rejoining the U.N. under the name of Taiwan.

    The KMT is also organizing a separate rally, also on Sept. 15, in Taichung City of central Taiwan to help defuse the push for "Taiwan independence" in DPP rallies.

    Chen did not give an immediate response to Negroponte's comments and advice.

    But Minister of Foreign Affairs James Huang voiced regret about what he called the U.S.'s misinterpreting Chen's referendum plan to join the U.N. in the name of Taiwan as a step promoting Taiwan independence or changing the status quo across the Taiwan Strait.

    Huang made the remarks in Managua City, capital of Nicaragua, where he is accompanying President Chen on a state visit to the Central American country.

    The foreign minister said he could not figure out why Negroponte made such remarks.

    Holding a referendum is a purely domestic affair, a core value of democracy and the most democratic and peaceful way for the public to express its opinion, he said.

    "Both Taiwan's ruling and opposition camps are in favor of holding a referendum on Taiwan's U.N. cause," he said.

    Stressing that holding such a referendum is only meant to allow the public to directly express its desire for the country to participate in the U.N., Huang said the move will neither break the "four noes" pledges made by Chen in his 2000 and 2004 inauguration speeches nor contribute to a change in the cross-strait status quo.

    "We regret the U.S. misinterpretation of our referendum plan," Huang added.

    Ministry of Foreign Affairs (MOFA) spokesman Wang Chien-yeh said in Taipei that the U.N. referendum has nothing to do with changing the country's official title or changing the status quo across the Taiwan Strait.

    "Taiwan's U.N. bid referendum plan is not a provocative move and does not target any particular side," Wang said, arguing that "it is only a method to allow the people to directly vote on the country's participation in the U.N."

    Stating that the government understands why the U.S. is concerned about Taiwan's plan to hold a referendum on its U.N. bid, Wang expressed the hope that the U.S. could better understand the situation in Taiwan.

    He said that MOFA will continue seeking to exchange views and step up communication with the United States on the referendum issue.

    DPP lawmakers brushed aside U.S. opposition to the referendum, saying the U.S. is not qualified to be a world leader if it takes the same stand with China to oppose the referendum to join the U.N. in the name of Taiwan.

    It is extremely important to demonstrate the will of the people, they said.

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    http://en.wikipedia.org/wiki/Four_Noes_and_One_Without

    The Wikipedia (English)

    Four Noes and One Without

    The Four Noes and One Without, also known as the Four Noes is a pledge by President of the Republic of China Chen Shui-bian made in his inauguration speech on 20 May 2000 concerning the political status of Taiwan. It has been an important part of cross-straits relations.

    Provided that the People's Republic of China has no intention to use military force against Taiwan, Chen's administration promises not to do the following things (the "Four Noes"):

    * declare Taiwanese independence,

    * change the national title from "the Republic of China" to "the Republic of Taiwan",
    * include the doctrine of special state-to-state relations in the Constitution of the Republic of China, or

    * promote a referendum on unification or independence.

    In addition, the "One Without" was that Chen pledged not to abolish the National Unification Council or the National Unification Guidelines though during his administration the National Unification Council has not met once. On February 27, 2006, the Council ceased to function in tandem with the elimination of its already meager budget. Chen said that his decision did not change the status quo in the Taiwan Strait, but instead returned sovereignty to the people of Taiwan.

    The Four Noes and One Without have become an important part of ROC-U.S. relations. Several times, Chen has had to reassure the United States that the Four Noes and One Without policy has not been abolished and that he is not attempting to circumvent the pledge via some of the loopholes that have been suggested. The phrase that the United States used with regard is that the United States "appreciates Chen's pledge and takes it very seriously."

    Policy revision

    On 27 February 2006, Chen dismantled the National Unification Council and Guidelines saying they "will cease functioning and the budget no longer be appropriated", effectively breaking the promises made in 2000 if 'cease functioning' is considered to be synonymous with 'abolishing'.

    However, as the People's Republic of China has threatened to use military force against Taiwan by passing the Anti-Secession Law in March 2005 and continuing the buildup of missiles opposite the Taiwan Strait, the no intent of aggression provision may have long been violated. It is noteworthy that the 2004 referendum called by President Chen Shui-bian held in tandem with the presidential election used the 'emergent threat' stipulation in Taiwan's Referendum Law, thereby implying the provision had already been breached by China's imminent threat and missile buildup. Nevertheless, this move drew sharp rebuke from the United States, with the State Department insisting that the Taiwanese government clarify that the National Unification Council has not been abolished. However, in a TV interview days later, Chen stated that 'ceasing to function' is the same as having been 'abolished'.

    In the week prior, he told U.S. Congressman Rob Simmons (R-CT) that the Council and Guidelines were "absurd products of an absurd era." Chen has revealed he planned to draft a new constitution, which many conjectured would be pro-separatist, before he steps down in 2008.

    The Four Noes and One Without policy was officially replaced by Four Wants and One Without policy in 2007, which is essentially the opposite of the original Four Noes and One Without policy.

    Criticism

    Koo Kwang-ming and other pro-independence leaders openly criticized that Chen, as president, is "not constitutionally authorized" and has "no legal power" to confine Taiwanese political future and freedom with the pledge. In addition, some of Chen's supporters such as Vice-President Annette Lu have suggested that the pledge may have loopholes such as the definition of military force. Furthermore, while the pledge stated that Chen would not support a referendum, some have suggested that it does not exclude the possibility of a referendum occurring by citizen initiative. The possibility of loopholes has occasionally led to considerable unease in Beijing and in Washington, D.C.

    Under strong objection from pro-independence leaders and his supporters, who threatened to walk out the inauguration ceremony immediately once the pledge was recited, Chen did not explicitly repeat this pledge in his 2004 inauguration speech after his re-election though he alluded to the pledge by stating that the assurances he had given in the 2000 inaugural address remained in effect, and he has stated many times that the pledge remains in effect.

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    http://geography.about.com/cs/countries/a/numbercountries.htm

    The Number of Countries in the World
    From Matt Rosenberg,
    Your Guide to Geography.
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    May 9 2007

    By Most Accounts, 194 is the Correct Answer

    A very frequent geographical question is "How many countries are in the world?" Different numbers pop up when one inquires or reads about the number of countries in the world. Each source you use often yields a different answer. Ultimately, the best answer is that there are 194 countries in the world.

    United Nations.

    There are 192 members of the United Nations. Unfortunately, the number 192 is too often used to represent the number of countries in the world. Although this number represents almost all of the countries in the world, there is still one globally recognzed independent country, the Vatican City, that is independent and has chosen not to become a member of the U.N. so 192 is not the number of countries in the world.

    U.S. Department of State

    The United States' State Department recognizes 193 independent countries around the world. Their list of 193 countries reflects the political agenda of the United States of America and its allies. Missing from the State Department's list is one entity that may or may not be considered a country, depending on who you talk to.

    The One Outsider

    Taiwan meets the requirements of independent country or state status. However, due to political reasons, it fails to be recognized by the international community as independent. Nonetheless, it should be considered as independent.

    Taiwan was actually a member of the United Nations (and even the Security Council) until 1971, when mainland China replaced Taiwan in the organization. Taiwan continues to press for full recognition by other countries, to become "part of the club" and fully recognized worldwide but China claims that Taiwan is simply a province of China.

    Thus...

    Your Guide considers there to be 194 countries in the world, which is probably the best current answer to the question, "How many countries are in the world?"

    However...

    Recognize that there are dozens of territories and colonies that are sometimes erroneously called "countries" but don't count at all - they're governed by other countries. Places commonly confused as being countries include Puerto Rico, Bermuda, Greenland, Palestine, Western Sahara, and even the components of the United Kingdom (such as Northern Ireland, Scotland, Wales, and England - they're not fully independent countries, states, or nation-states).

    8/28/2007

    "...Não sobra um, meu irmão..."

    Todos nós sabemos como começa a frase (parte de um sambinha conhecido) cujo final é o título desta matéria.

    Como este blog acompanhou as denúncias, no início das revelações feitas pelo ex-Deputado Roberto Jefferson, não posso deixar de registrar a importância histórica do dia de hoje: 28 de Agosto de 2007. Por coincidência, mais um dia de Agosto que ficará marcado na históriao da política brasileira: o dia em que os quarenta companheiros de Ali Babá foram formalmente transformados em réus.

    Só faltou o próprio Ali Babá, como bem observou quem, ainda que por razões espúrias, tenha levantado o tapete que estava escondendo esta sujeira. 

    O Supremo deu, com sua decisão, um certo alento ao brasileiro -- e jogou um balde de água fria nos que esperavam que todos, ou a maioria, escaparia do processo.

    São réus, não foram condenados ainda. Mas esse fato em si já é importante. Vão gastar milhões de reais (deles mesmos?) para se safar da condenação. Mas alguns inevitavelmente serão condenados.

    Estão lá: José Dirceu, Luiz Gushiken, João Paulo Cunha, José Genoíno, Delúbio Soares, Sílvio Pereira, Professor Luizinho, e outros -- até há pouco a mais fina flor do PT.

    Mas, além dos "quarenta" da quadrilha estarem com processos abertos, são importantes alguns simbolismos. Há uma "Anita Leocádia" na lista... Ninguém perpetraria esse nome à filha se não fosse comunista. E há um que se orgulha de rotular com professor o seu apelido popular de Luizinho. Professor de quê seria ele, alguém sabe?

    Transcrevo abaixo matéria do UOL Notícias, apenas colocando os nomes dos réus em ordem alfabética.

    De Taiwan, mas atento.

    Em Taichung, TW, 28 de Agosto de 2007

    ==========================

    Retirado do UOL - Últimas Notícias - http://noticias.uol.com.br/ultnot/2007/08/28/ult23u530.jhtm

    28/08/2007 - 14h40

    STF torna todos os 40 acusados do mensalão réus

    Da redação

    Em São Paulo*

    OS RÉUS NO SUPREMO E OS CRIMES DE QUE SÃO ACUSADOS

    O STF (Supremo Tribunal Federal) recebeu nesta terça-feira (28), por unanimidade, as denúncias de lavagem de dinheiro e evasão de divisas contra o publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes. Com a decisão, e depois de cinco dias de julgamento, o Supremo tornou réus em ação penal todos os 40 acusados de envolvimento no caso do 'mensalão' (suposto esquema de desvio de dinheiro público e de compra de apoio político no Congresso).

    O Supremo também recebeu a denúncia de evasão de divisas contra Marcos Valério, Cristiano de Mello Paz, Ramon Hollerbach, Simone Vasconcelos, Geiza Dias, Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane. Rogério Tolentino e Ayanna Tenório não responderão por este crime.

    Lavagem e evasão

    Duda e Zilmar são acusados de ter usado uma conta aberta no exterior em nome da empresa Dusseldorf exclusivamente para receber recursos das agências de publicidade de Marcos Valério como pagamento de serviços prestados ao PT nas eleições de 2002. No total, Duda teria recebido R$ 15,5 milhões de Marcos Valério, a maior parte (R$ 10,8 milhões) por meio da conta no exterior.

    "Existem fortes indícios de que pessoas jurídicas foram usadas por Duda e Zilmar para encobrir atos ilícitos", declarou o ministro do STF Joaquim Barbosa, relator do processo no tribunal, ao ler o voto no qual aceitou a denúncia de evasão de divisas.

    Segundo Barbosa, Marcos Valério teria feito 27 repasses de dinheiro ao exterior. Para transferir o dinheiro, disse o relator, as remessas foram feitas por meio de dirigentes do Banco Rural e de doleiros. "O próprio Marcos Valério confirmou esses repasses durante as investigações", disse.

    Formação de quadrilha

    Por maioria de votos, o STF também recebeu nesta terça a denúncia de formação de quadrilha contra o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Na segunda-feira, o Supremo já havia tornado Dirceu réu do crime de corrupção ativa. O mesmo não aconteceu com a denúncia de peculato, da qual o ex-ministro havia escapado na sexta-feira.

    O tribunal também aceitou a denúncia de formação de quadrilha contra o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do partido José Genoino e o ex-secretário geral do partido Silvio Pereira. Este último tornou-se réu no processo pela primeira vez, tendo antes escapado das denúncias de peculato e corrupção ativa durante o julgamento.

    Com exceção de Ricardo Lewandowski, os demais ministros do STF votaram a favor do recebimento da denúncia de formação de quadrilha contra Dirceu. Em relação a Delúbio e a Silvio Pereira, a decisão foi unânime. Os ministros Eros Grau e Ricardo Lewandowski rejeitaram a denúncia contra Genoino, que foi aceita pela maioria dos ministros.

    Segundo o relator Barbosa, não restaram dúvidas na denúncia do procurador-geral Antonio Fernando de Souza de que Dirceu foi o "principal articulador da engrenagem do esquema, garantindo-lhe o sucesso". "Ele (Dirceu) tinha o domínio funcional de toda a sistemática de transferência ilegal de recursos a parlamentares", salientou o relator.

    Também por formação de quadrilha, o STF decidiu abrir processo nesta terça contra Marcos Valério, Cristiano de Mello Paz, Ramon Hollerbach, Rogério Tolentino, Simone Vasconcelos, Geiza Dias, Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Ayanna Tenório e Vinícius Samarane.

    Falsidade ideológica

    O tribunal não recebeu a denúncia de falsidade ideológica contra Marcos Valério hoje pela manhã. Segundo o relator, o argumento da procuradoria de que o publicitário deixou formalmente, em 1999, o quadro social da empresa SMP&B e, a partir de então, utilizava sua mulher, Renilda, como testa-de-ferro nas negociações, não se sustenta, uma vez que Marcos Valério continuou atuando na empresa por meio de procuração lícita.

    Entre os ministros, Carlos Ayres Britto foi o único a aceitar a denúncia. "A verdade sempre se dá num contexto. E é nisso que sustento que o fato de ter se retirado da empresa representa o crime, e não mera coincidência. A exclusão dele mascara uma realidade", afirmou ao fazer seu voto, que foi vencido pelos demais ministros.

    Todos réus

    O Supremo tornou todos os 40 acusados no esquema do mensalão réus no inquérito. Na segunda-feira, o STF havia autorizado a abertura de processo contra políticos e membros dos partidos da base aliada do governo Lula -- PP, ex-PL, PTB e PMDB.

    Na sexta-feira, o STF recebeu denúncia contra o ex-ministro de Comunicação e Gestão Estratégica da Presidência da República Luiz Gushiken, que vai responder a processo por peculato, e também contra o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.

    No mesmo dia, os ministros aceitaram por unanimidade as denúncias contra o deputado federal Paulo Rocha (PT-PA), sua assessora parlamentar Anita Leocádia, o ex-deputado federal João Magno (PT-MG), o ex-deputado Professor Luizinho (PT-SP), o ex-ministro dos Transportes e atual prefeito de Uberaba (MG) Anderson Adauto e contra seu ex-chefe de gabinete, José Luiz Alves, por lavagem de dinheiro.

    "Antes de mais nada, é preciso que os cidadãos desta República tenham direito a um governo honesto, tenham direito a legisladores probos, administradores honestos e a juízes incorruptíveis. O resultado do julgamento vai traduzir essa mensagem: ninguém, ninguém, está acima das leis da República", disse depois da sessão de segunda-feira o ministro Celso de Mello, mais antigo membro do tribunal.

    O ministro Marco Aurélio Mello calcula que o STF levará dois anos e meio para julgar a ação penal do mensalão.

    Matéria atualizada às 18h45

    OS RÉUS NO SUPREMO E OS CRIMES DE QUE SÃO ACUSADOS

    Anderson Adauto (ex-ministro dos Transportes) - lavagem de dinheiro e corrupção ativa

    Anita Leocádia (assessora parlamentar) - lavagem de dinheiro

    Antônio Lamas (ex-tesoureiro do PL) - lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    Ayanna Tenório - (ex-vice-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    Bispo Rodrigues (ex-deputado federal do PL-RJ) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro

    Breno Fischberg (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

    Carlos Alberto Quaglia (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

    Cristiano Paz (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

    Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) - corrupção ativa e formação de quadrilha

    Duda Mendonça (publicitário) - lavagem de dinheiro e evasão de divisas

    Emerson Palmieri (ex-tesoureiro do PTB) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro

    Enivaldo Quadrado (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

    Geiza Dias (ex-auxiliar da diretoria das empresas de Valério) - lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

    Henrique Pizzolato (ex-diretor do BB) - peculato (2x), corrupção passiva e lavagem de dinheiro

    Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do PL) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    João Cláudio Genu (ex-assessor do PP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    João Magno (ex-deputado federal PT-MG) - lavagem de dinheiro

    João Paulo Cunha (deputado federal pelo PT-SP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato

    José Borba (ex-deputado federal pelo PMDB-PR) - corrupção passiva

    José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) - corrupção ativa e formação de quadrilha

    José Genoino (ex-presidente do PT) - corrupção ativa e formação de quadrilha

    José Janene (ex-deputado federal, PP-PR) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    José Luiz Alves (ex-assessor de Anderson Adauto) - lavagem de dinheiro

    José Roberto Salgado (ex-vice-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

    Kátia Rabello (ex-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

    Luiz Gushiken (ex-ministro) - peculato

    Marcos Valério (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

    Paulo Rocha (deputado federal PT-PA) - lavagem de dinheiro

    Pedro Corrêa (ex-deputado federal, PP-PE) - corrupção corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    Pedro Henry (deputado federal, PP-MT) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    Professor Luizinho (ex-deputado federal PT-SP) - lavagem de dinheiro

    Ramon Hollerbach (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

    Roberto Jefferson (ex-deputado federal pelo PTB-RJ) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro

    Rogério Tolentino (advogado) - lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    Romeu Queiroz (ex-deputado federal pelo PTB-MG) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro

    Silvio Pereira (ex-secretário geral do PT) - formação de quadrilha

    Simone Vasconcelos (ex-diretora da SMPB) - lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas

    Valdemar Costa Neto (deputado federal pelo PR-SP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha

    Vinícius Samarane (ex-diretor do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

    Zilmar Fernandes (sócia de Duda Mendonça) - lavagem de dinheiro e evasão de divisas

    AS PENAS

    Corrupção ativa: prisão de 2 a 12 anos e multa

    Corrupção passiva: prisão de 2 a 12 anos e multa

    Peculato (específico de servidor público ou de quem se relaciona com ele): prisão de 2 a 12 anos e multa

    Falsidade ideológica: prisão de 1 a 5 anos e multa

    Lavagem de dinheiro: prisão de 3 a 10 anos e multa

    Evasão de divisas: prisão de 2 a 6 anos e multa

    Formação de quadrilha: prisão de 1 a 3 anos

    [As penas podem ser agravadas pela repetição do crime. Alguns dos réus são acusados dezenas de vezes pelo mesmo crime neste inquérito. ]

    8/25/2007

    A formosa Taiwan (Formosa)

    Faz mais de 50 anos que Taiwan existe, como uma realidade política inegável. O país é apenas dois anos mais novo do que as Nações Unidas, que, hipocritamente, insistem em negar-lhe o reconhecimento.

    A China insiste que Taiwan é parte dela. Os britânicos já lhe cederam Hong Kong e os portugueses, Macau. Mas a China não está contente: quer Taiwan também. E como a China é uma potência, segundo vários critérios, populacionais e econômicos, quase todo mundo tem medo de ofender a ela -- e, assim, vota contra as várias iniciativas que Taiwan tem feito para conseguir direito de cidadania na ONU.

    Não tenho dúvida de que, não fossem os Estados Unidos, com sua força política, econômica e principalmente militar, Taiwan já seria parte da China -- talvez uma parte meio qualificada, como Hong Kong e Macau (os chineses do continente precisam de visto para ir até Hong Kong e Macau). Não fossem os mesmos Estados Unidos, talvez Cingapura já tivesse se tornado parte da China também, ou, talvez, da Malásia, que está mais próxima.

    Admiro os Estados Unidos por não permitirem isso (embora em 1971 os Estados Unidos, para agradar a China, tenha consentido que Taiwan ficasse fora das Nações Unidas, para poder endossar a entrada na China na organização, visto que a China só entrava se Taiwan fosse removida). Taiwan é um país independente da China há mais de meio século. Culturalmente, embora fale chinês, tornou-se uma cultura capitalista muito antes de a China. É uma potência econômica (e até mesmo militar). Só falta obter reconhecimento de sua realidade política autônoma e independente.

    Vejam os artigos abaixo, de Matt Rosenberg, retirados de

    http://geography.about.com/cs/politicalgeog/a/statenation.htm

    http://geography.about.com/od/politicalgeography/a/taiwancountry.htm

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    Country, State, and Nation: Definining an Independent Country

    From Matt Rosenberg,
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    While the terms country, state, and nation are often used interchangeably, there is a difference.

    A State (note the capital "S") is a self-governing political entity. The term State can be used interchangeably with country.

    A nation, however, is a tightly-knit group of people which share a common culture. A nation-state is a nation which has the same borders as a State.

    States and Independent Countries

    Let's start with what defines a State or an independent country. An independent State:

    • Has space or territory which has internationally recognized boundaries (boundary disputes are OK).
    • Has people who live there on an ongoing basis.
    • Has economic activity and an organized economy. A country regulates foreign and domestic trade and issues money.
    • Has the power of social engineering, such as education.
    • Has a transportation system for moving goods and people.
    • Has a government which provides public services and police power.
    • Has sovereignty. No other State should have power over the country's territory.
    • Has external recognition. A country has been "voted into the club" by other countries.
    There are currently 192 independent countries or States around the world. Territories of countries or individual parts of a country are not countries in their own right.

    Examples of entities that are not countries include: Hong Kong, Bermuda, Greenland, Puerto Rico, and most notably the constituent parts of the United Kingdom. (Northern Ireland, Wales, Scotland, and England are not countries.) [EC: Veja abaixo a discussão do caso de Taiwan].

    A "state" (with a lower-case "s") is usually a division of a federal State (such as the states of the United States of America).

    Nations and Nation-States

    Nations are culturally homogeneous groups of people, larger than a single tribe or community, which share a common language, institutions, religion, and historical experience.

    When a nation of people have a State or country of their own, it is called a nation-state. Places like France, Egypt, Germany, Japan, and New Zealand are excellent examples of nation-states. There are some States which have two nations, such as Canada and Belgium. Even with its multicultural society, the United States is also referred to as a nation-state because of the shared American "culture."

    There are nations without States. For example, the Kurds are stateless people.

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    Is Taiwan a Country? On Which of the Eight Criteria Does it Fail?

    From Matt Rosenberg,
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    There are eight accepted criteria used to determine whether a place is an independent country (also known as a State with a capital "s") or not.

    Let us examine these eight criteria in regard to Taiwan, an island (approximately the size of the U.S. states of Maryland and Delaware combined) located across the Taiwan Strait from mainland China (the People's Republic of China).

    Taiwan developed into its modern situation following the Communist victory on the mainland in 1949 when two million Chinese Nationalists fled to Taiwan and established a government for all of China on the island. From that point and until 1971, Taiwan was recognized as "China" in the United Nations.

    Mainland China's position on Taiwan is that there is only one China and that Taiwan is part of China; the People's Republic of China is awaiting reunification of the island and mainland. However, Taiwan claims independence as a distinct State. We will now determine which is the case.

    1. Has space or territory that has internationally recognized boundaries (boundary disputes are OK).

    Somewhat. Due to political pressure from mainland China, the United States and most other significant nations recognize one China and thus include the boundaries of Taiwan as being part of the boundaries of China.

    2. Has people who live there on an ongoing basis.

    Absolutely! Taiwan is home to almost 23 million people, making it the 48th largest "county" in the world, with a population slightly smaller than North Korea but larger than Romania.

    3. Has economic activity and an organized economy. A country regulates foreign and domestic trade and issues money.

    Absolutely! Taiwan is an economic powerhouse - it's one of the four economic tigers of Southeast Asia. Its GDP per capita is among the top 30 of the world. Taiwan has its own currency, the new Taiwan dollar.

    4. Has the power of social engineering, such as education.

    Absolutely! Education is compulsory and Taiwan has more than 150 institutions of higher learning. Taiwan is home to the Palace Museum, which houses over 650,000 pieces of Chinese bronze, jade, calligraphy, painting, and porcelain.

    5. Has a transportation system for moving goods and people.

    Absolutely! Taiwan has an extensive internal and external transportation network that consists of roads, highways, pipelines, railroads, airports, and sea ports. Taiwan can ship goods, there's no question about that!

    6. Has a government that provides public services and police power.

    Absolutely! Taiwan has multiple branches of military - Army, Navy (including Marine Corps), Air Force, Coast Guard Administration, Armed Forces Reserve Command, Combined Service Forces Command, and Armed Forces Police Command. There are almost 400,000 active duty members of the military and the country spends about 15-16% of its budget on defense.

    Taiwan's main threat is from mainland China, which has approved an anti-secession law that allows a military attack on Taiwan to prevent the island from seeking independence. Additionally, the United States sells Taiwan military equipment and may defend Taiwan under the Taiwan Relations Act.

    7. Has sovereignty. No other State should have power over the country's territory.

    Mostly. While Taiwan has maintained its own control over the island from Taipei since 1949, China still claims to have control over Taiwan.

    8. Has external recognition. A country has been "voted into the club" by other countries.

    Somewhat. Since China claims Taiwan as its provoince, the international community does not want to contradict China on this matter. Thus, Taiwan is not a member of the United Nations. Plus, only 25 countries (as of early 2007) recognize Taiwan as an independent country and they recognize it as the "only" China. Due to this political pressure from China, Taiwan does not maintain an embassy in the United States and the United States (among most other countries) has not recognized Taiwan since January 1, 1979.

    However, many countries have set up unofficial organizations to carry out commercial and other relations with Taiwan. Taiwan is represented in 122 countries unofficially. Taiwan maintains contact with the United States through two through an unofficial instrumentalities - American Institute in Taiwan and the Taipei Economic and Cultural Representative Office.

    In addition, Taiwain issues globally recognized passports that allow its citizens to travel internationally. Taiwan also is a member of the International Olympic Committee and this sends its own team to the Olympic Games.

    Recently, Taiwan has lobbied strongly for admission into international organizations such as the United Nations, which mainland China opposes.

    Therefore, Taiwan only meets five of the eight criteria fully. Another three criteria are met in some respects due to mainland China's stance on the issue.

    In conclusion, despite the controversy surrounding the island of Taiwan, its status should be considered as a de facto independent country of the world.

    -----

    Os vinte e poucos países que reconhecem Taiwan como um país autônomo e independente e mantêm relações diplomáticas com o país são todos pequenos e pouco significativos no cenário mundial. Vejam a lista deles -- lista meio desatualizada, pois ali constam 24, quando os países hoje chegam, pelo que sei, a 27) na Wikipedia, no seguinte endereço: 

    http://en.wikipedia.org/wiki/Political_status_of_Taiwan

    Para seu crédito, o Vaticano está entre os países que reconhecem a autonomia e independência de Taiwan.

    Quem não o reconhece o faz por motivos que não são nem ideológicos: são puramente pragmáticos (Realpolitk). Não querem incorrer na ira da China e na conseqüente (possível mas improvável) perda de negócios com a mega-potência econômica asiática.

    O Brasil não reconhece Taiwan como país. Acho uma vergonha. Mas Taiwan tem um "Escritório Econômico e Cultural" em São Paulo, na Av. Paulista (do mesmo tipo do que mantém nos Estados Unidos), onde eu obtenho meus vistos de entrada no país.

    Se a nossa diplomacia valesse alguma coisa, Taiwan já teria sido reconhecida como uma nação autônoma e independente.

    Por fim, existe a questão: quando Taiwan se tornar politicamente reconhecida como um país autônomo e independente, como vai se chamar? Simplesmente Taiwan, como muitos (inclusive eu próprio, no dia-a-dia) chamam o país hoje? Republic of China (ROC), que é o nome semi-oficial (a companhia aérea oficial de Taiwan se chama "China Airlines"...)? Chinese Taipei, como querem os chineses? Ou simplesmente Formosa? Apesar de, no dia-a-dia, referir-me ao país como Taiwan, se eu pudesse votar certamente votaria em Formosa. Melhor ainda: Formosa Taiwan...

    Em Hualien, TW, 25 de Agosto de 2007

    7/26/2007

    O futebol delas

    Tenho certeza de que, daqui para frente, sempre serei um grande fã do futebol feminino. A final de hoje (26/7) contra as americanas me conquistou. Está certo, as jogadoras americanas eram mais bonitinhas -- mas só isso. No futebol, coitadas, não deram pro começo. Foi uma delícia assistir ao jogo. Parabéns, time brasileiro de futebol feminino. Se houve conquista merecida no Pan, foi essa: fizeram um montão de gols e não sofreram nenhum - zilch, ou nil, como dizem os pilotos da TAM. 

    Em Campinas, 26 de Julho de 2007  

    7/24/2007

    Uma companhia que tem orgulho de ser brasileira

    A primeira companhia aérea brasileira com a qual voei se chamava Aerolíneas Natal. Foi nos idos de 1947 que vim de Londrina a São Paulo num de seus vôos. Tinha três anos e meio. Sei da data porque meu irmão, Flávio, que veio junto, era nenê de colo. Lembro-me de que vomitei as tripas. Mas as comissárias de vôo foram extremamente gentis. Levaram-me até mesmo para dizer "oi" para os pilotos no cockpit. Mais tarde a Natal foi absorvida pela PanAir. E mais tarde ainda a PanAir foi crucificada pelos militares para deixar a VARIG reinar suprema.

    Por isso, nunca gostei da VARIG. A VARIG para mim foi sempre chapa branca. Sempre que pude voar por uma outra companhia, preferi. Pela mesma razão que, podendo, não abro conta em banco estatal.

    Por isso, quando a TAM do Comandante Rolim começou a se mostrar uma concorrente viável para a VARIG, adotei a TAM. Fui fiel até agora. Tive implicâncias com a Gol, quando ela surgiu. Agora que ela incorporou a VARIG, então, a implicância cresceu.

    Mas nunca usei a TAM para voar para o exterior. Aqui minha fidelidade à United é a toda prova. E não usava a TAM porque havia uma coisa que me implicava nela: o bordão "Uma empresa que se orgulha de ser brasileira". Lembro-me de ter pensado, mais uma vez, que a brasileirice da TAM poderia, um dia, custar-lhe caro.

    Acho que chegou a hora em que está ficando evidente que a TAM é, sem duvida, uma empresa brasileira -- mas que isso está longe de ser motivo de orgulho. Afinal de contas, são dois aviões caídos em Congonhas, com mais de 300 mortos, em menos de dez anos. No interim, houve assentos que foram ejetados em vôo e outros probleminhas mais: se bem me lembro, houve até um avião que aterrisou no pasto e matou uma vaca. Para não falar no acidente esquisito de helicóptero que matou o Comandante Rolim.

    Confesso que até o acidente da última terça-feira, dia 17/7, ainda tinha certa lealdade para com a TAM. Mas a estou perdendo rapidamente. Explico as razões.

    1) A questão do reverso da turbina direita que não estava funcionando.

    Pode ser que o reverso não seja necessário para frear o avião em condições normais. Pode até ser que os manuais da AirBus (empresa da qual eu também não gosto) digam que é possível voar até dez dias com o reverso "pinado" (no jargão deles). Mas isso dito, acho que uma companhia realmente consciente da segurança de seus passageiros, teria levado o avião para manutenção logo que o reverso deu problema, sem esperar os dez dias, porque ainda que o reverso não seja necessário para frear o avião em condições normais, em condições excepcionais, para as quais toda companhia de aviação deve estar preparada, ele poderia significar a diferença entre um "near miss" e um acidente.

    Além disso, a TAM só admitiu que o reverso da turbina direita não estava funcionando depois de o Jornal Nacional ter descoberto o fato. Uma empresa transparente deveria revelar até mesmo aos passageiros que o avião tinha um problema, mesmo que as normas de segurança não considerassem o problema impeditivo de um vôo normal (normal, isto é, em condições normais). Os passageiros deveriam ter o direito de, sabendo do problema, decidir se voavam ou não. A TAM tomou essa decisão por eles -- com resultados desastrosos.

    2) A questão dos evidentes problemas que a pista principal de Congonhas vinha apresentando na chuva desde o dia anterior

    Além do incidente com o avião da Pantanal, um dia antes, vários aviões da TAM enfrentaram dificuldades para aterrisar na pista principal se Congonhas no dia anterior e no dia do acidente -- isto é, desde que começou a chover na pista cuja reforma estava ainda inacabada. Além disso, os controladorers de vôo estavam advertindo os pilotos de que a condição da pista era escorregadia.

    Uma empresa realmente consciente da segurança de seus passageiros teria imediatamente determinado aos seus pilotos, desde o primeiro incidente ou relato de dificuldade para pousar, que, em chuva, não pousassem na pista principal sem ranhuras. 

    O fato de que, depois do acidente, a TAM fez essa determinação aos seus pilotos, mostra que a o procedimento cautelar deveria ter sido adotada antes.

    3) 1+2

    Se juntarmos as duas razões, é forçoso concluir que o risco de um avião sem um reverso pousar, na chuva, numa pista escorregadia, sem ranhuras, especialmente quando essa pista é relativamente curta e o avião relativamente grande e pesado, é muito alto -- na verdade, inadmissível.

    4) Gato escaldado

    Exatamente a TAM, que já havia tido um lamentável acidente em Congonhas, deveria ser, nesse aeroporto, "mais realista do que o rei". Não importa o que diz o manual da AirBus ou o que digam os políticos da Infraero sobre a qualidade da pista, a TAM não poderia ter se permitido o risco de pousar em Congonhas nessas circunstâncias. Duvido que, mesmo num país de memória curta como o nosso, sua imagem se recupere.

    5) Os pilotos

    Até evidência em contrário, considero os dois pilotos duas vítimas que não só perderam a vida mas correm o risco de ver suas reputações profissionais arranhadas pelas insinuações irresponsáveis dos verdadeiros culpados pelo acidente.

    É isso, no que diz respeito à TAM.

    O fato de eu considerar que a TAM tem responsabilidade no acidente não significa que eu pense que o governo federal não tem. Creio que tem, e muita. A incompetência generalizada que caracteriza o governo Lulla, que já colocava nossa vida em risco ao andar de carro ou ônibus nas estradas federais, tem colocado em risco as vidas daqueles que têm necessidade de viajar pelo ar, até porque não há outra alternativa (dado o estado lamentável das rodovias federais e a inexistência de transporte ferroviário de passageiros). Diretoria da ANAC, Diretoria da Infraero, Comando da Aeronáutica, Ministro da Defesa e Presidente da República deveriam ir todos para o olho da rua. Vaia é pouco para eles. Faz des meses que caiu o avião da Gol (acidente cuja culpa eles tentam jogar sobre os pilotos americanos) e tudo continua como está. Caiu agora o avião da TAM, e se algo se alterar vai ser pouco.

    Top-top-top neles.

    Se a TAM tem orgulho de ser brasileira e se esse governo é a cara do Brasil, então não dá pra se orgulhar de ser brasileiro.

    Em São Paulo, 24 de Julho de 2007

    8/9/2006

    A esquerda e Cuba: dois pesos e duas medidas

    Tenho me dedicado, nos últimos tempos, a estudar a ilogicidade da esquerda. Ou talvez o nome certo seja a logicidade dialética da esquerda... Nada melhor para evidenciá-la do que as várias subscrições de brasileiros de esquerda ao manifesto de "cientos de intelectuales" em defesa da liberdade e autonomia do povo cubano.

    Nós tivemos a nossa ditadura militar no Brasil. Começou cinco anos depois da ditadura cubana de Fidel Castro e durou vinte anos -- menos da metade do que a ditadura do El Comandante já dura.

    Durante a ditadura brasileira um monte de brasileiro foi morto, ou foi expulso do país, ou teve de sair daqui correndo para não ser preso ou morto. Perderam seus bens e propriedades. Ficaram exilados um bom tempo. Voltaram quando da anistia -- concedida enquanto os militares ainda estavam no poder. Puderam voltar tranqüilamente. Nenhum dos exilados foi preso ao entrar no país. Foram considerados heróis nacionais. Alguns chegaram a se candidatar à Presidência da República, outros se tornaram ministros, outros senadores, outros deputados federais. Tudo gente fina. Hoje a gente sabe que alguns tinham vocação de larápios, mas tudo bem. Ladrões ou não, ninguém duvida de sua brasilidade ou de seu patriotismo. Boa parte deles está sendo generosamente indenizada pelo governo brasileiro. Patati-patatá.

    A ditadura brasileira é considerada de direita. Os que foram perseguidos por ela são, em geral, considerados de esquerda (embora nem todos o fossem, é bom que se diga: a esquerda não teve nenhuma exclusividade na luta contra a ditadura brasileira).

    No caso da sanguinária ditadura cubana, houve mortes (ninguém pode esquecer "el paredón"), houve gente que foi expulsa, houve gente que teve de sair de lá fugida para não morrer. Perderam todos os bens e propriedades que tinham. Foram para Miami. Lá se estabeleceram e muitos deles se enriqueceram através de seu trabalho, tornando-se multimilionários.

    A ditadura cubana é comunista -- ditadura de esquerda. Os que foram perseguidos por ela são, em geral, considerados de direita.

    O que se nota agora é que a esquerda mundial, incluindo nossa esquerdinha chique (a esquerda chamada Pierre Cardin ou cu de veludo, composta de auto-denominados intelectuais, e que inclui, entre os intelectuais, artistas de novela, cantantes, etc. -- se bobear até jogador de futebol famoso vira intelectual no Brasil se estiver do lado ideológico certo), trata a ditadura cubana e suas vítimas de forma diferente da que tratou a ditadura brasileira e suas vítimas.

    Fidel não é, para a esquerda, um pulha. É um herói, que trata bem os cubanos, tanto que é admirado até por um carregador de malas (a mensagem está circulando na Internet). Se procurar bem, a esquerda vai achar engraxates, limpa-botas, putas, travestis, etc., que acham o fétido ditador uma pessoa profundamente humana, atenciosa com os humildes, até carinhosa com gente que, segundo o ideário socialista, não deveria estar recebendo toda essa atenção, porque lá todo mundo seria igual, do ponto de vista econômica e social, não é mesmo? Igualmente pobre e miserável e igualmente oprimido, é o que quero dizer -- com a exceção de Fidel, Raúl e uns poucos apaniguados.

    Em suma: os ditadores militares brasileiros foram uns pulhas, uns canalhas, etc. etc. O ditador militar cubano é um herói profundamente humano para a esquerda. Ele está há quase 50 anos no poder, não porque nunca fez eleições -- mas porque o povo cubano o adora!!! Para nós mortais que não somos de esquerda é difícil entender porque o déspota cubano nunca decidiu testar a adoração dos seus súditos.

    Mas continuo.

    Os que foram mandados para fora do Brasil, estes são os heróis aqui. Continuam a ser heróis mesmo depois que se provou que estavam envolvidos em corrupção (só porque foram aprendizes de guerrilheiros na selva). Ninguém nunca duvidou de sua brasilidade e de seu direito de voltar e assumir posições de proeminência no cenário nacional.

    No caso de Cuba, a esquerda demonizou aqueles que Fidel expulsou de Cuba ou obrigou a se exilarem em Miami. São pulhas, canalhas, e tudo que é nome feio que que a esquerda chique se permite dizer em público. (Em privado falam palavrões cabeludos como todo mundo quando estão com raiva, como estão agora, que o reinado de Fidel está chegando ao fim). Os cubanos de Miami, para a esquerda, não são cubanos. Se voltarem para Cuba quando Fidel morrer ou cair, não serão vistos como heróis pela esquerda: serão golpistas. Na verdade, não serão considerados nem golpistas, porque para serem considerados golpistas teriam de ser considerados cubanos, e a esquerda se recusa a considerá-los assim. Serão considerados como invasores americanos, a mando de Bush.

    Para a esquerda, diferentemente dos exilados brasileiros que voltaram ao seu país e receberam as boas-vindas da esquerda, os exilados cubanos não têm direito nenhum de voltar à sua terra natal, se estabelecer, um dia se candidatar a deputado, senador ou até mesmo à Presidência de Cuba.

    A esquerda, inclusive a brasileira, tem dois pesos e duas medidas para julgar ditadores e exilados. Esse o sentido da lógica dialética. Se o ditador é de esquerda, é herói. Se o exilado é de esquerda, é herói. Quando são considerados de direita, são pulhas, canalhas, e pior -- sejam ditadores ou exilados.

    A esquerda está querendo caracterizar as movimentações dos cubanos de Miami para voltar à sua terra natal como tentativa de invasão da ilha pelos americanos -- não como planos de exilados cubanos para o retorno à casa depois de quase 50 anos de exílio. A esquerda diz que o povo cubano corre risco de ser atacado -- e sua autonomia corre o risco de ser violada. Como se essa autonomia não viesse sendo sistematicamente violada nos últimos 50 anos por um ditador despótico e sanguinário, que não reconhece a liberdade de expressão, de associação e de ir-e-vir de seu povo, bota na cadeia quem critica o regime, prende e arrebenta, mata friamente. O que os cubanos de Miami vão fazer é ajudar os seus irmãos -- que sofreram por 50 anos na própria casa, não conseguindo fugir, apesar das tentativas de fuga em bóias de pneu, em jandadas e barcos improvisados -- a restabelecer a autonomia que o povo cubano perdeu a partir de 1959.

    Quem está disposto a defender o povo cubano que não conseguiu fugir de casa é, agora, o povo cubano que precisou e pode fugir para Miami, e que agora vai voltar -- e, suspeito, ser considerado como herói, como deve, pelo povo cubano que vai ser liberado.

    Está próxima a hora de verificarmos se o povo cubano adorava mesmo Fidel -- ou se era puro medo. Está próxima a hora de ver o que o povo cubano prefere, depois de 50 anos de ditadura e doutrinação comunista.

    Viva Cuba! Viva o povo cubano! Fora Fidel e os comunistas.

    Torço para que Fidel recupere a sua saúde para ser colocado no "paredón", como fez com tantos. Mas suspeito que os cubanos se contentarão com prendê-lo e deixá-lo morrer com o triste recorde de ditador mais longo e sanguinário da história de Cuba. São mais civilizados do que ele.

    Em Perth, Austrália, 10 de agosto de 2006 (9 de agosto aí no Brasil).

    7/18/2006

    Educação fiscal

    No dia 16/7/2006 coloquei em minha lista de discussão "4pilares" a mensagem abaixo, descrita, na linha de assunto, como "Educação Fiscal", acompanhada de uma lista das alíquotas de impostos que incidem sobre produtos de consumo básico (que recebi de Winston Ling pela Internet, mas é atribuída ao IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário).
     
    Eis a mensagem:
     
    -----
     
    Pode parecer off-topic nesta lista, mas acredito que não seja. Nós todos somos, como cidadãos brasileiros, absolutamente ignorantes dos impostos que pagamos. Repetimos, feito carneirinhos, reclamações do número e do preço de pedágios. Mas o pedágio é, de todas as taxas, uma das mais justas. Paga quem usa -- paga por um serviço. Quem paga está vendo a prestação ali no ato, na forma de boas estradas, de segurança (câmeras interligadas por fibras ópticas), de atenção à saúde (ambulâncias e até mesmo helicópteros, como existem na AutoBan). 
     
    O duro é pagar impostos altíssimos sem nem saber que está pagando, ou quanto. Abaixo, uma tabela, que esclarece isso um pouco. É um absurdo. Em média, 40% do preço de um produto vai para o governo -- para o governo usar você sabe como: fazendo publicidade, viajando, pagando preços superfaturados para receber parte do preço de volta para caixinhas dos partidos (é assim que surge o Caixa 2) ou para os bolsos dos parlamentares. Ou para financiar movimentos criminosos e arruaceiros.
     
    Por isso, apesar de todos esses impostos, o reajuste dos aposentados dos INSS foi vetado pelo Presidente Lulla.
     
    Precisamos começar a nos preocupar com nossa educação fiscal -- e com a de nossos filhos e alunos.
     
    --Eduardo
    ========================
    Eduardo O C Chaves
    eduardo@chaves.com.br
    ========================
     
    LISTA de ALÍQUOTAS:
     
    From: Winston Ling [mailto:winston_ling@yahoo.com]
    Sent: Saturday, 15 July, 2006 23:03
    To:
    Acorda_Brasil@cm-ms5.globat.com
    Subject: É vc quem paga..
     
    Olá,
     
    Não sei se vcs já tiveram acesso a esses números, assim estou tomando a liberdade de enviar-lhes a tabela dos impostos cobrados de alguns produtos brasileiros. Não é por nadad não, mas fiquei impressionado com a taxação de alguns itens básicos de alimentação do brasileiro (trigo, óleo de soja, farinha, etc.).
     
    Mas o duro mesmo, é ver que quase nada temos em troca desses impostos...
     
    Abraços!
     
    QUERO MAIS JUSTIÇA TRIBUTÁRIA NO BRASIL!!!
    NÃO DÁ PRÁ CONTINUAR COM ESSES ÍNDICES DE IMPOSTOS SOBRE COISAS TÃO BÁSICAS PARA UMA VIDA DIGNA!!!!
    DIVULGUEM! VAMOS NOS MOBILIZAR!             
     
    IBPT - INSTITUTO BRASILEIRO DE PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
    Percentual de Tributos sobre o Preço Final
     
    PRODUTO - % Tributo s/preço final
     
    MÓVEIS
     
    Mesa de madeira - 30,57%
    Cadeira de madeira -  30,57%
    Sofá de madeira/plástico -  34,50%
    Armário de madeira - 30,57%
    Cama de madeira - 30,57%
    Outros móveis -  37,56%
     
    MEIOS DE TRANSPORTE POPULARES
     
    Bicicleta - 34,50%
    Motocicleta de até 125 cc - 44,40%
     
    MEIOS DE TRANSPORTE NÃO POPULARES
     
    Motocicleta acima de 125 cc -  49,78%
    Automóvel - 43,63%
     
    FORMAS DE TRANSPORTE
     
    Passagens aéreas - 8,65%
    Transporte rodoviário interestadual de passageiros - 16,65%
    Transporte urbano de passageiros - Metropolitano - 22,98%
    Transporte aéreo de cargas - 8,65%
    Transporte rodoviário interestadual de cargas - 21,65%
     
    MATERIAL DE USO DOMÉSTICO
     
    Vassoura - 26,25%
    Tapete - 34,50%
     
    "UTILITIES"
     
    Conta de água - 29,83%
    Conta de luz - 45,81%
    Conta de telefone - 47,87%
     
    MEDICAMENTOS - 36%
     
    MATERIAIS DE CONSUMO
     
    Roupas - 37,84%
    Sapatos - 37,37%
    Cigarro - 81,68%
    Gasolina - 57,03%
     
    PRODUTOS ALIMENTÍCIOS BÁSICOS
      
    Carne bovina - 18,63%
    Frango - 17,91%
    Peixe - 18,02%
    Sal - 29,48%
    Arroz - 18%
    Óleo de soja - 37,18%
    Farinha de trigo - 34,47%
    Feijão - 18%
    Açúcar - 40,4%
    Leite - 33,63%
    Café - 36,52%
    Macarrão - 35,20%
    Margarina - 37,18%
    Molho de tomate - 36,66%
    Ervilha - 35,86%
    Milho verde - 37,37%
    Biscoito - 38,5%
    Chocolate - 32%
    Achocolatado - 37,84%
    Ovos - 21,79%
    Frutas - 22,98%
    Álcool - 43,28%
    Detergente - 40,50%
    Saponáceo - 40,50%
    Sabão em barra - 40,50%
    Sabão em pó - 42,27%
    Desinfetante - 37,84%
    Água sanitária - 37,84%
    Esponja de aço - 44,35%
     
    PRODUTOS BÁSICOS DE HIGIENE
      
    Sabonete - 42%
    Xampu - 52,35%
    Condicionador - 47,01%
    Desodorante - 47,25%
    Aparelho de barbear - 41,98%
    Papel Higiênico - 40,50%
    Pasta de Dente - 42,00%
     
    MATERIAL ESCOLAR
      
    Caneta - 48,69%
    Lápis - 36,19%
    Borracha - 44,39%
    Estojo - 41,53%
    Pastas plásticas - 41,17%
    Agenda - 44,39%
    Papel sulfite - 38,97%
    Livros - 13,18%
    Papel - 38,97%
    Mochilas - 40,82%
    Régua - 45,85%
    Pincel - 36,90%
    Tinta plástica - 37,42%
     
    BEBIDAS
      
    Refresco em pó - 38,32%
    Suco - 37,84%
    Água - 45,11%
    Cerveja - 56%
    Cachaça - 83,07%
    Refrigerante - 47%
    CD - 47,25%
    DVD - 51,59%
    Brinquedos - 41,98%
     
    LOUÇAS
      
    Pratos - 44,76%
    Copos - 45,60%
    Garrafa térmica - 43,16%
    Talheres - 42,70%
    Panelas - 44,47%
     
    PRODUTOS DE CAMA, MESA E BANHO
      
    Toalhas - (mesa e banho) - 36,33%
    Lençol - 37,51%
    Travesseiro - 36%
    Cobertor - 37,42%
     
    ELETRODOMÉSTICOS
      
    Fogão - 39,50%
    Microondas - 56,99%
    Ferro de Passar - 44,35%
    Telefone Celular - 41,00%
    Liquidificador - 43,64%
    Ventilador - 43,16%
    Refrigerador - 47,06%
    Vídeo-cassete - 52,06%
    Aparelho de som - 38,00%
    Computador - 38,00%
    Batedeira - 43,64%
     
    CASA E MATERIAL DE CONSTRUÇÃO
      
    Casa popular - 49,02%
    Telha - 34,47%
    Tijolo - 34,23%
    Vaso sanitário - 44,11%
    Tinta - 45,77%
    Fertilizantes - 27,07%
     
    MENSALIDADES ESCOLARES - 37,68% (COM ISS DE 5%)
     
      
    DIVULGUEM!!!!!!!!
     
    A mudança do Brasil depende também de você !!!
     
    -----
     
    Recebi uma resposta, em privado, de alguém que se descreveu e manifestou assim:
     
    -----
    From: [nome omitido]
    Sent: Monday, 17 July, 2006 14:30
    To:
    eduardo@chaves.com.br
    Subject: educação fiscal
     
    boa tarde eduardo. meu noime é lilian. sou de [nome da cidade] e trabalho na secretaria da fazenda. a [sic] 3 anos estou trabalhando com educação fsical [sic].
     
    o négócio, eduardo, é alem de pedir a nota e, assim, evitar a sonegação, é o cidadão se dispor a acompanhar os atos do governo. a fiscalizar o uso do dinheiro publico.
     
    neste programa de educação fiscal, temos tido muito sucesso com as crianças, pois, os adultos... estes querem a lei de gerson. querem levar vantagem, sonegar. não está sendo fácil, mas estamos plantando sementes
     
    um abraço
     
    [nome]
    equipe educação fiscal
    [nome da cidada]
     
    -----
     
    A recusa do uso de maiúsculas e a pontuação é da missivista.
     
    Respondi da seguinte forma:
     
    -----
     
    From: Eduardo O C Chaves [mailto:eduardo@chaves.com.br]
    Sent: Tuesday, 18 July, 2006 08:01
    To: [nome omitido]
    Subject: RE: educação fiscal

    Quando eu falo em educação fiscal, [nome], eu não estou pensando em educar pessoas para serem melhores pagadores de impostos, mas, sim, em educar pessoas para lutar para pagar a menor quantidade possível de impostos...
     
    --Eduardo
     
    -----
     
    Recebi, em resposta, o que a missivista claramente acredita ser uma lição de moral. Novamente as idiossincrasias de redação (minúsculas, pontuação) são da missivista.
     
    -----
     
    From: [nome omitido]
    Sent: Tuesday, 18 July, 2006 09:21
    To:
    eduardo@chaves.com.br
    Subject: RE: educação fiscal
     
    eduardo !!!
     
    todo cidadão tem direitos e deveres
     
    temos direito á educação, segurança, saúde e todos os outros que são garantidos pela constituição.
    em contrapartida temos deveres.
     
    claro que o mais chato é pagar impostos
     
    p/a que o cidadão exerça seu direito a educação, saude, segurança, etc... é preciso que o GOVERNO construa.
     
    pra realizar tudo isso, o governo precisa de dinheiro
     
    e este dinheiro vem do povo, por meio dos tributos (que se dividem em impostos, taxas e contribuição de melhoria)
     
    o governo não pode cobrar impostos como bem entender... é a constituição federal quem determina quais impostos podem ser cobrados pela UNIÃO, ESTADOS  e MUNICÍPIOS.
     
    E O IMPOSTO PODE SER DIRETO (qdo incide diretamente sobre a pessoa ou patrimonio, como o IR) OU INDIRETO (qdo incide sobre mercadorias, neste caso atingindo os mais pobres, que consumem tais produtos)
     
    são impostos da união: importação de produtos estrangeiros e de exportação; IR (o mais importante), IOF (imposto sobre operações financeiras), IPI (imposto sobre produtos industrializados), ITR (imposto sobre propriedade territorial rural), IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS.
     
    mas eduardo, a cidadania implica em ficar de olho no $$$ publico
     
    agora os impostos que os estados podem cobrar : ITCMD (imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos de herança), IPVA (imposto sobre a propriedade de veículos automotores), ICMS (imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços)
     
    impostos cobrados pelos municipios : IPTU (p/a quem tem terreno ou imóvel urbano), IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO INTER VIVOS DE BENS IMÓVEIS (ao vender uma casa, terreno, pago na lavratura da escrituta), ISS (pago pelos prestadores de serviços, profissionais liberais, etc...
     
    vc não fica bravo qdo seu imposto de renda vem descontado na fonte, e aí, qdo vai ao dentista, médico, ele te diz que COM NOTA é um preço, e SEM NOTA é outro... É JUSTO ISSO EDUARDO???? vc paga e ele sonega...)
     
    bem, lutar p/a pagar a menor quantidade possivel de impostos é uma coisa, mas SONEGAR É OUTRA.
     
    mesmo porque quem paga o imposto corretamente tem o direito e o dever de  controlar, reclamar e exigir
    ser cidadão é pagar impostos, e é certo que eles deveriam ser menores, mas ser cidadão é tambem saber escolher corretamente seus candidatos, fiscalizar o uso do 444 publico, apoiar governos honestos
    uma coisa eu ensino a meus filhos: tudo nesta vida tem o lado da  sacanagem e o lado certo.
     
    fazer a coisa certa é sempre mais dificil , pois nos sentimos Um só caminhando contra a correnteza.
    trabalhar com educação fiscal abriu meus olhos p/a a falta de cidadania que eu estava vivendo.
    hj eu sou mais exigente comigo mesma e com o resto.
     
    não sou conivente com o "jeitinho"
     
    critico na cara os pais que param em fila dupla na porta da escola e trancam os carros e vão pegar seus filhos lá dentro...
     
    a falta de educação no transito...
     
    os produtos pirateados...
     
    vc está lembrado da invasão do movimento das mulheres camponesas em março deste ano na fazenda aracruz? em nome da ignorancia, elas destruiram décadas de pesquisa... dinheiro investido... esforço dos pesquisadores...
     
    é certo isso???
     
    eduardo, nossa luta é esta; educar o cidadão a ser consicente, por iso o programa chama-se EDUCAÇÃO FISCAL  e não EDUCAÇÃO TRIBUTÁRIA
     
    E  EDUCAÇÃO FISCAL começa com a EDUCAÇÃO... e não com FISCAL.
     
    não queremos treinar ninguem a ser pagadores de impostos.
     
    queremos conscientiza-los p/a a função socioeconomica dos impostos.
     
    que está nas mãos do cidadão ter um a sociedade mais equilibrada.
     
    ok?
     
    um abraço
     
    [nome]
    EDUCAÇÃO FISCAL [nome da cidade]
     
    -----
     
    O que dizer a quem adota uma postura como a da missivista?
     
    Em primeiro lugar, devo distinguir entre a questão do pagamento de impostos, in abstracto, isto é, em teoria, em princípio, e o pagamento de impostos in concreto, isto é, no Brasil de hoje, com a Constituição que possui e com outras excrescências jurídicas e políticas.
     
    Vou procurar discutir a questão nos dois níveis, sem deixar de fazer referência a outro artigo meu neste "Space", publicado em 22/8/2005, que teve o título de "Impostos e taxas (e mais: contribuições, empréstimos compulsórios, etc.)".

     
    A Questão in Abstracto
     
    Não é segredo para nenhum dos leitores deste blog de que sou um liberal ao estilo clássico que está convencido de que "o melhor governo é o que menos governa" e que defende, portanto, um Estado Mínimo, que possui, apenas, três funções básicas: legislar (função legislativa), fazer cumprir as leis (função jurídica) e manter a lei e a ordem (função policial-militar). Meu Estado Mínimo tem apenas essas funções, que, de certo modo, se resumem em resguardar os direitos individuais: à vida e à integridade física, à liberdade (de expressão, de locomoção, de associação, e de ação na busca dos meios que lhe garantam a felicidade), e à propriedade dos recursos e bens gerados pelo seu trabalho. Cada indivíduo, no exercício dos seus direitos, tem dois deveres básicos: (a) respeitar iguais direitos dos demais indivíduos e (b) custear, através de impostos e taxas, a estrutura do Estado Mínimo, ou seja, o governo. Mas ele só tem o dever de custear essas funções do estado -- e o governo tem o dever de prestar contas do uso dos impostos e taxas que lhe foram pagos.
     
    Os direitos individuais que o Liberalismo Clássico defende são corretamente chamados de "direitos formais" ou "direitos negativos". O único dever que eles impõem a cada cidadão é o dever de não desrespeitar, violar, etc. os direitos de seus co-cidadãos. Se eu não agir em desrespeito ou violação dos direitos dos demais, estarei cumprindo meu dever para com eles. Além desse dever, e o de sustentar a estrutura do Estado Mínimo, o Liberalismo Clássico não impõe nenhum outro dever ao cidadão. O cidadão, enquanto tal, não tem o dever de ajudar os seus co-cidadãos, ainda que extremamente necessitados, ou de custear algum tipo de ajuda a eles por parte do governo. O indivíduo ajuda apenas quando sua consciência lhe determinar, e ajuda quem ele acha que merece ajuda, da forma que achar mais adequada, e pelo tempo que achar que faz sentido.


    A Questão in Concreto, no Brasil
     
    Não é segredo para ninguém que nossa Constituição Federal é uma excrescência. Definiu direitos -- que, para mim, são supostos direitos -- sociais, econômicos, ambientais, e sabe-se lá de que outro tipo. Não há dúvida de que seja a mais "generosa" das constituições atuais.
     
    A Constituição Federal, ao irresponsavelmente criar direitos chamados positivos, impôs uma série de deveres a pessoas que não são beneficiárias desses direitos. Como é impossível obrigar alguém a ajudar o outro diretamente (dando-lhe educação, saúde, etc. etc.), a Constituição Federal caracterizou o dever de respeitar esses direitos positivos que ela criou como sendo do Estado, vale dizer, do governo. "Educação, direito de todos, dever do Estado". E assim por diante.
     
    Acontece que o Estado (apesar de, hoje em dia, emitir e controlar a moeda) não gera um centavo recursos. Qualquer centavo que o governo gaste sai, em última instância, do meu, do seu, do nosso bolso.
     
    Assim, dizer que, aos supostos direitos criados pela Constituição Federal, corresponde um "dever do Estado" é, inegavelmente, impor uma série de deveres a todo cidadão que paga impostos -- e todos nós pagamos, até o mais pobre (pois imposto indireto não deixa de ser imposto por ser "invisível").
     
    Conseqüência: quando o governo dá milhões de reais ao MSLT, entidade arruaceira, criminosa e irresponsávei que destruiu parte das instalações do Congresso, ele está impondo a mim, a você, a todos nós o dever de custear essa organização arruaceira, criminosa e irresponsável e de manter os vagabundos e criminosos que vivem dela. 99,9% dos brasileiros, em sã consciência, nunca dariam seu dinheiro a organizações desse tipo. Mas, mediante os impostos que pagamos, todos nós nos tornamos cúmplices da existência desse absurdo.
    O Bolsa Família talvez seja o mais fraudado de todos os programas do governo federal. Ele é custeado por mim, por você, por todos nós.
     
    O dinheiro que é roubado pelo superfaturamento de ambulâncias e outros bens e pela devolução aos políticos que patrocinam essas "emendas orçamentárias", vai para o bolso de políticos ladrões que a Justiça nos impede de conhecer -- mas nós sabemos muito de quem é o bolso do qual esse dinheiro sai.
    Nosso sistema fiscal-tributário é um absurdo. Dou um pequeno exemplo.
     
    Tenho uma pequena empresa de consultoria em Campinas. A empresa tem quase 10 anos de existência e eu moro em Campinas desde 1964 (exceto pelo período em que estudei e trabalhei no exterior, de 1967 a 1974). Meus principais clientes todos têm sede na cidade de São Paulo. O Sr. José Serra, que, se eleito governador, será o chefe maior da missivista, criou uma lei, enquanto prefeito da cidade de São Paulo, que obriga empresas prestadoras de serviço com sede em outras cidades, mas que tenham clientes na cidade de São Paulo, a se cadastrarem na Prefeitura, apresentando uma enormidade de documentos, para comprovar que sua sede é realmente na cidade em que afirmam ter sede. Recuso-me a fazer isso. Se o governo da cidade de São Paulo tem alguma evidência de que eu estou mentindo para pagar menos ISS, ele que me acuse disso e prove a acusação. Eu não reconheço a obrigação de provar que a sede de minha empresa é onde a Nota Fiscal dela diz que é. Resultado: envio as Notas Fiscais para meus clientes, e eles, além de deduzirem de meu pagamento, na fonte, os valores correspondentes o pagamento de IRPJ (1,5%), CSL (1,0%), COFINS (3%), e PIS (0,65%), deduzem também os 5% de ISS, que eu deveria pagar em Campinas, cidade em que o ISS é também de 5%. Meu procedimento: como o ISS já foi pago à cidade de São Paulo, não o pago em Campinas. Não vou pagar o ISS duas vezes. Se Campinas reclamar, o que vai fazer, vou entrar com uma ação provando que o ISS foi deduzido na fonte, à minha revelia, pela fonte pagadora, por ordem da Prefeitura Municipal de São Paulo. Se a Prefeitura de Campinas quiser, que reclame o valor junto à Prefeitura de São Paulo. E que a Justiça decida.


    Educação Fiscal
     
    Neste contexto atual aqui no Brasil, é abusar do termo "educação" chamar de Educação Fiscal programas que visem a doutrinar e condicionar as crianças para, um dia, pagarem impostos (seja lá quais forem, e com as alíqüitas que o governo resolver impor). O programa que a missivista apresenta e defende é um programa governamental cujo único objetivo é aumentar os recursos nos cofres do governo.
     
    No contexto atual aqui no Brasil o que seria uma real Educação Fiscal seria um programa que conscientizasse a população acerca do absurdo que é a nossa carga tributária (direta e indireta), do pouco que retorna à população, na forma de serviços, dos impostos pagos, e que a capacitasse para resistir a esse roubo do nosso dinheiro que é permitido, à luz do dia, por essa absurda estrutura fiscal-tributária brasileira. Resistir mesmo. Na Justiça, se for possível.

    Em Salto, 18 de julho de 2006

    Não vote em branco nem anule seu voto

    [Este artigo é uma adaptação de algo que recebi pela Internet (em formato pps). Mantive a essência, mas alterei um pouco a redação e os cálculos e procurei reforçar os argumentos]
     
    Está em curso, no momento, pela Internet, uma campanha pelo voto BRANCO ou NULO. Estão tentando nos convencer a, nas próximas eleições, votar ou BRANCO ou NULO para Presidente do Brasil.
     
    Vou tentar mostrar aqui que essa campanha vai resultar, fatalmente, na continuidade no Palácio do Planalto da nulidade que hoje lá se encontra e que se chama Lulla da Silva. 
     
    Muita gente, quando ouve falar nessa campanha, imagina que ela está sendo patrocinada pelos que se enojaram diante da corrupção e da incompetência do atual governo, do Lulla e do PT. Parece razoável imaginar isso.
     
    Mas cuidado. É preciso olhar além das aparências. Vejamos a seguir alguns fatos e considerações importantes.
    No sistema eleitoral brasileiro o total dos VOTOS VALIDOS corresponde ao total de todos os votos efetivamente dados na eleição MENOS OS VOTOS BRANCOS E NULOS.
     
    Vejamos…
     
    O Brasil tem, aproximadamente, 115 milhões de eleitores. Esses são os votos possíveis. Um certo percentual de eleitores não vota, no Brasil, apesar de o voto aqui ser obrigatório. Digamos que sejam 5 milhões (4,3% dos eleitores) os brasileiros que deixem de votar nas próximas eleições.
     
    Então, vamos calcular...
     
    As últimas pesquisas de intenção de voto indicam que cerca 13% dos consultados pretendem votar em branco ou anular seu voto. Isso quer dizer, a se confirmar essa intenção, que cerca de 14,3 milhões de eleitores que vão votar já decidiram não colocar na urna um voto válido. (O voto hoje é eletrônico, mas a imagem de colocar voto na urna está sacramentada).
     
    As últimas pesquisas também indicam que cerca de 10% dos consultados afirmam que NÃO SABEM em quem vão votar. É bem possível que, na hora de votar, eles também votem em branco ou anulem seu voto. Isso acrescentaria mais 11 milhões de votos BRANCOS e NULOS ao número já alcançado.
     
    Total de votos BRANCOS e NULOS: 14,3 + 11 = 25,3 milhões.
     
    Total dos VOTOS VÁLIDOS: 110 – 25,3 = 84,7 milhões.
     
    A maioria das pessoas imagina que, para alguém se eleger presidente, ele precisa ter maioria absoluta dos votos dados no primeiro ou no segundo turno – e maioria é metade mais um, certo? Segundo essa idéia, o candidato eleito teria de alcançar 55.000.001 votos, se o número de votantes fosse exatamente 110 milhões.
    Mas essa impressão está TOTALMENTE ERRADA: para alguém se eleger presidente ele precisa obter, no primeiro ou no segundo turno, MAIORIA ABSOLUTA DOS VOTOS VÁLIDOS. Ou seja: para se eleger, um candidato não precisa ter 55.000.001 votos, mas, sim, apenas 42.350.001 votos (que é metade dos votos válidos mais um).
     
    Metade mais um dos VOTOS VÁLIDOS representa apenas 36,8% dos eleitores brasileiros – ou 38,5% dos eleitores brasileiros votantes. Esse percentual está muito próximo do percentual de "votos cativos" do Lulla, isto é, do percentual de votos que ele recebeu nas três eleições para Presidente que perdeu.
     
    Conclusão:
     
    Mesmo que essa não seja sua intenção, a campanha para que votemos BRANCO ou NULO tem como resultado diminuir a quantidade de votos que esse governo corrupto e incompetente necessita para se reeleger, permitindo que o Lulla se reeleja apenas com o percentual de votos que tradicionalmente não foi suficientes, em três eleições seguidas, para elegê-lo. Em 2002 o Lulla só se elegeu porque boa parte do eleitorado das classes A e B votou  nele -- para lhe dar uma chance. Sem esses votos do eleitorado das classes A e B ele nunca teria sido eleito. Se esse eleitorado voltar contra o Lulla na próxima eleição, ele pode perder no primeiro turno... Entretanto, nesta próxima eleição estão tentando convencer esse eleitorado, que é o mais bem informado, a votar BRANCO ou NULO, para expressar sua frustração com a corrupção e a incompetência do atual Presidente da República e sua quadrilha (palavra usada para se referir aos asseclas do Presidente pelo Procurador Geral da República).
     
    É evidente que o governo atual tem todo interesse em patrocinar (secretamente) essa campanha pelo voto BRANCO ou NULO, porque é no seu interesse aumentar ao máximo o número daqueles que votam BRANCO ou NULO, pois esses votos serão, na próxima eleição, em sua maioria absoluta, votos conscientes de protesto, que, se não fossem BRANCO ou NULO, nunca seriam do Lulla... Mas NUNCA MESMO!
     
    Para nós, descontentes com toda a sujeira patrocinada pelo atual governo, o voto BRANCO e NULO só teria impacto significativo se atingisse metade mais um dos votos... Neste caso a eleição teria de ser cancelada. Mas isso é virtualmente impossível de ocorrer.
     
    O governo federal e o PT estão apostando na nossa FALTA DE ATENÇÃO às armações que eles criam para nos ludibriar.
     
    Lembre-se: ao darem o resultado da ultima pesquisa IBOP/Rede Globo todos os meios de comunicação diziam que o Lulla ganharia já no Primeiro Turno. 
     
    A imprensa, porém, não explicou direitinho duas coisas:
     
    a) A pesquisa só consultou eleitores das classes C e D... (de onde saem os eleitores tradicionais do Lulla, os seus "votos cativos")
     
    b) Lulla só ganharia no Primeiro Turno se o percentual de votos BRANCOS e NULOS fosse o da pesquisa OU MAIOR...
     
    É por isso que, segundo a pesquisa, Lulla ganharia no Primeiro Turno com apenas cerca de 43% dos votos (e mesmo assim, de uma pesquisa que não cobriu todo o eleitorado)...
     
    O Hugo Chavez, Presidente da Venezuela e amigo intimo do Lula, foi reeleito com apenas... pasmem... 25% dos votos dos venezuelanos...
     
    Eles querem dar o mesmo golpe aqui.
     
    E tem mais...
     
    O Lulla... que já está em campanha desde dezembro do ano passado, se fazendo de bom moço e, pior, querendo dizer que governa e governou, só tem interesse em desinformar e ludibriar os brasileiros.
     
    Brasileiro! Não se deixe enganar. Não vote BRANCO ou NULO nas próximas eleições. Compareça e VOTE CONTRA O LULLA. Vote no candidato que tiver melhor chance de derrota-lo. CHANCE REAL. A situação atual é crítica. Não jogue fora seu voto ajudando a reeleger Lulla.
     
    Vamos DERROTAR O LULLA JÁ NO PRIMEIRO TURNO. É possível.
     
    LULLA NUNCA MAIS... nem ele, nem a quadrilha dele.
     
    Não se deixe enganar... Quem deu 5,5 milhões do dinheiro público para criminosos e arruaceiros não pode ser honesto. Os votos que ele tem são comprados com as inúmeras bolsas que ele criou.
     
    Em Salto, 18 de julho de 2006
    5/16/2006

    Existe um "direito ao respeito"???

    [Transcrevo - EC]

    Catholic Leaders Need to Show a Little Respect for Freedom

    By Debi Ghate

    This summer's blockbuster movie "The Da Vinci Code" is set to hit the big screen surrounded by controversy. Some Catholic leaders have asked their faithful to speak out against the film and to boycott it. Some bishops, however, take it even further than that. Archbishop Angelo Amato, a high-ranking Catholic official, says the movie is full of "offences, slander, historical and theological errors concerning Jesus, the gospel and the Church," which if "directed towards the Koran or the Shoah would have justifiably provoked a worldwide revolt. Yet because they were directed toward the Catholic Church, they remain unpunished." And Cardinal-Bishop Francis Arinze, a Papal candidate last year, added ominously: "Those who blaspheme Christ and get away with it are exploiting the Christian readiness to forgive and forget and to love even those who insult us. There are some religions that if you insult their founder they will not be just talking. They will make it painfully clear to you." (Emphases mine)

    In issuing such veiled threats, the bishops are no doubt hinting at the vehement Muslim reaction to the Danish cartoons. In a frenzy of violence, Danish embassies were torched, people were murdered and the cartoonists went into hiding as protestors carried signs with slogans such as "Massacre those who insult Islam."

    How can the bishops possibly call such actions justified and suggest that Christians imitate them?

    Because, they claim, a person has a right to have his core beliefs respected--a right the cartoonists and filmmakers violated. "This is one of the fundamental human rights," Cardinal-Bishop Arinze pronounced in a statement eerily reminiscent of what Imams said regarding the Danish cartoons: "that we should be respected, our religious beliefs respected, and our founder Jesus Christ respected." The Bishops are demanding respect--but can respect be demanded?

    To respect something means to hold it in high regard. Respect is something that we reserve for the people and ideas we judge to be worthy of our love and admiration--we reserve it for what we value. Our respect is a precious commodity, used to express our sanction and approval of others and their actions. We respect Thomas Jefferson for writing the Declaration of Independence. We respect American soldiers who defend this great country's values. In contrast, we disrespect, even hate, those who oppose our values. If a white supremacist comes to your town to deliver a speech advocating that non-whites should be corralled and shot, do you have an obligation to respect his beliefs? Or should you speak out against what you consider to be evil, and in favor of what you judge to be good? And other cases are harder to judge. If your neighbor believes that a hard-working Mexican busboy should be deported because he is here without a work permit, do you have an obligation to respect that belief?

    By suggesting that there is a "right to respect." the bishops are clamoring that we owe them respect regardless of whether we think their beliefs are true or false, worthy of our admiration or denunciation. Many people, of course, do respect the Catholic Church, but others agree with Enlightenment thinkers like Voltaire, who concluded: "Christianity is the most ridiculous, the most absurd and bloody religion that has ever infected the world." Respect can only be granted willingly, where we judge it to be due, not demanded by those whose ideas we conclude to be false or despicable. There can be no "right" to be respected.

    By claiming that their "rights" have been violated, the bishops are calling for their faithful to demand government protection from "offensive" content. By asking that the filmmakers be punished, they are asking for censorship--for the filmmakers to silence themselves or be silenced by force. And their statements make it clear: If the government won't censor the filmmakers, Christians should make their displeasure "painfully clear." "Respect" granted at the point of a gun is not respect at all--it is a ransom for your life.

    Our Founding Fathers created a revolutionary system that protects each individual's rights, including the right to express his ideas regardless of their popularity or whom they offend. Our country is proof that the system works. Catholics can voice their displeasure, even their disrespect, for a movie; filmmakers can present a controversial story that millions will pay to see. Each can criticize the other and peacefully walk away. It is in that spirit that "The Da Vinci Code" filmmakers have a right to release their movie without the threat of force from Catholic bishops. And this is a right the bishops need to learn to respect.

    Debi Ghate is Vice President of Academic Programs at the Ayn Rand Institute (http://www.aynrand.org/) in Irvine, Calif. The Institute promotes Objectivism, the philosophy of Ayn Rand--author of "Atlas Shrugged" and "The Fountainhead."

     
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    11/4/2005

    Os Estados Unidos e Cuba

    Comento o artigo abaixo sobre o suposto bloqueio dos Estados Unidos a Cuba.

    Acho o máximo esse tipo de história que a esquerda consegue inventar...

    1) Os Estados Unidos não estão nem nunca estiveram bloqueando Cuba (exceto durante o breve episódio da crise dos mísseis, em 1960, em que Kennedy enfrentou Kruschev). Se o que hoje existe fosse algum tipo de bloqueio, todo mundo veria navios e aviões americanos patrulhando a costa e o céu de Cuba para impedir que navios e aviões de outros países chegassem lá com qualquer mercadoria. Isso absolutamente não existe.  A esquerda pretende caracterizar como bloqueio o que de fato é bloqueio – e pretende fazer isso pelo cansaço, pela simples repetição catecísmica ca mesma besteira.

    2) O que os Estados Unidos vêm fazendo com Cuba é um embargo. Sobre quem recai o embargo? Exclusivamente sobre as empresas americanas, que estão proibidas, pelo governo americano, de comercializar com Cuba -- vender e/ou comprar – e sobre os cidadãos americanos, que têm sua liberdade de viajar para Cuba restringida (não podendo viajar diretamente dos Estados Unidos para Cuba: quem quer ir lá (e muitos vão) tem de passar por um outro país e conseguir uma autorização de entrada em Cuba.

    3) Os Estados Unidos não tentam, e se tentassem não conseguiriam, impedir nem mesmo seus aliados mais chegados de comercializar com Cuba. Todos os países do mundo comercializam com Cuba, menos os Estados Unidos. E não tentam, e se tentassem não conseguiriam, proibir cidadãos de outros países de visitar Cuba: eu mesmo já estive lá. Na verdade, os Estados Unidos não conseguem nem mesmo proibir americanos de visitar Cuba: vira e mexe tem americano lá em Cuba. Se é famoso e de oposição ao atual governo, tem grande cobertura da imprensa.

    4) Embargos são atos unilaterais, sim. No momento vários países embargaram a compra de carne bovina brasileira – e o fizeram unilateralmente, sem consultar se o Brasil estava de acordo com o embargo. No caso do embargo dos Estados Unidos contra Cuba, o embargo também é unilateral: foi decretado pelos Estados Unidos, sem consultar se Cuba estava de acordo (pelo jeito não está...), e incide sobre empresas dos Estados Unidos e cidadãos americanos.

    5) A propósito, Fidel Castro tem um embarguinho dele também: proíbe os cubanos de sair de Cuba para os Estados Unidos (porque ele sabe que, se saírem, ficarão por lá).

    6) Não há a menor dúvida de que o embargo foi decidido pelos Estados Unidos para trazer prejuízos econômicos para Cuba, sim... Cuba está vendo, no processo, o quanto é ruim não poder vender nada pros Estados Unidos nem comprar nada dos Estados Unidos. E é bom que veja.

    7) O exercício, por Cuba, do chamado jocosamente de jus sperneandi é prova inequívoca de uma coisa: Cuba quer poder comercializar com os Estados Unidos (porque com o resto dos países do mundo já comercializa, o embargo americano não os afetando).

    8) Cuba, entretanto, não tem direito de comercializar com os Estados Unidos – comercializa apenas se os Estados Unidos quiserem. O Brasil quer vender um número enorme de coisas para a Argentina (por exemplo), que a Argentina não quer comprar do Brasil. Há, nesse caso, um embargo parcial. Comércio é assim mesmo, é algo que exige dois parceiros: se um não quer comercializar, o outro não pode pretender que um direito seu foi lesado. Ponto final.

    9) É o cúmulo da idiotice e da imbecilidade tentar quantificar o prejuízo que Cuba vem tendo com o embargo americano... Seria ótimo ver a memória e a metodologia dos cálculos que levaram aos "54 mil millones de dólares".

    10) Esse negócio de denunciar os Estados Unidos à ONU ou de afirmar que os Estados Unidos estão fazendo terrorismo, ato de guerra, genocídio, etc. contra Cuba é um papo furado que não convence ninguém. Só é repetido por cacoete de quem reza pelo catecismo comunista diariamente.  

    Por fim, pessoalmente acho que os Estados Unidos deveriam levantar o embargo. Acho, porém que só vão levantá-lo quando o Fidel Castro morrer. Não vão querer dar o gostinho ao ditador caribenho de dizer que sua luta foi finalmente bem sucedida.

    Em Chicago, 4 de novembro de 2005

     -----Original Message-----

    From:Antonio Morales
    Sent: Thursday, 03 November, 2005 22:27
    To: discutindo@livremente.net
    Subject: [LivreMente] La ONU y el bloqueo a Cuba

    La ONU y el bloqueo a Cuba

    Rodrigo Santillán Peralbo (*)

    El daño económico causado al pueblo cubano por la aplicación del bloqueo impuesto, unilateralmente, por Estados Unidos desde hace 45 años, asciende a unos 82 mil millones de dólares. A esa monstruosa cifra debe agregársela 54 mil millones de dólares por daños directos a objetivos económicos y sociales por efecto del terrorismo organizado, financiado y ejecutado por Estados Unidos a través de la CIA

    Lucha por la independencia y la unidad de América latina

    Ese bloqueo económico, comercial y financiero practicado por Estados Unidos, es el más prolongado y cruel que haya conocido la historia de la humanidad y forma parte esencial de su política de hostilidad y agresiones contra el pueblo cubano.

    Su objetivo, definido el 6 de abril de 1960, ha sido la destrucción de la Revolución Cubana "a través del desencanto y el desaliento basados en la insatisfacción y las dificultades económicas," negarle dinero y suministros a Cuba, para disminuir los salarios reales y monetarios a fin de causar hambre, desesperación y el derrocamiento del gobierno, según consta en el informe secreto del funcionario del Departamento de Estado, I. D. Mallory, desclasificado en 1991.

    El bloqueo contra Cuba, con sobra de razones, ha sido calificado como genocida conforme con la Convención de Ginebra de 9 de diciembre de 1948, por cuanto son "actos perpetrados con la intención de destruir total o parcialmente a un grupo nacional." Estados Unidos ha pretendido, inútilmente, destruir al pueblo cubano y su Revolución, ya sea con el bloqueo o con otros actos de guerra violatorios de los principios y normativas del Derecho Internacional.

    La Asamblea General de la Organización de Naciones Unidas, resolvió en trece ocasiones, que Estados Unidos ponga fin a esa política de bloqueo que es una política de guerra, perpetrada por la primera potencia mundial, en contra de una República libre y soberana que no ha cometido más delito que ejercer el derecho a la autodeterminación.

    La ONU se apresta a dictar una resolución que condene ese injusto e inhumano bloqueo y lo hará con el apoyo, casi total, de todos los países miembros. Estados Unidos tiene la obligación de acatar las resoluciones de la ONU.

    * Rodrigo Santillán Peralbo: Periodista ecuatoriano, miembro del Consejo Editorial de Altercom, presidió de la Unión Nacional de Periodistas, profesor de la Universidad Central del Ecuador, autor de varios estudios publicados, fue director de la Revista Siempre, ahora integra el Tribunal Contra la Guerra y es columnista del Diario Nacional La Hora.

    10/1/2005

    A cleptocracia do PT

    Lulla conseguiu ultrapassar a si próprio. Foi capaz de criar um escândalo dentro do escândalo. Pior ainda: mostrou que considera natural tudo aquilo que foi objeto do primeiro escândalo – pagar, de diversas maneiras, parlamentares para apoiar medidas de interesse do executivo. E, neste caso, a medida de interesse do executivo não foi nem mesmo algo supostamente de interesse do estado, como poderia argumentar-se ter sido o caso com a mini-reforma da previdência: foi simplesmente proteger o rabo – dele próprio e de outros petistas e, quem sabe, aliados.
     

    [A propósito, diferentemente de muita gente, hoje em dia, que chama de governo apenas o executivo, como se o legislativo e o judiciário não o fossem, eu considero os três poderes como parte do governo – na verdade, no plano federal, como parte integrante e essencial de um só governo. Na verdade, acho possível argumentar que até mesmo os diferentes níveis do governo – federal, estadual e municipal – sejam um só governo, porque a divisão dos poderes entre os ramos executivos, legislativos e judiciários, bem como entre os níveis federal, estaduais e municipais são definidos pelo governo federal – na verdade, pela Constituição Federal e pela legislação complementar. ]

    A compra aberta e deslavada de votos de deputados, pelo executivo federal chefiado por Lulla, para a candidatura à presidência da Câmara do deputado Aldo Rebelo, além de representar interferência claramente indevida de um poder nos afazeres de outro, só não é escândalo para aqueles que parecem ter perdido, se é que um dia o tiveram, o senso moral e o decoro político. A iniciativa dessas ações, vindo daquele que se vangloriou, há poucos meses, de ser o indivíduo mais ético e moral do país, só mostra a que ponto chegamos. Lulla e o PT sempre conseguem surpreender aqueles que imaginavam que havíamos chegado ao fundo do poço.

    Pensando em tudo o que li, vi e ouvi acerca dessa malfadada eleição – e não a chamo malfadada porque esteja querendo sugerir que os outros candidatos teriam sido melhores, não – lembrei-me de algo que uma vez li acerca da atitude da Igreja Católica para com pecadores confessos e hereges. A igreja sempre teve muito mais medo de hereges do que daqueles que pecam – não importa quantos e quão condenáveis sejam seus pecados – e, reconhecendo seus pecados, pedem perdão. Estes, ao se confessarem pecadores à igreja e ao solicitar o perdão que ela pretensamente concede, reconhecem e afirmam a norma moral que a igreja defende e a sua autoridade para impô-la. Os hereges, por outro lado, não só discordam da norma moral ou da doutrina da igreja mas desafiam a autoridade da instituição para definir e impor a normal moral ou a doutrina. São, portanto, muito mais perigosos para a igreja. Para esta um Hans Küng virgem e asceta é muito mais temível do que um exército de padres pederastas e mesmo pedófilos.

    Qual a relevância disso para o que acabamos de testemunhar em Brasília?

    Lulla já havia demonstrado, em mais de uma ocasião, que achava a “crise” política do mensalão um “factóide”, isto é, um fato artificialmente criado pela oposição (ou “pelas elites”), não porque o PT não fizesse aquilo de que era acusado, mas porque não considerava errado o que o PT vinha fazendo.

    Na entrevista dada em Paris, Lulla disse, com todas as letras, em relação ao Caixa Dois, que todo mundo o praticava no Brasil – por que agora invocaram com o Caixa Dois justo com ele??? Sua relutância em pedir perdão ao povo brasileiro, ainda que em nome do partido que representa, decorre deste fato. Sua ora desavergonhada compra de deputados para votar em Aldo Rebelo mostra que Lulla também não considera moralmente errado pagar alguém – em algum tipo de moeda reconhecido como tal pelos dois lados – para votar a favor dos interesses do governo e do partido. Tanto não considera que nem se preocupou em fazê-lo à socapa, nos bastidores, por baixo da mesa, por detrás do pano: fê-lo à luz do dia, anunciando aos quatro ventos que o estava fazendo. Afrontou a nação. E, ao fazer isso, mostrou que não tem senso moral. Ou porque nasceu sem, feito um cego de nascença, ou porque o perdeu em tantas sem-vergonhices que a vida pública lhe propiciou.

    Lulla, se fosse preso e algemado por seus crimes, seria daqueles que não escondem as algemas e tentam cobrir a cara: ele levantaria os braços, mostrando as algemas, e olharia direto nas câmeras dos fotógrafos, para mostrar que não se considera culpado dos crimes de que é acusado e pelos quais estaria, por hipótese, sendo preso. Não se considera culpado, é bom que fique claro de uma vez por todos, não porque não tenha feito aquilo de que é acusado, mas porque não reconhece as normas que tornam suas ações não só falhas morais, mas crimes. 

    O que Lulla está dizendo à nação é que ele, o primeiro mandatário da nação, considera certo e natural não seguir e não cumprir leis que ele acha bobas e babacas e que, de resto, em sua opinião, ninguém cumpre no país, como aquelas relativas a compras de deputados e à manutenção de Caixa Dois. 

    Lulla, ao agir assim, acaba de sacramentar a implantação, de vez, da cleptocracia no país.

    Não creio que haja pessoa sensata e sensível no país que hoje duvide de que o que está acontecendo no PT e no governo federal é roubalheira pura e simples.

    Ou vejamos, começando com a questão do Caixa Dois.

    Se empresários são acusados de crimes fiscais (roubar contra o governo) ao manter um Caixa Dois, por que partidos políticos, deputados e o presidente seriam menos culpados? Por que fazer todo aquele estardalhaço com a Daslu se manter Caixa Dois é algo que até o presidente considera natural?

    Pode ser que ainda haja uns poucos, ignorantes ou de má fé, dispostos a argumentar que o caso do Caixa Dois de uma empresa, como a Daslu, é diferente do caso de partidos políticos, deputados e políticos em geral. O empresário, ao subfaturar e, assim, esconder suas vendas, para dessa forma pagar menos imposto, claramente está lesando o fisco, ou seja, o governo. Mas quem estariam lesando os políticos e seus partidos? O dinheiro que lhes está sendo dado “por fora”, e que, portanto não é contabilizado, não está sendo dado de livre e espontânea vontade por um empresário ou por uma empresa? Quem está sendo lesado ou prejudicado?

    Vou ter de reiterar aqui coisas tão evidentes que deveriam ser óbvias.

    A primeira e fundamental razão (eu, na verdade, diria a única) para a existência de um governo, que legisla, cumpre e faz cumprir leis, é proteger os indivíduos de assaltos à sua pessoa, liberdade e propriedade – ou seja, aos seus direitos individuais. Em troca dessa proteção os cidadãos se dispõem a pagar impostos que custeiam a existência e as atividades desse governo.

    O imposto, é preciso deixar claro, é o preço pago pelo cidadão por um serviço que o governo lhe paga. O dinheiro que o cidadão paga como imposto é propriedade particular e privada do cidadão – da qual ele conscientemente abre mão para comprar um serviço. É preciso que se diga isso, porque às vezes se tem a impressão de que alguns governantes imaginam que o dinheiro que o cidadão ganha é legitimamente do governo e que este, por um ato de graça, deixa que o cidadão usufrua de uma certa parte dele. Isso é um absurdo. O dinheiro que o cidadão paga como imposto é parte de uma transação comercial entre duas partes. Ele é pago ao governo, para uma finalidade específica, que o cidadão reconhece como importante para si próprio. (Vide atrás, em outra matéria neste blog, a distinção que faço entre imposto, contribuição e taxa. Aqui não é preciso retomá-la. O que chamo de imposto aqui inclui todas essas categorias).

    Por que é que empresas e as pessoas em geral sonegam impostos – quando, em suas transações com outras empresas ou pessoas, elas não imaginam que seus fornecedores lhes provejam bens e serviços sem o devido pagamento? Uma empresa que fabrica automóveis não espera que quem lhe forneça matéria prima, peças e componentes não seja pago. Uma empresa pequena ou um indivíduo não espera que quem lhe presta serviços de contabilidade não seja pago. Uma dona de casa não espera que a empregada mensalista ou a faxineira que lhe presta serviços domésticos não seja paga.

    Por que as empresas e o povo em geral esperam que o governo lhes preste serviços sem ter de pagar por esses serviços? Por que é o crime de sonegação desestigmatizado no Brasil – e em vários outros países?

    Há, basicamente, três razões:

    Primeiro, porque as empresas e as pessoas em geral, embora tenham, numa economia de mercado, escolha acerca de que bens e serviços comprar e/ou de quem adquiri-los e por que preço, não têm muita escolha acerca dos serviços que o governo lhes fornece e lhes cobra nem muito menos do preço que lhes é cobrado (que, na maior parte das vezes, não é nem mesmo claro).

    Segundo, porque o governo que hoje temos (“historicamente construído”, como diriam os intelectuais de esquerda) oferece uma gama de serviços muito grande e a maior parte das empresa e dos indivíduos não usa boa parte desses serviços.

    Terceiro, porque as empresas e os indivíduos sabem que o dinheiro pago como imposto ao governo vai ser desperdiçado, mal empregado e mesmo deslavadamente roubado (através da onipresente corrupção que existe em todos os níveis governamentais).

    Vou comentar, rapidamente, cada uma dessas razões.

    A característica de que as pessoas mais se ressentem no seu relacionamento com o governo é a inevitabilidade. A morte e o relacionamento com o governo, com o conseqüente pagamento de impostos, são as duas coisas que muitos consideram exemplificar a noção de inevitabilidade (“death and taxes...”). Não há como fugir do governo. Posso mudar de país – mas no novo país terei de lidar com o governo. O cidadão é como o pobre do ditado. O pobre, como se dizia em tempos politicamente incorretos, muda de dono, mas não muda de sorte. O cidadão pode mudar de país, mas continua na mesma sina, tendo de se relacionar com um governo.

    Em nossas transações, comerciais ou não, com entidades privadas ou pessoas físicas, se não estamos satisfeitos, podemos encerrar a transação, ficar sem um bem ou serviço, ou, então, buscar outro fornecedor. Até o casamento, que, apesar de voluntário, era, uma vez contraído, uma sina da qual só a morte podia nos livrar, é hoje totalmente voluntário, tanto no momento em que é contraído como em qualquer momento subseqüente. Os participantes do contrato nupcial podem hoje, aqui no Brasil, encerrá-lo a qualquer momento, sem precisar invocar falha grave na outra parte, como podem imediatamente, contrair outro matrimonio, sem limite.

    No caso de nosso relacionamento com o governo, não. Aqui no Brasil, se não quero usar os serviços educacionais oferecidos pelo governo, posso recusá-los – mas tenho de continuar a pagar por eles! Na verdade, a esquerda quer nos tolher até mesmo a liberdade, que ainda nos resta, de não usar os serviços, ainda que pagando por eles: ela quer que a educação seja um monopólio estatal, que a prestação de serviços educacionais não esteja aberta à iniciativa privada (como hoje garante a Constituição Federal). É isso que está por trás de toda essa campanha que alardeia, nos campus das universidades brasileiras e na mídia, que educação não é mercadoria. Depois de não ter conseguido fazer da educação um monopólio na Constituição, a esquerda tentou caracterizar a prestação de serviços educacionais como “concessão governamental”: entidades privadas podem ser encarregadas dessa prestação, mas não por direito, apenas por concessão governamental (como hoje o governo faz com emissoras de rádio e televisão).

    O governo decide, unilateralmente, quais serviços ele vai me prestar, mesmo que eu não precise desses serviços ou não os queira, e que preços eu vou pagar por eles, mesmo não os recebendo. Se não pagar esse preço, o governo tem autoridade para, legalmente, tolher a minha liberdade e confiscar (penhorar) os meus bens.

    Da mesma forma que, quando o casamento era, por lei, eterno, o único jeito de se livrar dele era traindo, ou seja, quebrando a lei (o adultério era crime), o único jeito que as empresas e as pessoas, individualmente, têm de não pagar tudo aquilo que o governo quer cobrar delas é sonegando: não têm outra alternativa.

    Passemos a discutir agora a segunda razão.

    As empresas e as pessoas, individualmente, em geral não sonegam quando os serviços prestados pelo governo são necessários ou desejáveis e o preço é justo. A segurança pública é, na realidade, um desses serviços que as empresas e as pessoas físicas pagariam com gosto, se o preço fosse justo, porque é um serviço necessário e desejável. Governos foram implantados para garantir a segurança das pessoas e de suas propriedades bem como a sua liberdade de se expressar, de se associar, de ir e vir, de buscar a sua felicidade como lhes dê na cabeça (desde que respeitando iguais direitos dos demais).

    No entanto, até aqui, naquela função que toda teoria política considera como função governamental essencial (exceção feita aos anarquistas, que se recusam a reconhecer a autoridade de qualquer governo), o governo brasileiro falha – e falha mais, talvez, do que em qualquer outra área! Diante da total ausência de segurança pública no país, em especial nas grandes cidades, as empresas e o povo em geral resolveram tomar a  si a sua própria segurança. Contratam empresas privadas de segurança, ou mesmo seguranças individuais e guarda-costas. Em poucos países cresce tanto a criação de condomínios privados e de blindagem de automóveis.

    Mas deixando de lado serviços de segurança pública, pela qual empresas e indivíduos estariam dispostos a pagar, desde que os serviços fossem efetivamente prestados com qualidade e a um preço justo, governos vêm inventando, e o brasileiro está muito longe de ser exceção, uma quantidade enorme de serviços de que boa parte da população não precisa ou não deseja – ou que poderia obter de fontes privadas a um preço mais barato e com qualidade melhor – e, no entanto, por cuja provisão tem de pagar.

    Boa parte dos brasileiros não usa os serviços educacionais do governo. Muitos até usariam, se a qualidade fosse boa, já que têm de pagar por eles de qualquer maneira. Mas porque a qualidade dos serviços prestados é péssima, quem tem um pouquinho de recurso extra prefere pagar por serviços educacionais de entidades privadas.

    Boa parte dos brasileiros não usa os serviços de saúde do governo. Muitos até usariam, se a qualidade fosse boa, já que têm de pagar por eles de qualquer maneira. Mas porque a qualidade dos serviços prestados é péssima, quem tem um pouquinho de recurso extra prefere pagar por planos de saúde privados.

    Boa parte dos brasileiros não têm a menor utilidade para os serviços de seguridade social (especialmente aposentadoria e pensão), até porque, para quem não é funcionário público, esses serviços são ridículos. Todos usam, apesar dos valores ridículos que os aposentados e pensionistas vindos da iniciativa privada recebem, porque ela é obrigatória. Mas porque a qualidade dos serviços prestados é péssima, quem pode pagar um plano de previdência privada, e muitas empresas possuem planos de pensão próprios para suplementar a previdência oficial, estatal.

    Boa parte dos brasileiros não usa transporte coletivo urbano – que é subsidiado pelo governo e, por isso, se chama transporte público. Só o utiliza quem não pode comprar e custear um automóvel próprio. É verdade que quando o serviço de transporte público é de qualidade, como é o caso de alguns metrôs brasileiros, mesmo quem tem automóvel o utiliza – embora seja virtualmente impossível utiliza-lo nos horários de pico: é preferível ficar parado dentro do carro nas marginais, pois pelo menos ali, apesar da possibilidade de um assalto, se tem mais privacidade, e as mulheres não têm de se sujeitar às chamadas “encoxadas” e às passadas de mão.

    E assim vai. A lista de serviços públicos que o governo oferece, que boa parte da população não usa (por ser de qualidade ruim), e, no entanto, tem de pagar, é interminável – e cresce a cada dia. Diante disso, muitos consideram justo (além de necessário, para a sobrevivência), sonegar. Mesmo sonegando, estão certamente pagando mais para o governo do que recebem dele na forma de serviços.

    Quando se compara o chamado “custo Brasil”, ou seja, os impostos que os brasileiros, pessoas jurídicas ou físicas, pagam, com os impostos de outros países vizinhos, como o Chile, dá vontade de mudar para o Chile – e olhem que o Chile não é nem um paraíso fiscal. O que o Chile mostra é que um governo pode subsistir e prestar aos cidadãos serviços básicos de qualidade, a um custo razoável. Quando isso acontece, a sonegação virtualmente desaparece.

    Agora, quanto à terceira razão.

    O governo brasileiro é incompetente (e, por isso, desperdiça dinheiro pago pelos cidadãos na forma de impostos) e corrupto (e, por isso, rouba, apropria para fins privados, aquilo que deveria estar sendo usado para fins públicos legítimos).

    Há várias formas em que o desperdício se manifesta. Todo político eleito para cargo executivo quer “deixar sua marca”. Por isso, em geral abandona obras iniciadas por seus antecessores. Todos nós vemos, o tempo todo, obras públicas abandonadas. Estradas, pontes, viadutos, túneis iniciados e não terminados. Recentemente a imprensa anunciou que, em São Paulo, partes de estações de metrô, que configura quase uma estação completa, foram construídas e nunca utilizadas. Passados diversos anos, em que foram usadas como depósito de material inservível, terão de ser destruídas para que novas instalações sejam construídas – porque mudou a tecnologia de construção de metrôs, mudaram as necessidades, mudaram as prioridades políticas. Edifícios inteiros restam inacabados – durante anos. Às vezes têm de ser implodidos, porque a estrutura, ficando a descoberto, se deteriorou.

    Material permanente de toda a sorte é deixado sem uso. Material de consumo é jogado fora. Funcionários levam para casa, como se fossem seus, materiais de consumo, ou mesmo permanentes. Materiais de consumo são adquiridos – lembro-me das famosas toalhas de banho feitas com material importado do Egito no Palácio do Planalto – de qualidade muito acima do que seria necessário. Lulla comprou um avião importado para seu próprio uso quando um avião nacional, bem mais barato, poderia ter sido adquirido – com a vantagem de prestigiar a indústria nacional, e com a única desvantagem de que, em vôos mais longos, seria necessária uma escala ou duas a mais.

    Uma empresa, ou uma pessoa física (como o dono de uma empresa), quando vai gastar dinheiro, procura não desperdiçar, porque o dinheiro é seu, e, portanto, ele tem todo interesse em usa-lo o melhor possível. O agente público, quando vai gastar, não gasta dinheiro seu – e, portanto, não tem, em relação ao dinheiro público, aquele cuidado que o agente privado tem em relação ao seu próprio dinheiro. Isso mesmo que não haja a menor suspeita de corrupção, de roubo. Mesmo no caso de despesas legítimas, o agente público não tem incentivos para gastar da melhor forma possível – daí o desperdício.

    No tocante à corrupção, o problema é ainda mais sério, pois se trata de roubo, de apropriação indébita, para fins privados e pessoais, de recursos que não pertencem ao governo – e que, em última instância, pertencem ao conjunto dos cidadãos que pagam impostos.

    A roubalheira no Brasil é tanta que os diferentes agentes governamentais, que deveriam ser os protetores dos direitos individuais da pessoa, da liberdade e da propriedade do cidadão, vêm se tornando, no Brasil, aos poucos, mas de forma cada vez mais acentuada, a maior ameaça a esses direitos. As empresas e as pessoas têm medo do governo no Brasil, porque vêem o governo, não como o protetor e garantidor de seus direitos, mas como uma ameaça a eles.

    O brasileiro em geral não acredita no governo. Nem a velhinha de Taubaté, imortalizada por Luiz Fernando Veríssimo, sobreviveu aos escandaloso do PT. Seu autor a matou – sem pedir desculpas por ter ajudado a eleger o governo que o obrigou a extermina-la. E o brasileiro tem boas razões para não acreditar no governo. Políticos em geral mentem com a cara mais deslavada. Há alguém neste país que acredite que o José Dirceu não sabia de nada do que se passava no PT e no governo? Que Lulla não sabia de nada?

    O brasileiro em geral acha que os governantes mentem porque são corruptos. O povo acha que todo político é corrupto, ladrão e sem-vergonha. Muitos acham que o mesmo se aplica a todo funcionário público, desde o mais alto até o mais baixo na hierarquia. O funcionário público não cumpre horário, não trabalha quando está na repartição, considera-se uma autoridade ainda que seja um reles contínuo porteiro, é mal-educado e abusado – é essa a percepção do cidadão. Além disso, é doido por para se apropriar de bens públicos – dos mais valiosos até os lápis, canetinhas, bloquinhos, clipes, post-its, pastas de arquivar, cadernos, papel de impressora e xérox, disquetes, cartuchos de tinta, etc. (Também funcionários de empresas privadas cometem esses pequenos delitos no Brasil, é verdade. Mas a percepção do cidadão é de que o funcionário de uma empresa privada está roubando propriedade de uma outra pessoa, que o cidadão nem conhece – enquanto o funcionário público está roubando coisa comprada com o dinheiro dele, pagador de impostos).

    Os brasileiros em geral estão convictos de que políticos roubam, não só porque em geral ficam impunes, mas porque não têm princípios (inclusive morais) nem coerência: como bem o disse o programa Casseta e Planeta, políticos e prostitutas são as duas únicas categorias profissionais brasileiras que mudam de posição por dinheiro.

    Mesmo o funcionário público não identificável como político rouba. O brasileiro em geral tem mais medo da polícia do que da bandidagem – até porque vê no policial um pior bandido, posto que disfarçado de autoridade. A promiscuidade existente entre a polícia e a bandidagem no Brasil, se não é única, pelo menos alcança níveis que bandidos de outros países devem considerar invejáveis. No país do jeitinho se ajeita tudo, desde a multa no trânsito (policiais rodoviários têm tão pouco medo de serem flagrados, que fazem blitzes, de que participam vários deles, e que são devidamente coordenadas por um chefe deles, em que aceitam até cheques como propina para não multarem). Fiscais cobram pela não autuação. Juizes vendem sentenças. Todo mundo se admira quando um árbitro de futebol é flagrado vendendo resultados de jogos, que, na opinião do povo, deveriam ser sagrados (pelo menos uma coisa deveria ser sagrada no país!), mas o fato de que juizes foram flagrados vendendo sentenças não causa maior comoção. Promotores públicos usam seus cargos para promover suas agendas pessoais, não raro de natureza político-partidária. Parentes são empregados, com altos salários, por deputados, senadores, membros do judiciário, e por aqueles que exercem cargos executivos. Quem trabalha no gabinete de um político não raro é obrigado a “pagar dízimo” (que, em geral, vai muito além de dez por cento) para quem o contratou – ou para o partido que viabilizou o emprego. E assim vai.

    Voltando aos políticos.

    Ficou evidente, na crise política em curso, que a campanha política se tornou o meio mais fácil de enriquecimento ilícito no país. Foi revelado ao Brasil aquilo que muitos brasileiros consideravam um mistério. Por que é que um brasileiro competente se sujeita a ganhar, como político, um salário relativamente pequeno diante do que ele poderia ganhar como autônomo ou como empregado de uma empresa particular, e, ainda por cima, ficar “no olho do público”, correndo o risco de ser denunciado por deslizes não só públicos mas privados? Hoje a resposta é evidente. As doações que um candidato viável tem condições de extorquir de empresários interessados em prestar serviços públicos é inimaginável num país com a cultura do Brasil. Embora a legislação limite as doações, e obrigue os políticos a revela-las, o Caixa Dois, que está no centro da crise política, institucionaliza a doação por fora (por baixo, por detrás – usem o eufemismo ou a metáfora que preferirem), não contabilizada. O sujeito presta contas de um valor que fica dentro do legalmente permitido, mas tem pelo menos dez vezes mais que não está contabilizado oficialmente. Desse Caixa Dois, parte pode ser usada para pagar fornecedores que prestaram serviços na campanha. Mas a maior parte, certamente, é embolsada. A corrida por recibos que se viu, há alguns dias, é evidência disso. Os parlamentares não tinham a menor idéia de como o dinheiro do Caixa Dois havia sido gasto.

    Mas, todo o Brasil sabe, a corrupção hoje trazida a público não se explica apenas como Caixa Dois de campanha – supostamente justificado por uma legislação antiquada e pouco realista. Um monte de político foi pago pelo governo petista para votar com o governo. Deputados (e, talvez, senadores) foram simplesmente comprados.

    De onde veio o dinheiro que permitiu essa compra de votos e de aliados? Em parte, do Caixa Dois do PT. Mas não só. Há outras formas de comprar políticos. As emendas dos parlamentares ao orçamento, que carreiam recursos para obras favoritas e “caridades” de cada um, são apenas as mais conhecidas. No episódio da eleição do presidente da Câmara, que motivou este artigo, foi a mais alardeada – mas certamente houve outras. A nomeação de afilhados é uma delas. Um cargo de ministro gera a possibilidade de multiplicar indicações, de controlar licitações – por isso os políticos se interessam tanto em “apadrinhar” candidatos a um emprego público.

    Para concluir: o Lulla e o governo do PT sacramentaram a cleptocracia no Brasil. Roubar escondido é errado e é feio. Mas roubar à luz do dia, de forma aberta e escancarada, é pior – porque desmoraliza não só os indivíduos que roubam, mas as próprias instituições do estado.

    Embora as empresas e as pessoas físicas que sonegam impostos não tenham interesse nenhum em alardear o fato, razão pela qual é difícil ter estatísticas confiáveis sobre o fenômeno da sonegação, tenho certeza de que nos meses e anos à frente a sonegação vai aumentar. E esse fato será apenas uma das nefastas heranças que Lulla e o PT terão legado ao país.

    Fora com Lulla e fora.com.pt (http://fora.com.pt).

    Em algum lugar acima do Polo Norte, entre Chicago e Hong Kong, no dia 30/9/2005 em Chicago e no dia 1/10/2005 em Hong Kong.