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Liberal Space: Blog de Eduardo Chaves (Mais de cinco anos de posts ininterruptos)"... No que me diz respeito, ou tenho liberdade, ou prefiro a morte” (Patrick Henry) |
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5.12.2009 Entrevistas dão trabalho, mesmo quando pequenas…Dei uma entrevista por escrito (e-mail) para um jornalista, que me enviou as perguntas. Eis o que enviei: ---------- PERGUNTA: Quais são as novas tecnologias aplicadas à Educação? RESPOSTA: Permita-me corrigir a formulação da pergunta... Não creio que haja tecnologias, novas ou velhas, que se apliquem à educação. Há tecnologias que podem ser usadas na educação, por professores e por alunos, para apoiar a aprendizagem dos alunos, para ajudá-los a aprender melhor... Você me pergunta das novas tecnologias. Não há problema nisso. Mas é importante reconhecer que a tecnologia sempre existiu. Tecnologia é qualquer coisa que o ser humano inventa para tornar a vida mais fácil ou mais agradável ou prazerosa. A linguagem humana é tecnologia: ela teve de ser inventada para facilitar a nossa comunicação, e, por conseguinte, a nossa vida... A fala é mais antiga, a escrita, mais recente... O papiro, o pergaminho e o papel, bem como os instrumentos que nos permitem escrever neles, são tecnologia – não nova, é verdade, mas que já prestou muito serviço à educação. O livro impresso é tecnologia. As formas de registrar e transmitir sons e imagens são tecnologia: fotografias em papel, discos, fitas, telefones, o rádio, a televisão. Tudo isso é tecnologia que pode ser usada para apoiar a aprendizagem do aluno e que tem sido usada dessa forma. Mas tudo isso é tecnologia velha. As tecnologias novas que podem ser usadas na educação são todas digitais: todas elas centradas em processadores eletrônicos que manipulam informações em formato binário, sejam elas texto, sons ou imagens. A principal tecnologia é o computador. Mas também telefones celulares, câmeras de fotografia ou de vídeo, tocadores de música, aparelhos de rádio, televisores, e, naturalmente, a Internet, fazem parte das novas tecnologias que ajudam os alunos a aprender melhor. Na verdade, que ajudam todos nós a aprender melhor. PERGUNTA: Qual a importância dessas tecnologias? RESPOSTA: Todas essas tecnologias são de informação e comunicação. Sua importância deriva do fato de que a informação e a comunicação são essenciais para o processo educacional. Sem informação e comunicação, na verdade, não há educação. Logo, as tecnologias que apóiam o acesso à informação e o seu gerenciamento e análise, bem como as tecnologias que apóiam a comunicação, em seua múltiplos aspectos, só podem ser importantes. PERGUNTA: Essas novas tecnologias tornarão o nosso ensino melhor? De que forma? RESPOSTA: Não estou muito interessado em que elas tornem o nosso ensino melhor, embora provavelmente o façam. As coisas mais importantes da vida aprendemos sem que alguém no-las ensine. Aprendemos a andar e a falar sem que alguém nos ensine a fazer isso... Antes de andar e falar aprendemos a identificar complicados padrões visuais e sonoros que nos permitem reconhecer o rosto e a voz de nossa mãe, de nosso pai, de nossos irmãos, de outras pessoas que nos são próximas – e fazemos isso sem necessidade de ensino... Mais tarde aprendemos a amar e nos relacionar afetivamente com outras pessoas, sem que haja professor e curso disso... O que me interessa são as tecnologias que nos permitem aprender melhor. E como o aprender envolve o tratamento da informação e a comunicação, as tecnologias de informação e comunicação fatalmente nos ajudarão a aprender melhor. Já estão nos ajudando, na verdade. PERGUNTA: O Brasil está avançado na adoção dessas tecnologias? RESPOSTAS: Nos centros mais desenvolvidos e entre as camadas mais ricas, sem dúvida. Mas essa tecnologia se tornou tão barata que em pouco tempo qualquer pessoa terá amplo acesso a elas. O Brasil já tem 100% de cobertura de televisão convencional, e caminha rápido para chegar perto de 100% de cobertura de telefonia celular. Para que todo mundo tenha seu computador pessoal, falta muito pouco. Em um ano, com dez prestações de cinqüenta reais qualquer um poderá se tornar o proprietário de um possante (mas pequeno) computador. Na verdade, o telefone celular que quase todo mundo já tem já é um minúsculo computador. PERGUNTA: Os professores brasileiros estão preparados para utilizar as novas tecnologias? Por quê? RESPOSTA: Nem todos, naturalmente. Mas caminhamos para isso. No entanto, mais importante do que aprender a usar as novas tecnologias é dominar as competências necessárias para lidar com a informação e a comunicação, qualquer que seja a tecnologia, nova ou velha. Sou bastante otimista nessa área, porque, por mais que os atuais professores possam querer resistir ao uso das novas tecnologias na educação, eles logo vão se aposentar ou morrer e as novas gerações, compostas de nativos digitais, vão assumir o seu posto... E essas novas gerações já nascem sabendo utilizar essas tecnologias... :-) ---------- O jornalista me encaminhou a matéria para aprovação no seguintes termos: ---------- Novas tecnologias: você está preparado? Robo.to, Twitter, Slide Share, Facebook, Flickr.. A todo instante, surgem novos formatos comunicacionais, graças aos inovadores recursos tecnológicos. Para utilizar essas novidades nas instituições de ensino e propagar conhecimentos via ferramentas 2.0 eficazes, é preciso antes de tudo compreender o processo, entender as várias necessidades e estar alinhado com a essência. Eduardo Chaves, professor de Filosofia da Educação, Filosofia Política e Teoria do Conhecimento na Unicamp, defende que tecnologia é qualquer coisa que o ser humano inventa para tornar a vida mais fácil, agradável ou prazerosa. “Todas as ferramentas tecnológicas são de informação e comunicação. Sem esses dois elementos, na verdade, não há educação. Desta forma, as inovações que apóiam o acesso à informação e o seu gerenciamento e análise, bem como as que apóiam a comunicação em seus múltiplos aspectos, só podem ser importantes”, pontua Chaves. De acordo com o especialista no uso de tecnologia na Educação, as novidades que podem ser usadas nas instituições de ensino são todas digitais e centradas, principalmente, em processadores eletrônicos que manipulam informações em formato binário, sejam elas texto, sons ou imagens. Mas, e os professores? Estão preparados para utilizar essas inovações? O professor responde, reforçando alguns conceitos: “nem todos, naturalmente. Mas caminhamos para isso. No entanto, mais importante do que aprender a utilizar as novidades é dominar as competências necessárias para lidar com a informação e a comunicação, qualquer que seja a tecnologia, nova ou velha”. Otimismo, no entanto, não falta a Eduardo Chaves: “a nova geração de professores, formada por nativos digitais, já nasce inserida neste contexto e, com treinamento, será capaz de, no decorrer dos anos, aplicar todos esses novos recursos em sala de aula”. ---------- Eis o que vai ser publicado, depois de uma drástica revisão minha ---------- Novas tecnologias: você está preparado? Robo.to, Twitter, Slide Share, Facebook, Flickr.., A todo instante surgem novas aplicações na área da informação e comunicação digital, graças a inovadores recursos tecnológicos que aparecem mais rapidamente do que conseguimos dominá-los. Para utilizar essas novidades na aprendizagem, em especial na aprendizagem formal, que se dá em instituições escolares, é preciso antes de tudo compreender o que essas aplicações fazem, entender as necessidades humanas que elas satisfazem, estar bem informado sobre em que aspectos elas diferem umas das outras, e saber qual o foco de cada uma. Eduardo Chaves, que foi professor de Filosofia da Educação, Filosofia Política, Teoria do Conhecimento e Aplicações da Tecnologia na Área Social (Educação, Saúde e Gestão) na UNICAMP, e, agora, depois de atuar por 35 anos nessas áreas Universidade, está trabalhando em consultoria para empresas e ONGs, defende que tecnologia é qualquer coisa que o ser humano inventa para tornar sua vida mais fácil, agradável ou prazerosa. “As tecnologias mais relevantes para a educação são as de informação e comunicação, e isto porque sem esses dois elementos, informação e comunicação, na verdade não há educação”. Assim sendo, acrescenta, “as tecnologias que nos permitem buscar, gerenciar e analisar a informação, nos comunicar em contextos interpessoais e públicos, e aplicar as informações que assim obtemos em processos de tomada de decisão, solução de problemas e busca de respostas às nossas indagações, só podem ser importantes importantes na educação. Isso “porque esses processos são da essência da educação”, pontua Chaves. Mas, e os professores? Estão preparados para utilizar essas inovações? O professor admite que “nem todos, naturalmente”. Mas acrescenta que “caminhamos para isso”. Enfatiza, porém, que “para o professor, mais importante do que aprender a manejar tecnicamente as novidades tecnológicas é dominar as competências necessárias para lidar com a informação e a comunicação, qualquer que seja a tecnologia de apoio utilizada, nova ou velha”. Otimismo, no entanto, não falta a Eduardo Chaves: “a nova geração de professores, formada por nativos digitais, já nasce inserida neste contexto e, quando vier a trabalhar na educação, será capaz de, com a mesma naturalidade com que hoje usa o celular e brinca de videogames, utilizar todos esses recursos, e outros que sem dúvida vão aparecer, para facilitar a aprendizagem de seus alunos e, assim, melhorar a qualidade da educação”. ---------- É isso… Uma entrevista pequenina às vezes leva tempo… Em 5 de Dezembro de 2009 4.12.2009 Filosofia da Educação: Um Encontro Possível entre o Professor e a TecnologiaEste artigo, escrito no ano 2000, foi originalmente publicado em Educação: Revista da Associação Brasileira de Educação (ABE), Ano 32, nº 102, pp. 32-34, 2001 Faz vinte anos que venho refletindo sobre o uso de tecnologia (em especial de computadores) na educação (em especial na educação escolar). Ao longo desse tempo tem me ficado bastante claro que o principal obstáculo ao uso generalizado de computadores em escolas não é o custo do equipamento, não é a inexistência de software adequado, e não é a dificuldade técnica de capacitar o professor no manejo dessa tecnologia. O principal obstáculo tem estado no fato de que os educadores não conseguem entrar em um acordo sobre o que fazer com o computador na escola, e a principal razão pela qual não chegam a esse acordo tem que ver, não com o computador, em si, mas, sim, com o fato de que os educadores, em geral, e dentre eles os professores, têm visões muito diferentes do que seja a educação, e, conseqüentemente, de qual seja o papel da escola na educação e deles próprios, professores, na escola. Dentro desse quadro, dificilmente poderão concordar sobre qual deva ser o papel do computador na educação. Em 1983 (dezessete anos atrás [contados do ano 2000, em que escrevi este artigo – EC]) publiquei um artigo na revista Em Aberto do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), do Ministério da Educação, com o título “Computadores: Máquinas de Ensinar ou Ferramentas para Aprender?” Nesse artigo observei que há controvérsias entre os educadores sobre a melhor maneira de usar o computador na escola e que essas controvérsias decorrem de diferentes visões da educação (em especial, da educação escolar):
Nessa disputa, de um lado estão os que vêem a educação escolar como um processo de transmissão, pelos professores aos alunos, de conteúdos informacionais (fatos, conceitos e procedimentos), sistematizados em áreas específicas (disciplinas) e organizados seqüencialmente de forma cada vez mais complexa (séries). Nessa visão da educação há, conseqüentemente, a valorização relativa do processo de ensino e instrução e é colocado em relevo o papel do professor como detentor das informações e dos conhecimentos a serem repassados aos alunos. A aprendizagem, por sua vez, fica caracterizada como um processo, em grande parte passivo (do ponto de vista do aluno), de absorção de informações e conhecimentos (em geral apresentados de maneira totalmente desvinculada dos problemas fundamentais que um dia levaram o ser humano a se interessar pelas questões que estão por trás dessas informações e desses conhecimentos). O computador, para os que adotam essa visão da educação escolar, deve ser utilizado de modo a reforçar ou tornar mais eficiente o trabalho do professor, sem que, em decorrência da utilização do computador, seja fundamentalmente alterada a visão de ensino e aprendizagem adotada. Para eles, o computador é apenas uma máquina de ensinar – ou, mais corretamente, uma máquina que ajuda o professor a ensinar melhor. Do outro lado na disputa estão os que vêem a educação (até mesmo a escolar) como um processo de desenvolvimento, pelos alunos, de competências e habilidades, especialmente no domínio cognitivo (mas sem negligenciar o domínio afetivo-emocional, interpessoal e até mesmo psicomotor), com a conseqüente valorização relativa do processo de auto-aprendizagem e de aprendizagem colaborativa, e, portanto, do papel do aluno na construção ou elaboração de sua própria aprendizagem. Esta, por seu turno, é vista como um processo ativo (do ponto de vista do aluno) de construção das estruturas cognitivas (afetivo-emocionais, interpessoais e psico-motoras) que vão lhe permitir alcançar vida pessoal realizada e participação eficaz e significativa na vida da sociedade como cidadão e profissional. A aprendizagem, e, conseqüentemente, a educação do aluno, é, nessa visão, algo que decorre, diretamente, da ação do aluno – não da do professor. A participação deste no processo é indireta. O professor deixa de ser o detentor único e exclusivo de informações e conhecimentos cuja absorção define a aprendizagem do aluno, e passa a ser, principalmente, o motivador, o incentivador, o animador, o instigador, o facilitador do aprendizado do aluno (tanto no aspecto cognitivo como nos aspectos afetivo-emocional e interpessoal), sendo necessário, para tanto, que organize “ambientes de aprendizagem” que sejam capazes de otimizar as oportunidades de aprendizagem dos alunos – aprendizagem significativa, flexível, transferível para outros contextos, e, por isso mesmo, duradoura. Para os defensores dessa visão, o papel principal da escola é fornecer aos alunos o maior número possível de ambientes que favoreçam a aprendizagem do aluno, aprendizagem esta que ocorre quando o aluno, em interação com esses ambientes, desenvolve estruturas cognitivas (emocionais, interpessoais, etc.) que se traduzem em competências e habilidades que lhe permitem, acima de tudo, continuar a aprender e aprender sempre. O computador, para os que adotam essa visão da educação, deve ser utilizado, não como uma máquina de ensinar, mas como uma ferramenta de aprender, isto é, como uma tecnologia que pode facilitar, da parte dos alunos, o desenvolvimento das competências e habilidades necessárias para que aprendam a aprender e para que aprendam sempre. Inserindo-se nos ambientes de aprendizagem em que os alunos se situam, o computador permite que se ampliem os seus horizontes cognitivos e aumentem as suas possibilidades de interação com o meio – em especial no que diz respeito a contatos com pessoas de interesses afins e a acesso a informações relevantes aos seus interesses. O computador, para os alunos, é uma ferramenta de aprender – uma tecnologia que expande e aumenta o potencial da mente humana. Fica claro, portanto, de tudo o que foi dito, que há uma diferença fundamental entre essas duas visões da educação e, conseqüentemente, do papel da escola na educação, do professor na escola e da tecnologia em todo o processo. Mas essa diferença não deve ser localizada no âmbito da tecnologia, mas, sim, no âmbito da filosofia da educação. É preciso registrar que a tecnologia freqüentemente serve de agente catalisador da reflexão acerca dessas questões, porque o computador, ao ser introduzido na escola, funciona como agente perturbador da ordem estabelecida e permite que os que dela discordem se valham dessa oportunidade para questioná-la. O computador provoca essa discussão porque os alunos, em geral, têm muito mais facilidade para lidar com ele do que os professores – e, portanto, se torna um agente subversivo da ordem estabelecida na escola. Proponentes da visão mais convencional da educação em geral procuram “domesticar” o computador para que ele se insira naturalmente naquilo que é feito na escola, sem maior perturbação da ordem – mantendo, portanto, a hierarquia na escola. Os professores, aqui, em geral preferem usar o computador com softwares educacionais que eles podem pesquisar e dominar antes – não favorecendo usos “abertos” do computador em que o que vai ser feito, e como vai ser feito, não estão previamente definidos. Proponentes da segunda abordagem, por outro lado, às vezes de forma mais ou menos ingênua e mesmo romântica, esperam que o computador, uma vez introduzido na escola, vá ajudá-los a subverter a ordem estabelecida e a finalmente promover as mudanças que desejam que aconteçam. Às vezes isso acontece – mas é raro. Na escola, como em qualquer outro lugar, a tecnologia, por si só, em geral não promove mudanças. Estas, se vierem a ocorrer, são comumente promovidas por pessoas – que, entretanto, podem, se valer da tecnologia para alcançar alguns de seus objetivos. Em conclusão: o momento da introdução da tecnologia (em especial do computador) na escola pode ser um excelente momento para a reflexão sobre algumas importantes questões da filosofia da educação. A discussão franca e aberta das diferentes visões da educação que subsistem na escola pode eventualmente levar os professores a entender melhor suas posições e as daqueles de quem discordam. Transcrito aqui em São Paulo, 3 de Dezembro de 2009 O JMC nos deu Educação – no sentido mais pleno do termoO JMC não era uma simples escola, como as outras. O JMC era uma escola de vida. Para começar, era um internato. A maior parte de nós, alunos, morávamos lá – isso quer dizer que vivíamos a nossa vida lá. A maior parte dos professores também. Também os diretores. As outras escolas em geral se preocupam em encher a mente de seus alunos de informações. O JMC fazia, das cianças e adolescentes que ali chegavam, literalmente gente grande. E não só gente grande do ponto de vista intelectual: gente grande também do ponto de vista emocional, interpessoal, profissional, social – humano, enfim. Ali aprendemos a pensar com idéias próprias, a argumentar, a defender nossas idéias contra crítica, a criticar as idéias dos outros, a debater questões controvertidas (o JMC não fugia delas)... Ali aprendemos a entender outras línguas, a nos expressar nelas e a praticá-las em clubes de línguas estrangeiras (clubes de alunos interessados em uma determinada língua, como o English Club); Ali os professores, se você já conhecia bem o assunto da aula deles, o dispensava da aula para trabalhar com você em tutoriais individualizados (dona Elza, professora de Francês, fez isso comigo durante os três anos que passei lá); Ali aprendemos a conviver uns com os outros, a gerenciar nossas emoções, a lutar contra impulsos primitivos, a nos conter quando um colega nos fazia uma brincadeira de mau gosto... Ali aprendemos a amar e a encontrar formas criativas de expressar o amor, para contornar a proibição do namoro... Ali aprendemos a tomar conta de nossa vida, de nosso quarto, de nossas roupas, de nossos objetos pessoais, de nossos livros... Ali aprendemos a trabalhar em atividades manuais ou braçais, limpando o chão e até mesmo a privada, servindo no restaurante, lavando roupas e louças... Ali aprendemos a viver simples e frugalmente, com pouco e, por vezes, nenhum dinheiro, e a compartilhar o pouco que tínhamos... Ali aprendemos a administrar o nosso tempo, alocando-o conforme nossas prioridades: a vida intelectual e o estudo; a música, o esporte, e o lazer; o amor e a vida social; a contemplação e a devoção... Ali aprendemos que, de vez em quando, ficar sem fazer nada, deitados na grama, olhando para o céu, tendo apenas nós mesmos como companhia, era algo importante... Ali aprendemos a ter responsabilidade, a responder por nossos atos – a fazer provas sozinhos no quarto, com os livros e cadernos ao lado, sem sucumbir à tentação de abri-los... Ali desenvolvemos nosso caráter, que é (como alguém um dia disse) aquilo que fazemos quando ninguém está olhando... Michael Hammer, o guru da reengenharia, disse, em um de seus livros, citando alguém, que educação é aquilo que resta depois que a gente esqueceu o que nos foi ensinado. No caso do JMC, restou muito. Somos o que somos, em grande parte, em virtude de nossa experiência no JMC. Educação é isso: é o que resta, depois que a gente se esqueceu do que nos foi ensinado: o amor do saber, o entusiasmo pela descoberta, a fascinação pelo conhecimento, pela cultura, pelas artes, por outras manifestações tipicamente humanas, como esporte, o desejo de sempre aprender mais, o sentido de valor que nos ensina a separar o importante do urgente e a priorizar as coisas, a honestidade e a honradez, a certeza de que a vida vale a pena quando se tem um objetivo pelo qual lutar e se luta por ele sem abandonar os princípios que moldam o nosso caráter. O JMC nos legou tudo isso. O JMC nos deu educação. Talvez a melhor educação de que se tenha notícia neste país. Por isso, a experiência, ainda que apenas de um ano, no JMC marcou todos os seus alunos. É por isso que, quarenta anos depois de seu fechamento, seus ex-alunos ainda se apegam à memória da instituição, querem preservá-la, não conseguem se conformar que ela se perca com a morte, cada vez mais freqüente agora, dos manuelinos. É uma tristeza reconhecer que não existem mais manuelinos com menos de cinqüenta anos, por aí... e que dentro de uns trinta anos, no máximo, provavelmente não haverá mais nenhum manuelino vivo. Por isso essa obsessão por preservar a memória, contar e registrar a história, para que filhos, netos, bisnetos saibam que um dia houve uma escola contra a qual nenhuma voz jamais se levantou e que todos os que passaram por lá amam com devoção... Há ex-alunos com mais de 90 anos, que amam o JMC com devoção até hoje). E para que saibam, também, e esse o lado negro da história, que a escola foi fechada, quarenta anos atrás, pelo medo – ou, o que é pior, por interesses escusos... E para que saibam que os que estiveram envolvidos no processo ou já morreram ou, se ainda vivos, preferem morrer a revelar o que realmente aconteceu. Por isso o Museu Presbiteriano, com sede no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, decidiu, neste ano em que se celebram cento e cinqüenta anos do presbiterianismo no Brasil, acolher o pedido da Associação dos ex-Alunos do JMC de fazer uma mostra, no início de 2010, do que foi o JMC. Oitenta e dois anos depois de ele ter sido fundado. E quarenta anos depois de ter sido fechado. São Paulo, em 3 de Dezembro de 2009 2.12.2009 Quinto Aniversário deste SpacePassa da meia-noite. Já estamos no dia 2 de Dezembro. É o dia do quinto aniversário deste space. Fica o registro aqui para agradecer os que já se manifestaram. Dias atrás deixei um post que de certo modo historia parte desses cinco anos de vida. Se você tem interesse na gênese deste space, em especial do blog, por favor, leia. Obrigado por me acompanhar aqui. Em São Paulo, 2 de Dezembro de 2009. 1.12.2009 Pouca vergonha !!!O artigo transcrito abaixo é da jornalista Leonor Macedo, jornalista e corintiana. Está transcrito no Blog do Juca Kfouri de hoje, disponível no UOL. O texto do Juca, que também é corinthiano, diz apenas: “É preciso dizer mais alguma coisa?” ao mostrar uma foto de capa de O Fiel – O Jornal Oficial do Corinthians, de ontem 30 de Novembro de 2009. A foto tem a legenda: “Doce derrota: Timão perde para o Flamengo mas atrapalha os seus rivais na luta pelo título brasileiro”.
Seus rivais? Atrapalha o São Paulo. O Palmeiras até foi ajudado pela vitória do Flamengo. O Corinthians, hoje, mais do que ganhar um jogo, quer ver o São Paulo perder o título, perder a hegemonia do Brasileirão, não ser tetra seguido e hepta no descontínuo. Uma vergonha. Dá vontade de nunca mais olhar futebol. Há dias, depois do fim de semana anterior, alguém escreveu no FaceBook que agora (então) ninguém segurava mais o Flamengo, porque o time, que tinha com a maior torcida do Brasil, iria agora contar também com o apoio da a segunda maior torcida. Não achei possível. Santa ingenuidade. Abaixo, o artigo de Leonor Macedo. Como diz o Juca, não é preciso dizer mais nada. Descobri a matéria através de uma referência ao blog do Juca no FaceBook de meu amigo Hélio Oliveira Gandhi Ferrari, também corinthiano. O Gandhi diz: “Alguém escreveu exatamente o que eu penso” Que bom. Este é o outro lado da medalha. De um lado um bando de jogadores que não honra o dinheiro que ganha. Mas do outro, felizmente, ainda há corinthianos como Juca, Leonor e Gandhi, que têm uma vergonha maior do que a minha revolta. ---------- http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-11-29_2009-12-05.html#2009_11-30_16_48_22-9991446-0 CORINTHIANISMO
Por LEONOR MACEDO*
Se você gosta de futebol e já sabia que a rodada de domingo, 29/11, estava arranjada para favorecer o Flamengo antes mesmo de ela acontecer, aconselho que desista do esporte. Que tente canalizar sua energia para algo mais legítimo, mais honesto, mais respeitoso, mais digno. Porque futebol é isso: é o ópio do povo, é irracional e se pararmos para pensar, a gente pára de gostar. É amor, é paixão, é utopia, é ingenuidade. É burrice. Fui para Campinas, com toda a minha burrice e ingenuidade, confiando no discurso da diretoria do Corinthians e dos jogadores de que seria o "jogo do ano". Ronaldo prometeu uma chuva de gols, outros jogadores afirmaram que dariam o sangue, o técnico se irritou ao ser questionado sobre um possível favorecimento ao Flamengo para eliminar as chances do São Paulo ser campeão: "o Corinthians estará empenhado para ganhar. Se o São Paulo não fez a sua parte, não é um problema nosso." Acreditei e fui confiante! Comprei meu ingresso mesmo sabendo que a renda do futebol seria destinada ao carnaval do centenário, em 2010. Mesmo sabendo que o correto é utilizar a arrecadação do futebol com o futebol. Fui porque meu amor pelo futebol é muito maior do que meu ódio pelo carnaval. Cheguei a Campinas cedo, ganhei uma carona de carro e almocei em um shopping relativamente próximo ao estádio. Vi dezenas de corinthianos exibindo suas camisas orgulhosos, confiantes na equipe, assim como eu. Porque me recuso a acreditar que algum corinthiano realmente estivesse interessado em uma derrota para o Flamengo apenas para prejudicar o São Paulo. A rivalidade não pode ser maior do que a vontade de ver seu time ganhar qualquer coisa, até campeonato de Master. Cresci aprendendo que existem apenas dois tipos de torcida no Brasil: a corinthiana e a anticorinthiana. A nossa, até então, era a corinthiana. Quando entrei no estádio (com uma entrada relativamente organizada nas catracas do Fiel Torcedor, diga-se de passagem), acomodei-me em um degrau semi-alagado e vi o Brinco de Ouro da Princesa lotar de corinthianos e flamenguistas, que também compareceram. Foi quando Evandro Roman apitou e a vergonha começou. Não falo apenas de erros grotescos de arbitragem porque, se eu sou ingênua a ponto de acreditar na hombridade de um elenco todo, sempre acreditei em juiz ladrão. Falo de corpo mole, de recuar a bola para o goleiro em um ataque, de 90% de passes errados, de contusões inexplicáveis, da expulsão do nosso capitão, do nosso técnico. De 10 jogadores caminharem dentro de campo (o único que tentou foi Defederico, que não fala português e que talvez não tenha entendido a recomendação de entregar uma partida), de um goleiro não tentar pegar a bola em forma de "protesto" contra a arbitragem (e o melhor protesto que ele podia ter feito ali era agarrar o pênalti e honrar os milhares de corinthianos que estavam na arquibancada). De o nosso elenco fazer o que fez estampando o rosto de centenas de corinthianos na nossa camisa (a obrigação de ganhar a partida podia ser só por esse motivo). De ouvir um meia do Corinthians que está de férias desde o fim do Campeonato Paulista justificar seus erros na arbitragem (concordo, Elias, que o juiz errou, é péssimo e tem que ser punido, mas quando foi que o Corinthians dependeu de juiz?). De ver o nosso técnico ser expulso quando ele é o primeiro que tem que manter a cabeça fria para dar tranqüilidade ao elenco, honrando o salário milionário que ele recebe. E depois reclamar da arbitragem também, sendo que o próprio, no meio do campeonato, afirmou que a prioridade nunca foi o Campeonato Brasileiro, mas o time em 2010. A prioridade, senhor Mano Menezes, é respeitar o torcedor do Corinthians e tentar vencer tudo o que se propuser a ganhar. Eu não tenho seis meses de férias, nem ganho um centésimo do que o senhor ganha e trabalho com seriedade. Saí do estádio sem conseguir falar uma palavra. Atônita e surpresa sim, porque eu acreditava que o elenco do Corinthians pudesse, pelo menos, honrar aqueles que acreditavam. Porque sempre acreditei que eu, como torcedora, pudesse ter alguma importância (mesmo que financeira) para o clube. Voltei para São Paulo pensando que por muito menos a torcida expulsou do clube um dos maiores jogadores da história do futebol, o Rivelino. Que, mesmo naquele contexto importantíssimo que é um Corinthians X Palmeiras, ele pode ter errado, mas jamais entregado uma partida a nosso rival. Que a gente pode ter perdido um clássico, um título, mas que não perdemos a dignidade tanto quanto neste domingo, em Campinas. Nem quando fomos rebaixados para a Série B. Sei que a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians. No próximo fim-de-semana, por exemplo, é a última rodada do campeonato e o Grêmio anunciou que pode escalar o time reserva contra o Flamengo apenas para prejudicar o Inter. Que o mesmo Inter entregou uma partida para prejudicar o Corinthians contra o Goiás, em 2007. Que muitas pessoas consideram isso absolutamente normal no futebol e depois reclamam de ética em seu trabalho, nas relações pessoais, enfim, em sua vida. O futebol é espelho de tudo isto. Se a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians e do elenco corinthiano, é com ela sim que eu me preocupo, porque eles, infelizmente, carregam o escudo que eu defendo. Se todos os anos para mim terminam com o fim da temporada de futebol, 2009 foi o ano que terminou mais cedo. Curarei minha ressaca futebolística longe de Corinthians X Atlético Mineiro. Sei que a minha fé no futebol retornará assim que a ressaca passar. Que eu encerrarei o papo de "não bebo mais" e continuarei enchendo a cara dessa cachaça. Que seguirei acreditando que outro futebol é possível: com dignidade, honestidade e hombridade. Com jogador que defende o escudo do clube acima de qualquer dinheiro, com dirigente que recusa mala branca e leva em consideração sua torcida, com elenco que não entrega a partida, com torcedor apaixonado que prefere ver o time ganhar a ver o rival se dar mal. Morrerei velhinha acreditando. E precisarei de dois caixões: um para mim e outro para a minha santa ignorância. * Leonor Macedo é corintiana e jornalista. ---------- Em 1 de Dezembro de 2009 30.11.2009 A construção do conhecimento e a busca da sabedoriaMatéria simples mas bem posicionada da Folha de S. Paulo em relação à “pretensão construtivista” das escolas brasileiras de hoje. Criticar o construtivismo aqui no Brasil virou politicamente incorreto – pega tão mal quanto criticar a maternidade, a democracia, o igualitarismo. (Acho irônico que criticar o igualitarismo seja politicamente incorreto – mas criticar a liberdade, não… Os críticos da liberdade abundam. Abundam ainda mais os inimigos da liberdade que professam ser seus defensores… Mas esse é outro assunto….). O consenso construtivista, porém, como a maior parte dos consensos, é obtido através da vagueza, da imprecisão, da ambigüidade do conceito. Para mim a gênese do construtivismo está em Sócrates, não em Piaget. A pedagogia de Sócrates era a “pedagogia da pergunta”, não a “pedagogia da resposta” das abordagens não-construtivistas. Tanto quanto eu saiba é de Paulo Freire o uso original dessas duas expressões. Sócrates não dava resposta a nenhuma pergunta – o ofício dele era fazer perguntas. A resposta sacia a curiosidade. A pergunta a alimenta a curiosidade. As perguntas de Sócrates desequilibravam (para usar um conceito piagetiano), faziam o interlocutor se questionar, levavam-no a duvidar das próprias certezas (a Léa Fagundes gosta de usar essa expressão). Elas faziam o seu interlocutor pensar, refletir por si próprio, chegar às suas próprias conclusões… Construtivismo, para mim, é basicamente isso: o processo mediante o qual construímos para nós mesmos um jeito de olhar o mundo, uma forma de agir no mundo, uma maneira de ser no mundo (desculpem o mal-cheiro existencialista da última expressão). Informação se encontra virtualmente em qualquer lugar. Informação se transmite. Informação se acumula. Uma educação que privilegia a entrega e a transmissão de informações ao aluno por parte do professor, e o recebimento, a assimilação a retenção e a reprodução de informações por parte do aluno, é uma “educação bancária”, como dizia Paulo Freire, feita com base na analogia da transferência de fundos. Informações, como fundos, são transferíveis, é bom que se diga. E pensar que há gente – e escola – que fala em “ensino construtivista”… Essa chamada educação bancária, como bem ressaltou Rubem Alves, não educa ninguém. Ela simplesmente nos deixa cheios de informação – produzindo “obesidade mental”. A solução para uma “mente estufada” de informações, segundo ele, é de vez em quando esvaziar a mente, pois uma mente obesa, cheia de informações, prejudica a agilidade mental, torna o pensar difícil, às vezes impossível… A educação deveria ser vista, nesse contexto, muito mais como um processo de esvaziamento da mente do lixo que se acumula nela do que o contrário… Um bom laxativo mental, mais do que uma macarronada informacional… Uma boa evacuada mental, mais do que um açaí-na-tijela informacional… Na época de Sócrates conhecimento era informação verdadeira, bem fundamentada na evidência. Por isso, ele defendia a busca da sabedoria… A busca da sabedoria, em vez de requerer que nos locupletemos de informações, pressupõe que “desaprendamos” o que nos foi ensinado… A educação, disse alguém, é aquilo que permanece quando nos esquecemos daquilo que nos foi ensinado… Quando fazemos um “enema mental”, uma “lavagem da mente”… (Infelizmente a expressão “lavagem mental” ou “lavagem cerebral” se tornou sinômina do processo de tirar as informações que estão na mente de uma pessoa para imediatamente colocar outras lá…. O processo de conversão religiosa ou política é mais ou menos desse tipo: retiram-se da mente algumas crenças para ali colocar outras… O que estou propondo aqui é mais como a limpeza de um terreno cheio de mato e lixo para que possamos construir um lindo edifício ali… Trocar um mato e lixo por outro mato e lixo não resolve…) Aquilo que, na era pós-piagetiana, chamamos de “construção do conhecimento” é equivalente à busca da sabedoria de Sócrates. A sabedoria não se encontra em qualquer lugar, não se entrega de um para outro, não se transmite, não se recebe, não se assimila, não se retém, não se reproduz num exame ou numa prova. Sabedoria se constrói. Ela inclui jeitos de ver as coisas, modelos mentais, esquemas de análise… Pode-se falar em uma informação – e uma informação pode ser verdadeira ou falsa. Mas não se pode falar em “uma sabedoria”, nem em sabedoria verdadeira e sabedoria falsa… À sabedoria aplicam-se outros critérios – não o critério da veracidade… Uma pessoa jovem pode ser muito bem informada. Dificilmente será sábia. A sabedoria, em geral, vem com a experiência, e esta, em geral, com a idade. Mas a sabedoria é fruto mais da qualidade do que da quantidade dos momentos vividos. Infelizmente a idade muitas vezes chega desacompanhada da experiência (como disse alguém) – e, por isso, por si só não é nenhum indicador confiável de sabedoria. A posse de informações se demonstra num exame, num trabalho escrito, numa apresentação oral. A verdade é um atributo de enunciados, de proposições. A sabedoria é um atributo de pessoas. A posse da sabedoria se demonstra no viver. Para mim, construtivismo, em educação, é mais ou menos isso: a busca da sabedoria… A busca dos princípios e valores que tornam possível o bem viver. E o desenvolvimento das competências e habilidades que nos permitem viver bem. A boa vida, como disse Sócrates, é a vida constantemente examinada, permanentemente questionada, diariamente reconstruída. A outra não vale a pena viver. Amém. ---------- Folha de S. Paulo “Construtivistas, mas nem tanto” Muitas escolas dizem seguir o construtivismo -que defende que o aluno deve construir por si só o conhecimento-, mas, na prática, continuam tradicionais Quando estão escolhendo um colégio, os pais não devem se prender a rótulos, mas perguntar como são as práticas em sala de aula ANGELA PINHO Se você perguntar a um professor brasileiro se ele é construtivista, é quase certo que ele dirá que sim. No entanto, ao acompanhá-lo em aula, é possível que você não veja os princípios da teoria sendo aplicados. O construtivismo se desenvolveu a partir de estudos do suíço Jean Piaget (1896-1980) e, em linhas gerais, parte do princípio de que o aluno aprende melhor quando constrói o conhecimento por si só -com a mediação do professor- do que quando recebe o conteúdo apenas de forma passiva. A partir da teoria, surgiram práticas pedagógicas que não são exclusivas do construtivismo, mas acabaram sendo associadas a ele: atividades de pesquisas, trabalhos em grupo e priorização do raciocínio em detrimento da memorização. No Brasil, onde as diretrizes curriculares nacionais têm inspiração construtivista, a maioria dos professores diz seguir essa teoria, segundo pesquisa feita neste ano pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com 23 países. Assim como quase todos os seus pares -a exceção são os italianos-, os professores brasileiros dizem concordar com afirmações relacionadas ao construtivismo, como: "Estudantes aprendem melhor quando encontram sozinhos a solução para problemas." A pesquisa também perguntou a posição dos professores em relação a afirmações como "bons professores demonstram a maneira correta de resolver um problema" -mais ligada a outro modo de ensinar, em que o conhecimento é transmitido diretamente pelo professor. Em países como Áustria e Islândia, os adeptos dos conceitos construtivistas rechaçavam as afirmações relacionadas à transferência do conhecimento pelo professor. Já em outros, como o Brasil, os professores aceitavam as duas abordagens. "Os professores brasileiros têm práticas tradicionais, porque a escola é tradicional, mas abrem parênteses construtivistas", diz Bernard Charlot, professor emérito da Universidade Paris 8 e atualmente docente na Universidade Federal de Sergipe. Na prática, propõem trabalhos em grupo, mas não abandonam a lousa e o giz. Essa mescla de métodos, no entanto, não é necessariamente negativa, segundo Charlot, desde que o aluno seja motivado a pensar em vez de só ouvir e anotar. "Há métodos melhores para alguns alunos e outros melhores para outros. Quando se mesclam, cresce a possibilidade de que mais alunos aprendam." Nélio Bizzo, professor da Faculdade de Educação da USP, concorda. "Não se pode pensar que você vai alfabetizar uma classe inteira com uma teoria pedagógica." O Albert Sabin, por exemplo, é socioconstrutivista (privilegia o debate de ideias e a interação entre alunos e o professor), mas se permite usar o chamado material dourado. De inspiração montessoriana, ele facilita o entendimento dos números. "O mesmo material didático pode ser trabalhado de forma construtivista ou tradicional", diz Giselle Magnossão, diretora pedagógica. O importante, para Silvio Barini Pinto, diretor do colégio São Domingos, é não ter receitas para o aprendizado, mas sim jogo de cintura para misturar diferentes linhas. Por isso educadores dizem que, ao escolher um colégio, os pais não devem se prender a rótulos, mas analisar as práticas em sala de aula e se os objetivos da escola combinam com o que eles querem para seus filhos. Foi o que Jaqueline Maria Rapoza Cruz fez ao escolher o colégio de sua filha Maria Clara, 8. Ela conta que se decidiu pelo Sion quando ouviu que a filha aprenderia por meio de brincadeiras. Satisfeita, matriculou na escola a caçula Isabella, 5, e ainda se tornou professora de inglês do colégio. ---------- Em São Paulo, 30 de Novembro de 2009 27.11.2009 Cinco anos deste space (e um pouco de história de vida)No dia 2 de Dezembro, daqui a dias, este space comemora cinco anos de vida. Quando chegarmos lá, serão, ao todo, sessenta meses, mais de mil e oitocentos dias… Dos sessenta meses, só em dois (Abril de 2005 e Outubro de 2006) não escrevi nada no blog. Em compensação, em dois meses (Agosto de 2007 e Agosto de 2008) escrevi vinte artigos no mês. Na verdade, Agosto parece ser o meu mês mais prolífico: a média de artigos nos cinco meses de Agosto foi de 15.73. Ao todo foram 480 artigos (481 com este) no blog, o que dá uma média mensal de oito artigos. Isso não contando os spaces filhotes, dos quais há varios… Também criei, nesse período, nada menos do que quarenta albuns de fotografia… E criei listas de filmes favoritos, com um pequeno resumo, o meu “credo liberal”, e outras coisas mais… E cada um tem seus albuns de fotografias. O começo deste space foi modesto, em 2 de Dezembro de 2004. Criei-o por sugestão da Márcia Teixeira, amiga querida e, naquela época, Gerente de Educação da Microsoft no Brasil. (Hoje a Márcia trabalha na sede latinoamericana da Microsoft em Fort Lauderdale, FL, EUA). Nessa ocasião eu estava na região de Seattle, WA, nos Estados Unidos, com a Ana Teresa Ralston, que trabalhava com a Márcia Teixeira no Grupo de Educação da Microsoft Brasil. Estávamos fazendo um treinamento, conduzido por Lester Joseph Foltos, na Puget Sound Center for Teaching, Learning and Technology, perto da sede da Microsoft, na grande Seattle (a sede da Microsoft é numa cidadezinha chamada Redmond, perto de uma cidade um pouco maior, chamada Bellevue, que fica perto de Seattle…). Eis uma foto de uma reunião que tivemos na região de Seattle (Meadowdale Elementary School), na qual Peer Coaching era amplamente utilizado. Passamos estudando Peer Coaching uma semana no Puget Sound Center – semana que foi cheia de frutos. Um dos frutos foi trazer “Peer Coaching” (batizado como “Aprender em Parceria”) para o Brasil – para apliçação, a partir de 2005, depois de sofrer várias modificações que o “tupiniquizaram” um pouco… Um outro fruto dessa semana foi o início de um romance bonito entre a Ana Tereza e o Les. Sou amigo dos dois, gosto muito deles, e sinto que circunstâncias complicadas envolvendo filhos, trabalho e uma distância de mais de 10.000 km não tenham permitido que esse amor tivesse a continuidade natural que romances bonitos como esse normalmente têm… Estivemos, a Paloma e eu, com o Les, no início deste mês, em Salvador, e com a Ana Tereza, no final do mês (ante-ontem), em uma reunião da Comunidade Praxis, realizada no Colégio Dante Allighieri, em São Paulo. Abaixo, uma foto da Paloma com a Ana e o Les (e um figurante -- sorry, Alexandre…), tirada em 8 de Junho de 2005 – as circunstâncias são explicadas adiante: Les Foltos veio ao Brasil pelo menos duas vezes em 2005, para ministrar formação para educadores brasileiros. A primeira vez foi em Fevereiro (de 14 a 18), a outra em Junho (de 7 a 10). Em ambas as ocasiões veio acompanhado por Shelly, A formação foi ministrada em duas fases de uma semana cada (cinco dias úteis). Ambas as fases foram ministradas no Information Technology Academy Center (ITAC) da Microsoft, nas dependências do Bradesco Information Technology (BIT) da Fundação Bradesco (FB) em Campinas. (O BIT foi fundado nas dependências da antiga Fazenda Sete Quedas, de Amador Aguiar, que já abrigava a Escola da Fundação Bradesco em Campinas. O BIT fica no km 3,5 da Rodovia SP-73, antiga Estrada Campinas-Indaiatuba). Entre a primeira e a segunda fase da formação ministrada por Les Foltos começamos a multiplicar, por nós mesmos, a formação da primeira fase… De 10 a 12 de Maio (2005) fizemos um primeiro ensaio no SENAC da Lapa (Rua Tito, 54). Ali oferecemos a primeira parte da formação para um grupo seleto de educadores que já possuíam algum envolvimento com a Microsoft. Ana Tereza Ralston e eu (que vinha adaptando o material para as condições brasileiras) coordenamos uma equipe constituída por Mônica Gardelli Franco (hoje Assessora da Vice-Presidência da TV Cultura) e Luciana Maria Allan (hoje Diretora Executiva da ONG Instituto Crescer para a Cidadania). Elas ministraram essa primeira experiência, que contou com uma fala da Ana e outra minha, apresentando a metodologia original e as mudanças feitas aqui no Brasil. Eis algumas das pessoas que participaram, como “vítimas”, dessa experiência do Aprender em Parceria brasileiro:
De 31 de Maio a 3 de Junho (ainda 2005) essa formação ministrada no SENAC da Lapa foi repetida, desta vez no ITAC, da Fundação Bradesco, para professores da Fundação Bradesco. A equipe responsável foi novamente constituída por Mônica Gardelli Franco e Luciana Allan, mas agora com o apoio de Mary Grace Martins, Paloma Epprecht e Machado, Nelly Mengalli e Erika Neves Oliveira. As “vítimas”, neste caso, como já dito, foram professores da Fundação Bradesco (que, é bom que se diga, continuam replicando o programa internamente até hoje). De 7 a 10 de Junho (ainda 2005) o Les Foltos ofereceu, no ITAC, a segunda parte de sua formação, para quem havia feito a primeira fase, ou com ele, em Fevereiro, ou na experiência interna do SENAC da Lapa. Essas três ocasiões – 10 a 12 de Maio, no SENAC da Lapa, 31 de Maio a 3 de Junho, e 7 a 10 de Junho, ambas no ITAC – vieram a ser muito importantes para mim. Nelas passei momentos importantes com a Paloma. Na realidade, foram nossos primeiros momentos juntos. (A gente já havia se encontrado, entre 25 e 27 de Agosto de 2004, no TechEduc@tion, em São Paulo, onde dei uma palestra. A Mary Grace nos apresentou. Mas esse encontro foi rápido demais para me deixar uma impressão. Depois disso, só nos encontramos no SENAC da Lapa, onde ela chegou com a motocicleta dela. Chamou-me a atenção, primeiro, o fato de que uma moça tão linda e tão doce pudesse ser motoqueira…). No dia 11 de Maio de 2005 a Paloma e eu saímos juntos numa foto, pela primeira vez, almoçando na calçada de um restaurante em frente ao SENAC da Lapa (com um monte de outras pessoas). Na formação ministrada no ITAC, a Paloma tirou algumas fotos de mim (e de várias pessoas). Gosto, em especial, de uma em que estou na frente de um painel lindo da Microsoft (em que meninos brincando numa árvore imaginam que estão pilotando um avião a jato…). Eu mal imaginava, naquela ocasião, que ali, em Maio e Junho de 2005, estava nascendo um grande amor – que só iria desabrochar cerca de três anos depois, quando trabalhávamos juntos no Instituto Lumiar… Mas foi a impressão daqueles encontros de 2005 que me fez lembrar dela quando, em Julho de 2007, precisei escolher alguém para trabalhar comigo no Instituto Lumiar… O restaurante em que almoçamos no dia 11 de Maio na Lapa era chamado Cacilda, e ficava na mesma rua do SENAC, a Rua Tito, no número 237. O nome do restaurante se justifica porque o Teatro Cacilda Becker fica na mesma rua, no número 295. Eis a foto do nosso almoço, com a Paloma sentadinha do meu lado, tirada não sei por quem, com a câmera da Paloma, e três fotos do restaurante, em si, essas retiradas do site do restaurante, que pode ser visitado em http://www.cacildabarerestaurante.com.br. Esta é a foto que a Paloma tirou de mim em Junho no ITAC em 2 de Junho, na frente do painel do “avião”: Como se pode ver, estou com barba… E estava mais magro… O painel era uma versão gigantesca desta foto: Nessa mesma data, a Paloma tirou algumas fotos de mim dando uma entrevista. Eis uma delas: Na semana seguinte, foi a vez de a Paloma ser fotografada na frente de um dos painéis – este um painel de crianças pretendendo estar tocando numa “orquestra”: Desse sorriso, nunca mais me esqueci… É esta a foto que virou o painel que está atrás da Paloma: Eis aqui, finalmente, nessa seqüência, uma foto da Paloma com a Mary e a Rose (as duas melhores amigas dela, que também eram minhas amigas e viraram nossas “madrinhas”), tirada na segunda fase da formação do Les, em Campinas, no Meliá Comfort, em 31 de Maio de 2005: As três estão muito lindas… [PS 1 - Escrevi a maior parte deste post no dia 26 de Novembro de 2009, Dia de Ação de Graças… Escrevi, nesse dia, o seguinte no FaceBook: “Thanksgiving Day... Dia de Ação de Graças. Feriado, nos Estados Unidos. Aqui, não. Que cada um procure, em introspecção, as grandes e pequenas coisas pelas quais deve ser grato, e que manifeste essa gratidão de alguma forma”. Eu sou muito grato por essa história de amor semi-relatada aqui, no bojo da história do blog… E por muito mais.] [PS 2 – Ouço, agora, com a Paloma, na madrugada de 27 de Novembro de 2009, no Programa do Jô, uma cantora portuguesa fabulosa: Mariza. É fadista, mas cantou uma música brasileira com perfeição e com uma emoção altamente contagiante… Ver http://www.mariza.com/] [PS 3 – O Rubem Paulo elogiou minha memória no FaceBook… Isso me fez lembrar de que ela não é tão boa assim, e que muitos dos fatos e nomes aqui relatados, e quase todas as fotos, foram contribuições voluntárias e valiosas da Paloma… ela sim, com uma memória prodigiosa.] Em São Paulo, na madrugada de 27 de Novembro de 2009 25.11.2009 A mágica da leituraConfúcio Aires Moura, que, se não me engano, é prefeito de Ariquemes, RO, colocou no FaceBook: “Não é fácil fazer o povo ler. Melhor a TV. O Ratinho. Média de l livro por ano por brasilieiro adulto. Aqui lancei o programa Cuia do Livro. Desenhamos uma biblioteca em duas rodas, empurrada por uma pessoa, que fica em cada rua, com 150 titulos e além de lieratura infantil. São cinco cuias. Só pra começar. Vamos ver no que dá.” Respondi: “Ninguém consegue ‘fazer o povo ler’, Confúcio, se o povo não quer ler, se acha que tem algo mais importante, interessante ou urgente para fazer. O desafio é ajudar o povo a descobrir as coisas importantes e interessantes que o povo pode aprender lendo... Quando alguém descobre isso, a leitura se torna uma necessidade urgente. Mas essa descoberta precisa começar quando a gente é pequeno, antes de a gente aprender a ler, quando alguém lê para a gente... Para que descubramos a mágica da leitura, não basta que alguém nos conte histórias: é necessário que alguém nos leia histórias.” Quem quiser participar dessa importantíssima discussão (Como conseguir que o povo leia, goste de ler, leia com e por prazer?), por favor, comente, aqui no blog (ec.spaces.live.com) ou na transcrição desta mensagem no próprio FaceBook. Em São Paulo, 25 de Novembro de 2009 24.11.2009 Wal-Mart vs AmazonAbaixo, matéria retirada de The New York Times de hoje. É incrível. Há no momento uma guerra de preços entre o todo-poderoso Wal-Mart, o maior varejista do mundo, e… a Amazon – que, de uma livraria on-line passou a ser um shopping center online. Fantástico. Quem diria? A guerra de um modelo tradicional de negócios com um modelo de negócios inovador, baseado na tecnologia, orientado para o futuro. O Wal-Mart tem vendas anuais de 405 bilhões de dólares. A Amazon, de 20 bilhões. Mas o Wal-Mart sabe que está lutando pela sua sobrevivência… Não hoje – mas no futuro… A Amazon está lutando para ganhar mercado… O Wal-Mart, para não perder mercado… É fabuloso poder observar essa guerra. O consumidor será o maior beneficiado. ---------- The New York Times Price War Brews Between Amazon and Wal-Mart By BRAD STONE and STEPHANIE ROSENBLOOM Ali had Frazier. Coke has Pepsi. The Yankees have the Red Sox. Now Wal-Mart, the mightiest retail giant in history, may have met its own worthy adversary: Amazon.com. In what is emerging as one of the main story lines of the 2009 post-recession shopping season, the two heavyweight retailers are waging an online price war that is spreading through product areas like books, movies, toys and electronics. The tussle began last month as a relatively trivial but highly public back-and-forth over which company had the lowest prices on the most anticipated new books and DVDs this fall. By last week, it had spread to select video game consoles, mobile phones, even to the humble Easy-Bake Oven, a 45-year-old toy from Hasbro that usually heats up small cakes, not tensions between billion-dollar corporations. Last Wednesday, Wal-Mart dropped the price of the oven to $17, from $28, as part of its “Black Friday” deals. Later the same day, Amazon cut its price, which had also been $28, to $18. “It’s not about the prices of books and movies anymore. There is a bigger battle being fought,” said Fiona Dias, executive vice president at GSI Commerce, which manages the Web sites of large retailers. “The price-sniping by Wal-Mart is part of a greater strategic plan. They are just not going to cede their business to Amazon.” Retailers are already fighting for every dollar consumers spend this holiday season. Sales are not expected to drop as much as they did last season, but the National Retail Federation, an industry group, predicts that they will decline 1 percent, to $437.6 billion. Of course, Wal-Mart and Amazon are fundamentally different companies, and for now, at least, Amazon poses little immediate threat to the behemoth from Bentonville, Ark. Wal-Mart, with $405 billion in sales last year, dominates by offering affordable prices to Middle America in its 4,000 stores. Amazon is a relative schooner to Wal-Mart’s ocean liner, with $20 billion in sales, mostly from affluent urbanites who would rather click with their mouse than push around a cart. This fight, then, is all about the future. Rapid expansion by each company, as well as profound shifts in the high-tech landscape, now make direct confrontation inevitable. Though online shopping accounts for only around 4 percent of retail sales, that percentage is growing quickly. E-commerce did not suffer as deeply as regular retailing during the economic malaise, and it is recovering faster than in-store shopping. People are also shopping on smartphones and from their HDTVs. Amazon, based in Seattle, has harnessed all of these trends, and is also behaving more like a traditional retailer. This fall it expanded its white-labeling program, slapping the Amazon brand onto audio and video cables and other products, and introduced same-day shipping in seven cities, trying to replicate the instant gratification of offline shopping. For rivals both real and putative, Amazon is expanding its slice of the retail pie at what must be an alarming rate. In the third quarter of this year, regular retail sales dipped by about 4 percent and e-commerce over all was flat. But Amazon sales shot up 24 percent, sending its shares soaring. More important for Wal-Mart, sales in Amazon’s electronics and general merchandise business — which competes directly with much of the selection in Wal-Mart stores — were up 44 percent. Wal-Mart does not break out Web sales, but it has been reported that its online business produces revenue of several billion dollars. “If you are Wal-Mart, you want to have your proportional piece of this change in consumer behavior,” said Scot Wingo, chief executive of ChannelAdvisor, which helps retailers sell online. “You can even paint a scenario where e-commerce one day is 15 percent of all shopping, and that could really start to erode Wal-Mart’s offline business.” That is why many analysts are unsurprised that Wal-Mart executives have placed Amazon squarely in their sights, with public throw-downs in interviews and pointed discounting. It began last month with what appeared to be a public-relations-oriented competition on book prices, with both companies (along with Target, based in Minneapolis) dropping prices on books like “Under the Dome,” by Stephen King, to below $9. The companies then began jousting over the prices of DVDs. Less visibly, there were isolated skirmishes, some of which also lowered prices in Wal-Mart’s stores. Wal-Mart offered a $15 gift card with a purchase of the new video game Call of Duty: Modern Warfare 2 — and Amazon matched soon after. Wal-Mart and Amazon then both offered the Xbox 360 gaming console for $199 — with a $100 gift card thrown in. Last week, they both began offering the new Palm Pixi phone for around $30 — nearly $175 off the suggested retail price. Of course, online retailers have always competed on price, monitoring rivals’ sites for changes and adjusting accordingly. “We’ve grown up in a supercompetitive environment where customers can check prices with one click, and we like it that way,” said Craig Berman, an Amazon spokesman. But rhetoric from Wal-Mart itself has stoked the flames of rivalry. In an interview last week, Raul Vazquez, the president and chief executive of Walmart.com, asserted that the site was growing faster than Amazon’s; suggested that Amazon Prime, a two-day-shipping service that costs $80 a year, was too expensive; and said that it was “only a matter of time” before Wal-Mart dominated Web shopping. “Our company is based on low prices,” Mr. Vazquez said, laying down a challenge. “Even in books, we kept going until we were the low-price leader. And we will do that in every category if we need to.” Friction between the two companies is not entirely new. In the late 1990s, Amazon assembled at least some of its knowledge of retail supply chains by hiring away Wal-Mart employees. Wal-Mart sued, and the two companies settled privately. In a battle over prices, Wal-Mart is on more familiar turf. With its unmatched size, Wal-Mart has more leverage than anyone to negotiate better terms with suppliers. Offering the lowest price “is in our DNA,” Mr. Vazquez said. Among Amazon’s advantages are a sophisticated distribution network built specifically for Web shopping, the thousands of outside sellers who offer products on Amazon.com, and a recognizable online brand. Amazon’s customers also do not pay sales tax in most states, a crucial advantage that companies like Wal-Mart, and their lobbyists, are trying to eliminate. Jeffrey P. Bezos, Amazon’s chief executive, is fond of saying that retailing is a big market with room for many winners. But for Ms. Dias, from GSI Commerce, Wal-Mart’s campaign against Amazon is overdue. As an executive at the now-defunct Circuit City chain, and as an adviser to traditional retailers today, she says she has watched many companies overlook the long-term threat posed by Amazon. “We have to put our foot down and refuse to let them grow more powerful,” she said. “I applaud Wal-Mart. It’s about time multichannel retailers stood up and refused to let their business go away.” ---------- Em 28/11/2009 a Folha de S. Paulo publicou essa matéria, que é uma tradução da matéria transcrita atrás. ---------- Folha de S. Paulo Wal-Mart e Amazon declaram guerra Gigante do varejo e rede virtual disputam preços em batalha que sinalizará melhor modelo de negócio Compras on-line respondem hoje por apenas 4% do total de vendas nos EUA, mas índice cresce rapidamente e preocupa lojas tradicionais DO "NEW YORK TIMES" O Wal-Mart, o mais poderoso gigante da história do varejo, pode enfim ter encontrado um adversário à sua altura: a Amazon.com. No que vem emergindo como uma das principais histórias na temporada natalina pós-recessão de 2009, os dois pesos pesados do varejo estão travando uma guerra de preços on-line que está se espalhando a todas as áreas de produtos, tais como livros, filmes, brinquedos e bens eletrônicos. A disputa começou no mês passado como uma troca relativamente trivial de alegações sobre qual das duas empresas oferecia os menores preços para os lançamentos de livros e DVDs mais aguardados da temporada. Mas na semana passada a disputa havia se expandido a consoles de videogames, celulares e até mesmo ao modesto Easy-Bake Oven, um brinquedo criado há 45 anos pela Hasbro e que serve em geral para aquecer bolinhos, e não tensões entre empresas bilionárias. Na quarta, a Wal-Mart reduziu o preço do forno de US$ 28 para US$ 17, como parte de suas ofertas especiais para a "Sexta-Feira Negra", o dia de alto movimento no comércio que se segue ao feriado de Ação de Graças. No mesmo dia, a Amazon.com também anunciou um corte de preços, dos mesmos US$ 28 para US$ 18. "Não se trata mais de uma questão de preços de livros e filmes. Existe uma batalha maior em curso", disse Fiona Dias, vice-presidente-executiva da GSI Commerce, que administra sites para grandes redes de varejo. "O ataque iniciado pela Wal-Mart quanto aos preços é parte de um plano estratégico muito mais amplo. Eles não pretendem entregar seu negócio à Amazon.com." O varejo está lutando dólar a dólar pelo dinheiro que os consumidores gastarão nesta temporada de festas. As vendas não devem cair tanto quanto no ano passado, mas a Federação Nacional do Varejo prevê que elas ainda assim registrarão declínio, da ordem de 1%, para US$ 437,6 bilhões. Evidentemente, Wal-Mart e Amazon.com são empresas fundamentalmente diferentes e, pelo menos por enquanto, a Amazon não é ameaça imediata à gigante do varejo físico, sediada em Bentonville, Arkansas. A Wal-Mart, com vendas de US$ 405 bilhões no ano passado, domina o mercado ao oferecer preços acessíveis aos consumidores médios norte-americanos, nas 4.000 lojas de sua rede. A Amazon.com não passa de um barco de turismo diante do transatlântico da Wal-Mart, com vendas de US$ 20 bilhões, em geral para cidadãos urbanos afluentes que preferem fazer compras com um mouse a fazê-las num supermercado. A disputa, portanto, gira em torno do futuro. A rápida expansão de ambas as empresas, bem como as profundas mudanças na paisagem do setor de tecnologia, agora tornam inevitável um confronto direto. Ainda que as compras on-line respondam por apenas 4% do total de vendas do varejo norte-americano, essa porcentagem vem crescendo rapidamente. O comércio eletrônico não sofreu tanto quanto o comércio convencional durante o período de crise econômica e está se recuperando mais rápido do que o varejo físico. As pessoas agora também fazem compras de seus televisores de alta definição e de seus celulares inteligentes. A Amazon.com, sediada em Seattle, conseguiu aproveitar todas essas tendências, e também começou a se comportar mais como uma companhia tradicional de varejo. Neste final de ano, ela expandiu seu programa de marcas e ampliou o número de cabos de som, vídeo e outros itens que estão sendo vendidos sob a sua marca. Além disso, a companhia introduziu um serviço de entregas no mesmo dia em sete cidades dos Estados Unidos, em um esforço para reproduzir a sensação de gratificação instantânea oferecida pelas compras físicas. Tradução de Paulo Migliacci ---------- Em São Paulo, 24 de Novembro de 2009 Os meandros da visão jurídica do Ministério da SaúdeEmbora eu seja um defensor ferrenho da liberdade de cada um se meter em qualquer coisa que seja de seu interesse, independentemente de suas atribuições formais, devo reconhecer que estranhas coisas acontecem quando um ministério se mete a discutir assuntos fora de suas atribuições. Vejam a notícia adiante, publicada na Folha de S. Paulo de hoje. Para o Ministério da Saúde, transmitir o virus da AIDS não é crime – ainda que o transmissor saiba que é portador do virus e conscientemente mantenha relações sexuais com alguém que não é portador(a) do virus. Para o ministério, para que a transmissão do HIV seja considerada crime é necessário comprovar que o contaminador teve a intenção de passar o vírus para o(a) parceiro(a) – algo que, aqui entre nós, é virtualmente impossível de comprovar, sem confissão. Em outras palavras, se o contaminador nega que teve a intenção de contaminar, deverá ser considerado inocente, mesmo que:
Imaginemos uma analogia.
Segundo o Ministério da Saúde, eu também deveria ser considerado inocente dessa morte. Absurdo. Concordo totalmente com a posição de Damásio de Jesus, descrita na matéria abaixo. É uma vergonha a posição do Ministério da Saúde. É uma vergonha também a posição do Coordenador da tal ONG Grupo pela Vida. Ela só pensa na vida dos aidéticos – não da vida daqueles que sofrem as conseqüências de aidéticos que se comportam irresponsavelmente. Eis a matéria da Folha, ---------- Folha de S. Paulo Para ministério, transmitir Aids não é crime Pasta da Saúde recomendará ao Judiciário não criminalizar quem saiba ser soropositivo e tenha tido relações sexuais sem proteção Ministério sustenta que, para que a transmissão do HIV seja considerada crime, é necessário comprovar a intenção de passar o vírus ANGELA PINHO A transmissão do HIV (vírus da Aids), mesmo que por uma pessoa que saiba ser portadora do vírus e tenha mantido relações sexuais sem proteção, não deve ser criminalizada por si só. Essa é a posição defendida pelo Ministério da Saúde, que prepara uma nota pública sobre o tema endereçada a profissionais da Justiça. Ele disse que não contou a ela ser portador do vírus porque estava apaixonado e tinha medo de perdê-la, mas acabou sendo condenado a dois anos e meio de reclusão. Casos como esse vêm se repetindo no Judiciário, e ao menos um já chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde aguarda julgamento. Para Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatite do Ministério da Saúde, para que a transmissão seja considerada crime é preciso comprovar que o soropositivo teve a intenção de passar o vírus. "Num contexto cotidiano, das relações sexuais afetivas, é muito difícil você estabelecer uma culpa. É possível analisar particularmente dentro de uma perspectiva de intencionalidade. Na medida em que tiver essa intencionalidade de ferir e transmitir, é diferente." Ele diz também que é preciso considerar a existência de "fatores psicossociais", o estágio de tratamento da doença e a corresponsabilidade do parceiro de também se proteger. A nota vai contra uma tendência mundial de criminalizar quem transmite a doença, afirma Barbosa. "Alguns países acabam adotando essas medidas como se fosse possível, isolando e culpabilizando, controlar a epidemia." Dolo eventual O professor de direito penal Damásio de Jesus discorda dessa tese. Na sua opinião, se ficar provado que o soropositivo sabia que tinha o vírus e ainda assim não se protegeu nas relações, deveria ser acusado de tentativa de homicídio ou, caso a vítima tenha morrido, de homicídio. Sua tese se aplica mesmo aos casos em que o portador do HIV não tinha a intenção de transmitir o vírus, mas não contou o fato ao parceiro ou à parceira por vergonha ou medo de se expor. Nesse caso, para ele, seria aplicada a tese de dolo eventual, em que o acusado não tem intenção de cometer o crime, mas assume o risco de ele ocorrer. Mário Scheffer, coordenador da ONG Grupo Pela Vida, apoia a iniciativa do ministério e defende que a eventual responsabilização do soropositivo só pode ser feita após a comprovação dos seguintes pontos: que a pessoa sabia que era portadora do vírus e que podia transmiti-lo, que teve relações sexuais desprotegidas, que o parceiro ou parceira está infectado, que os dois tiveram relações sexuais desprotegidas, que ele não tinha HIV antes do relacionamento e que ambos têm variedades de HIV compatíveis. "Se for comprovada a intencionalidade, aí cabe à Justiça avaliar o caso", diz Scheffer. ---------- Em São Paulo, 24 de Novembro de 2009 |
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